Rodado em cinco países e um território não autônomo, o épico estrelado por Matt Damon transformou kasbahs marroquinas, praias gregas, uma ilha siciliana e falésias escocesas nos cenários da jornada de Ulisses; Civitatis reúne seis experiências para conhecer esses lugares de perto
Poucas
histórias viajaram tanto quanto "A Odisseia". Antes de virar filme, o
poema atribuído a Homero e escrito na Grécia Antiga já acompanhava, havia quase
três mil anos, a saga de Ulisses, rei de Ítaca, que passa uma década tentando voltar
para casa depois da Guerra de Troia. Para levá-la ao cinema, Christopher Nolan
embarcou na própria odisseia: em vez de recriar o mundo homérico em estúdio, a
produção percorreu Marrocos, Grécia, Itália, Islândia e Escócia. Com a estreia
do longa, esses cenários voltaram ao radar dos viajantes, e a Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências presente em
mais de 160 países, reuniu seis experiências para conhecê-los sem sair da rota.
Gravado
inteiramente com câmeras IMAX, o filme tem Matt Damon como Ulisses, ao lado de
Tom Holland (Telêmaco), Anne Hathaway (Penélope) e Zendaya (a deusa Atena). Em
vídeo promocional divulgado pela produção às vésperas da estreia, o próprio
Damon brincou que parecia ter rodado seis ou sete longas diferentes, tamanha a
variedade de paisagens. Essa sensação chega à tela: cada etapa da jornada está
associada a um cenário distinto, do deserto marroquino às falésias do norte da
Escócia.
A
escolha por locações reais, em vez de recriar tudo em estúdio, ajuda a explicar
por que o filme já movimenta o interesse turístico por esses destinos. Aït
Benhaddou, o Peloponeso, Favignana e a costa sul da Islândia eram atrações
turísticas consolidadas muito antes da chegada das câmeras, e produções desse
porte costumam gerar aumento nas reservas, aponta a Civitatis, que chegou a o
observar uma alta de 20% nas reservas de atividades do Harry Potter no mês do
lançamento do novo trailer da série da Warner Bros, em abril de 2026.
"O
que torna 'A Odisseia' interessante para o turismo é que Nolan não inventou
paisagens: ele foi atrás de lugares que já existem e que o viajante pode
visitar. Aït Benhaddou, o Peloponeso, Favignana e a costa sul da Islândia são
destinos com estrutura receptiva pronta e passeios saindo de cidades-base. O
filme funciona como uma porta de entrada para roteiros que já estavam
ali", afirma Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil.
Onde
“A Odisseia” foi filmada?
1. Marrocos: o cerco e a armadilha do
Cavalo de Troia
Foi
em Aït Benhaddou, cidadela fortificada próxima a Ouarzazate e reconhecida como
Patrimônio Mundial pela Unesco, que a produção recriou Troia. O conjunto de
construções de terra batida que aparece no filme é real e visitável: a excursão a Ouarzazate e Aït Benhaddou sai de Marrakech, cruza a
cordilheira do Atlas pelo desfiladeiro de Tizi n’Tichka, a 2.260 metros de
altitude, e reserva tempo livre no kasbah e em Ouarzazate, cidade apelidada de
“Hollywood da África” por concentrar estúdios que já receberam produções como
“Gladiador” e “Game of Thrones”.
Já o Cavalo de Troia aparece pela primeira vez nas praias de Essaouira, no litoral atlântico marroquino. Conhecida como “Pérola do Atlântico”, a cidade tem medina fortificada declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, porto de pescadores e uma orla batida por ventos constantes que a tornaram point de kitesurfe. A excursão a Essaouira saindo de Marrakech percorre cerca de três horas de estrada até a costa, e deixa o viajante livre para explorar as muralhas, o porto e o centro histórico antes do retorno.
2. Grécia: o Peloponeso, cenário
original dos poemas homéricos
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| Micenas, cidadela no Peloponeso |
Parte das filmagens
aconteceu no Peloponeso, região que concentra alguns dos cenários mais associados
à tradição homérica. A Caverna de Nestor, escolhida para representar o
esconderijo do Ciclope Polifemo, está entre as locações gregas, ao lado do
Castelo de Methoni, da Praia de Voidokilia e da fortaleza de Acrocorinto.
Para
quem quer percorrer a península, a excursão a Corinto, Micenas, Náfplio e Epidauro parte de Atenas e, em dez horas,
passa pelo Canal de Corinto, pela cidadela de Micenas, que dominou o Egeu entre
os séculos XVII e XIII a.C., e pelo teatro de Epidauro.
Já na capital, o tour mitológico por Atenas percorre em duas horas as lendas que sustentam a cidade, incluindo a de Atena, deusa que protege Ulisses ao longo de toda a jornada.
3. Itália: Favignana, a Ítaca de Nolan

