Exames, microbiota, sono e histórico individual ajudam a explicar por que estratégias iguais podem gerar respostas diferentes
Uma resolução aprovada pela Organização Mundial da
Saúde em maio de 2026 colocou a medicina de precisão na agenda global ao
defender a integração de genômica, diagnósticos, ciência de dados e saúde
digital aos sistemas de saúde. A decisão reforça uma mudança que começa a
chegar também à rotina de quem busca melhorar o metabolismo, a composição
corporal e qualidade de vida. O cuidado com a saúde passa a considerar, cada
vez mais, dados individuais, histórico clínico, hábitos e resposta biológica de
cada pessoa.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, avanços em
genômica e ciência de dados já impulsionaram mais de 4 mil terapias de precisão
no mundo. Embora o dado esteja ligado principalmente ao desenvolvimento de
tratamentos médicos, ele ajuda a explicar por que o modelo único para todos vem
sendo questionado em diferentes áreas da saúde.
Para Bruna Makluf, especialista em saúde intestinal e metabólica e
diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira que usa testes genéticos,
microbiota e inteligência artificial no acompanhamento nutricional remoto, essa
transformação não significa trocar o olhar profissional por tecnologia.
“A saúde personalizada muda a lógica do cuidado
porque parte do princípio de que duas pessoas com o mesmo peso, a mesma idade e
o mesmo objetivo podem responder de formas muito diferentes a uma dieta, a um
suplemento ou a uma rotina. O protocolo deixa de ser baseado apenas no que
funciona para a maioria e passa a considerar o que faz sentido para aquele
organismo”, afirma Bruna.
O corpo começa a ser lido
antes da dieta
Durante décadas, recomendações de saúde foram construídas
a partir de padrões amplos. Esse modelo ainda é importante para orientar
políticas públicas e condutas clínicas, mas mostra limites quando o assunto
envolve resposta metabólica, comportamento alimentar, inflamação, sono,
apetite, composição corporal e manutenção de resultados no longo prazo.
Na prática, a nutrigenética ajuda a entender como
variações no DNA podem influenciar o metabolismo de carboidratos e gorduras, a
tendência à fome, o aproveitamento de vitaminas e a resposta a determinados
nutrientes. Já a análise da microbiota intestinal observa o equilíbrio das
bactérias do intestino, fator associado à digestão, à imunidade, à inflamação e
à forma como cada pessoa responde à alimentação.
Segundo Bruna, alguns sinais indicam que uma
orientação genérica pode não estar respondendo às necessidades individuais do
organismo. Eles não fecham diagnóstico nem substituem avaliação profissional,
mas ajudam a entender quando é hora de investigar melhor.
- Seguir tudo corretamente e não ter resposta
O primeiro sinal é cumprir a orientação alimentar,
manter rotina de exercícios e ainda assim não observar melhora em energia,
digestão, composição corporal ou exames. “Muitas pessoas chegam achando que
falharam, quando, na verdade, talvez estejam seguindo uma estratégia que não
conversa com o próprio organismo”, diz a nutricionista.
- Viver ciclos de perda e reganho de peso
O chamado efeito sanfona costuma ser associado
apenas à falta de constância, mas pode envolver fome, sono ruim, estresse,
restrição excessiva, perda de massa muscular e adaptação metabólica. Para
Bruna, repetir a mesma estratégia depois de várias tentativas frustradas pode
aumentar a sensação de culpa e afastar a pessoa de uma investigação mais
precisa.
- Ter sintomas intestinais frequentes
Inchaço, gases, constipação ou diarreia recorrentes
não devem ser tratados como algo normal da rotina. Esses sintomas podem ter
diferentes causas e precisam ser avaliados com histórico clínico, hábitos
alimentares e, quando indicado, exames complementares. “O intestino dá sinais
importantes. O erro é tentar resolver tudo com cortes alimentares aleatórios ou
suplementos sem orientação”, afirma.
- Sentir muita fome ou queda de energia
Fome constante, compulsão por doces, cansaço depois
das refeições ou dificuldade de manter saciedade podem indicar que a dieta não
está ajustada à rotina, ao gasto energético, ao sono ou à resposta metabólica
da pessoa. Nesses casos, a avaliação individual ajuda a diferenciar
comportamento, restrição exagerada e necessidades nutricionais reais.
- Responder mal a estratégias populares
Jejum prolongado, dietas muito restritivas, cortes
radicais de carboidratos ou suplementação sem indicação individual podem
funcionar para algumas pessoas e piorar a rotina de outras. A saúde
personalizada não significa criar uma regra para cada detalhe, mas entender
quais condutas fazem sentido para aquele histórico.
- Ter exames alterados apesar das mudanças
Glicemia, colesterol, marcadores inflamatórios,
deficiências nutricionais e outros indicadores podem não melhorar apenas com
recomendações gerais. Quando isso acontece, o acompanhamento profissional ajuda
a cruzar dados, sintomas, alimentação, rotina e histórico familiar para evitar
uma leitura isolada dos resultados.
- Não conseguir manter resultados no longo prazo
A dificuldade de sustentar resultados também pode
indicar que o plano não cabe na vida real. “O dado sozinho não resolve. O que
faz diferença é transformar esse dado em uma conduta possível, considerando
contexto, rotina, preferências, histórico e comportamento”, afirma Bruna.
Na WeFit, o protocolo começa com testes feitos em
casa, incluindo genética e microbiota intestinal, e segue com interpretação
nutricional, plano individualizado, acompanhamento remoto com nutricionistas e
uso de tecnologia para monitorar a evolução. Quando necessário, os pacientes
são encaminhados para outras especialidades.
Para a diretora de Nutrição, o maior desafio do
setor será separar a personalização real da promessa simplificada. “Saúde
personalizada não é trocar uma dieta pronta por outra com aparência mais
tecnológica. É usar evidências, exames e acompanhamento profissional para
entender por que uma estratégia funciona para uma pessoa e não para outra”,
afirma.
Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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Fontes de Pesquisa:
Organização Mundial da Saúde
https://www.who.int/news/item/22-05-2026-world-health-assembly-endorses-resolution-on-precision-medicine
Fórum Econômico Mundial
https://www.weforum.org/stories/2025/10/asia-pacific-transform-medicine-economies/
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