Falhas simples como credenciais fracas abriram margem para mais de 2 mil ataques semanais por organização em 2025, segundo relatório da Check Point Research
A cibersegurança, privacidade e proteção de dados em saúde segue
sendo um ponto de atenção em diversos setores, em especial a Saúde. No mês de
maio, o setor recebeu semanalmente 2021 ataques cibernéticos, de acordo com o
relatório semestral da Checkpoint Research. O número coloca o setor entre os
mais visados no mundo e expõe uma fragilidade sistêmica que vai além da falta
de tecnologia: a ausência de fundamentos básicos de segurança da informação.
Para Fábio Costa, Partner e COO da BidHealth, empresa
especializada na cibersegurança que faz parte do ecossistema da MV, as consequências
de um incidente cibernético na saúde ultrapassam o prejuízo financeiro. De
acordo com o especialista, um dado vazado, pode expor a intimidade de milhares
de pacientes e um ataque de ransomware pode paralisar o atendimento de um
hospital inteiro, colocando vidas em risco. Ainda assim, ele aponta que a
postura predominante no mercado continua sendo reativa, ou seja, as
organizações agem somente depois que os problemas se tornam irremediáveis.
O especialista afirma que o diagnóstico é claro: enquanto as
instituições buscam soluções tecnológicas sofisticadas, as portas da frente
continuam destrancadas. "A maioria dos cibercriminosos não utiliza
técnicas de invasão dignas de filme. Eles exploram credenciais fracas, óbvias,
comprometidas ou reaproveitadas. É o caminho de menor resistência", afirma
Fábio Costa.
O executivo ressalta também que treinamentos de conscientização
para equipes, da recepção à diretoria, são inegociáveis, mas insuficientes por
si sós. "Processos robustos e tecnologia adequada precisam funcionar como
uma blindagem contra essa falha inevitável. Não podemos depender apenas da
atenção individual de cada colaborador", explica Costa.
Exemplos de maturidade
Apesar do cenário preocupante, existem referências positivas no
país. Costa aponta modelos de grandes hospitais, a exemplo do Hospital Sírio
Libanês, como um dos grandes exemplos consolidados de boas práticas, maturidade
e proatividade na governança de informações no Brasil. Para ele, uma prova de
que é possível estruturar uma cultura sólida de segurança digital no setor de
saúde.
Para o especialista, alcançar esse nível de maturidade não começa por reinventar a roda tecnológica, exige disciplina. "O despertar para a cibersegurança e a privacidade de dados começa por garantir que os processos mais elementares estejam funcionando com excelência. É o feijão com arroz bem-feito, e isso já faz uma diferença enorme", conclui Fábio Costa.
www.mv.com.br
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