Especialista em
comportamento animal explica como identificar mudanças de comportamento que podem
indicar ansiedade, estresse e insegurança
Os animais de
estimação fazem tanto bem para o bem-estar das pessoas quanto o convívio
frequente com amigos e familiares. É o que aponta um estudo realizado por
pesquisadores da Universidade de Kent, no Reino Unido, que mostrou que viver
com um pet pode gerar um ganho de satisfação com a vida equivalente ao
proporcionado pelas relações sociais mais próximas. Se os benefícios emocionais
que cães e gatos proporcionam aos tutores já são reconhecidos, cresce também a
importância de olhar para a saúde mental dos próprios animais.
Embora muitos
comportamentos sejam interpretados como "birra", "teimosia"
ou "falta de educação", eles podem ser sinais de que o pet está
enfrentando ansiedade, estresse ou dificuldade para lidar com mudanças na
rotina. Longos períodos sozinho, falta de estímulos físicos e mentais, alterações
no ambiente e até o excesso de dependência em relação aos tutores podem
comprometer o equilíbrio emocional dos animais.
Segundo André
Cavalieri, especialista em comportamento animal e sócio da Dog Corner, os problemas emocionais costumam aparecer por meio de
pequenas mudanças de comportamento, que muitas vezes passam despercebidas pelas
famílias.
"A saúde
emocional merece a mesma atenção que os cuidados físicos. Quando o pet começa a
agir de forma diferente do habitual, esse comportamento pode ser um sinal de
que algo não está bem e merece ser observado", afirma André.
A seguir, o
especialista destaca cinco sinais que merecem atenção.
1. Destruição de objetos pode indicar ansiedade de separação
Quando o cão
destrói portas, almofadas, móveis ou objetos apenas durante a ausência dos
tutores, o comportamento pode estar relacionado à dificuldade de ficar sozinho.
"Muitos
animais desenvolvem ansiedade de separação. Nesses casos, destruir objetos pode
ser uma forma de aliviar o estresse provocado pela ausência da família",
explica André.
2. Vocalização excessiva nem sempre é falta de educação
Latidos, choros ou
miados persistentes podem demonstrar que o animal está inseguro ou estressado,
principalmente quando esse comportamento acontece sempre nas mesmas situações.
"O excesso de
vocalização costuma ser um dos primeiros sinais de que o pet não está
emocionalmente equilibrado. Vale observar quando esse comportamento acontece e
o que pode estar desencadeando essa reação", destaca.
3. Isolamento e mudanças repentinas de comportamento merecem atenção
Um animal que
deixa de interagir com a família, passa a se esconder ou perde o interesse por
atividades que antes gostava pode estar demonstrando sofrimento emocional.
"Cada pet
reage de uma forma. Alguns ficam mais agitados, enquanto outros se tornam mais
isolados. O importante é perceber mudanças em relação ao comportamento
habitual", afirma.
4. Lambedura compulsiva e alterações no apetite também podem ser sinais
Problemas
emocionais também podem aparecer por meio de comportamentos repetitivos ou
mudanças na alimentação.
"Alguns
animais passam a lamber excessivamente as patas ou outras partes do corpo, enquanto
outros comem menos ou até exageram na alimentação. Quando essas alterações persistem,
é importante investigar a causa", explica.
5. Rotina previsível e estímulos são fundamentais para o equilíbrio emocional
Além dos cuidados
veterinários, cães e gatos precisam de atividades físicas, desafios mentais,
enriquecimento ambiental e momentos de interação para manter o bem-estar.
"Um animal
emocionalmente equilibrado depende de uma rotina organizada, estímulos
adequados e segurança. Quanto mais previsível e enriquecido for o ambiente,
maiores são as chances de ele viver de forma saudável e tranquila",
conclui André Cavalieri.
Para o
especialista, observar mudanças de comportamento e buscar orientação
profissional logo nos primeiros sinais faz toda a diferença. Em muitos casos,
pequenas mudanças na rotina e no ambiente já contribuem para reduzir o estresse
e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pets.
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