
Magnific
O Julho Verde, mês dedicado à conscientização
sobre o câncer de cabeça e pescoço, traz um alerta para a saúde pública
brasileira. As novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam
que o país deverá registrar cerca de 42.150 novos casos por ano de tumores que
acometem a cavidade oral, a laringe e a tireoide no triênio 2026-2028. Ao longo
dos três anos, a projeção é de aproximadamente 126.450 novos diagnósticos,
consolidando esse grupo de doenças entre os principais desafios da oncologia
nacional.
O oncologista e professor da Afya Faculdade de
Medicina de Itajubá, Dr Gerson Yoshinari, explica que o câncer de cabeça e
pescoço não é uma doença única, mas um grupo de tumores que pode surgir em
regiões como boca, língua, garganta, laringe, amígdalas, seios da face e
glândulas salivares. A maioria se origina nas células que revestem as mucosas e
é classificada como carcinoma de células escamosas.
“Esses tumores se desenvolvem a partir de
alterações celulares, favorecidas pela exposição a fatores de risco. Os
principais são o tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas,
especialmente quando associados. O consumo habitual de bebidas muito quentes
também tem sido relacionado ao aumento do risco, possivelmente por causar
irritação crônica das mucosas. Além disso, a infecção persistente por tipos
oncogênicos do HPV ganhou importância, principalmente nos tumores da
orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua”.
A prevenção envolve medidas práticas, segundo o
oncologista, como não fumar, evitar o consumo de álcool e de bebidas muito
quentes, manter uma boa saúde bucal, realizar consultas odontológicas regulares
e manter a vacinação contra o HPV em dia. Além disso, segundo o INCA, 78,2% dos
pacientes recebem o diagnóstico quando o câncer já está em estágios III ou IV,
fases em que o tratamento costuma ser mais complexo, pode exigir abordagens
mais agressivas e apresentam menores chances de cura.
De acordo com Dr Gerson Yoshinari, nos estágios
iniciais, muitas vezes é possível tratar a doença com uma única modalidade,
como cirurgia ou radioterapia. Isso costuma significar tratamentos menos
extensos, menor impacto sobre fala, mastigação e deglutição, além de menor
risco de sequelas. “Quando o diagnóstico ocorre em estágio avançado, geralmente
é necessário combinar cirurgia, radioterapia e quimioterapia, conforme a
localização e as características do tumor. Em alguns casos, a imunoterapia
também pode fazer parte do tratamento. Nessa fase, o tratamento é mais complexo
e há maior risco de efeitos adversos, dificuldades nutricionais, alterações na
fala e na deglutição, além da necessidade de reabilitação prolongada”,
complementa o docente.
Sinais de atenção do câncer de
cabeça e pescoço
Os primeiros sinais do câncer de cabeça e pescoço podem se confundir com problemas comuns do dia a dia. O otorrinolaringologista e professor da Afya Ipatinga, Dr Lauro Nunes de Oliveira Filho, informa que muitos sinais iniciais dos cânceres de cabeça e pescoço são pouco valorizados porque podem ser facilmente confundidos com aftas, infecções respiratórias, problemas dentários, refluxo ou simples irritações cotidianas na garganta. Ele destaca 10 sinais corporais para ficar atento:
- Lesões na boca ou nos lábios
que não cicatrizam após alguns dias.
- Alterações de cor na mucosa
oral, como manchas brancas ou avermelhadas.
- Dificuldade ou dor na hora de
engolir os alimentos, ou a sensação constante de ter "algo
parado" na garganta.
- Dor de garganta persistente que
não melhora com tratamentos comuns.
- Mudanças persistentes na voz ou
rouquidão que dura semanas.
- Presença de caroço no pescoço.
Mesmo que o nódulo seja indolor e não desapareça, ele não deve ser
ignorado.
- Problemas para movimentar a
língua adequadamente ou limitação ao tentar abrir a boca. Alterações
progressivas no modo de falar.
- Perda de sangue sem motivo
aparente pela boca ou pelo nariz. Nariz entupido de forma persistente,
principalmente quando o problema ocorre em um único lado.
- Dores recorrentes no ouvido,
mesmo quando os exames não mostram nenhuma infecção ou alteração no
próprio órgão.
- Problemas ou mudanças persistentes na respiração. Redução inexplicada de peso em um curto período.
Entre os tumores que compõem o grupo dos cânceres de cabeça e pescoço, o de cavidade oral continua sendo um dos mais frequentes no país, com estimativa de 17.200 novos casos anuais. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, ele ocupa a sétima posição entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil e é o quinto mais comum entre os homens. Já o câncer de tireoide deverá registrar cerca de 16.400 novos casos por ano, sendo que quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem em mulheres, totalizando aproximadamente 13.300 casos femininos anuais. O câncer de laringe, por sua vez, apresenta estimativa de 8.510 novos casos por ano, número que representa um aumento nominal de 9,2% em relação às estimativas anteriores.
“Tabaco e álcool, principalmente
quando associados, são importantes fatores de risco para câncer de boca e
orofaringe. Alguns tumores também podem estar ligados ao HPV, além de fatores
como exposição solar e ocupacional. Mesmo pessoas que nunca fumaram ou beberam
podem desenvolver a doença, por isso sintomas persistentes devem ser avaliados.
A prevenção inclui boa higiene bucal, acompanhamento odontológico, correção de
feridas causadas por próteses, proteção solar dos lábios, uso de equipamentos
de segurança e alimentação equilibrada. As principais medidas são evitar o
tabaco, moderar o álcool e manter a vacinação contra o HPV em dia”, conclui o
otorrinolaringologista da Afya.
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