Favignana, ilha da Sicília, na Itália, que deu vida à Ítaca no filme “A Odisseia”, pode ser visitada em passeio de cruzeiro disponível na Civitatis
O
destino que move toda a narrativa é Ítaca, o lar para onde Ulisses tenta voltar
e onde Penélope adia seus pretendentes. Para representá-lo, Nolan escolheu
Favignana, ilha do arquipélago das Égadas, na Sicília, cercada de falésias
calcárias e calas de água transparente. O Castello di Santa Caterina, no alto
da montanha, aparece repetidamente como o palácio do herói. O cruzeiro por Favignana e Levanzo saindo de Trapani leva cerca de 40 minutos de
navegação até a ilha, com tempo livre no vilarejo, paradas para banho em calas
como Cala Rossa e Cala Azzurra e almoço siciliano a bordo.
4. Islândia: a descida ao reino de
Hades nas praias de areia negra
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| Praia de Reynisfjara, na Islândia |
Entre todas as aventuras de Ulisses, poucas são tão sombrias quanto a descida ao reino de Hades, quando o herói cruza os limites do mundo conhecido para consultar o profeta cego Tirésias. A Islândia foi o destino escolhido para dar forma a esse trecho: as filmagens ocorreram em junho, sob o sol da meia-noite, entre a península de Snæfellsnes, as praias de Hjörleifshöfði e a areia negra próxima ao rio Markarfljót. O tour pela costa sul e cascatas da Islândia sai de Reykjavík e percorre, em cerca de dez horas e meia, o mesmo tipo de paisagem: campos de lava aos pés da montanha Hengill, as cascatas Seljalandsfoss e Skógafoss e a praia de Reynisfjara, cujas formações vulcânicas seriam, segundo a lenda local, trolls petrificados ao tentar arrastar um navio para as rochas.
5. Escócia: a ilha de Circe nas Terras Altas escocesas

Parque Nacional Cairngorm, na Escócia, com paisagens similares das Terras Altas das filmagens de “A Odisseia”
Ao longo do caminho, Ulisses encontra lugares tomados por magia. Entre eles a ilha de Circe, feiticeira capaz de transformar homens em animais. Para recriar essa atmosfera, Nolan filmou em Moray Firth, no nordeste escocês, onde as falésias e as ruínas do Castelo de Findlater compõem a paisagem, e na Floresta de Culbin, de vegetação fechada. Para conhecer paisagens que evocam o mesmo cenário das filmagens, a excursão ao Parque Nacional Cairngorms, Clava Cairns e Castelo de Cawdor, saindo de Inverness, percorre a mesma região das Terras Altas usada nas filmagens: passa pelo círculo de pedras pré-histórico de Clava Cairns, a cerca de 20 minutos da cidade, segue para os jardins e salões do Castelo de Cawdor e termina no Parque Nacional Cairngorms, o maior do Reino Unido, com parada livre em Aviemore no meio do trajeto.
6. Saara Ocidental: as dunas brancas
de Dakhla
![]() |
| Parque Nacional Cairngorm, na Escócia, com paisagens similares das Terras Altas das filmagens de “A Odisseia” |
As
cenas entre Ulisses e Atena foram filmadas nas White Dunes, dunas de areia
clara próximas a Dakhla, no Saara Ocidental, território não autônomo
administrado pelo Marrocos, na costa atlântica africana, ainda pouco explorado
pelo turismo organizado. A região é conhecida sobretudo entre praticantes de
kitesurfe e completa o roteiro percorrido pela produção de Christopher Nolan.




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