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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Como o clima afeta ouvidos, nariz e garganta — e por que as doenças respiratórias aumentam em um planeta mais quente e poluído

 

Os impactos das mudanças climáticas já são sentidos dentro dos consultórios médicos e, segundo o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, o aumento da temperatura média, a concentração de poluentes e a alteração dos ciclos de chuva e umidade estão diretamente ligados à alta de doenças respiratórias e otorrinolaringológicas — como rinite alérgica, sinusite crônica e infecções de ouvido. 

“O nariz é a primeira barreira do corpo contra o ar que respiramos. Quando o ar está mais seco ou poluído, essa mucosa perde sua função de filtrar e umidificar, facilitando infecções e inflamações”, explica o médico. “É um reflexo direto das mudanças climáticas no corpo humano — e especialmente nas vias aéreas superiores.” 

Um estudo recente publicado na Environmental Research (2024) reforça a conexão: a cada aumento de 1 °C na temperatura média e elevação das partículas finas de poluição (PM2.5), cresce a incidência de rinite e sinusite em até 20% nas regiões urbanas. “Além disso, os poluentes irritam a mucosa nasal e os ácaros se proliferam em ambientes úmidos, o que agrava ainda mais os quadros alérgicos”, complementa o especialista.

 

Quando o clima muda, as alergias também mudam 

A alteração dos padrões de estações e o desequilíbrio ambiental têm criado novos ciclos de alergia. O que antes se concentrava em meses específicos, hoje se estende o ano inteiro. “As plantas florescem em épocas diferentes, os índices de pólen aumentam e a poeira urbana se acumula. O paciente que tinha rinite sazonal agora sofre o ano todo”, explica o otorrino.

Ele também observa o aumento de casos de otite média em crianças e adultos durante ondas de calor ou períodos de seca prolongada. “O ar-condicionado em excesso resseca as mucosas, e a oscilação de temperatura entre ambientes internos e externos favorece infecções do ouvido e da garganta.”

 

Como prevenir doenças em decorrência da alteração climática 

Para o especialista, enquanto o mundo busca reduzir emissões, cada pessoa precisa adotar pequenas medidas de proteção:

  • Manter a casa arejada e limpa para reduzir ácaros e fungos;
  • Usar umidificadores em dias secos;
  • Beber bastante água para hidratar as vias aéreas;
  • Buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes de entupimento, coceira ou dor facial. 

“O que respiramos é um reflexo do planeta em que vivemos. Se o clima adoece, nós também adoecemos”, finaliza o Dr. Bruno.

 


FONTE:

Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
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