CATI e IAC, órgãos da Secretaria de Agricultura de SP, disponibilizam variedades adaptadas que contribuem para reduzir riscos e aumentar a segurança da produção agrícola
No Dia do Agricultor, celebrado nesta terça-feira
(28), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA)
destaca a importância da inovação e da pesquisa para fortalecer a produção no
campo. Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, a exemplo dos
fenômenos associados ao El Niño, e da incidência de pragas, o uso de sementes e
mudas de cultivares resistentes tem sido estratégico para reduzir riscos e
garantir maior estabilidade à produção agrícola.
Os produtores paulistas contam com materiais desenvolvidos e
disponibilizados pela Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e pelo
Instituto Agronômico (IAC), órgãos vinculados à SAA. O produtor rural Luís
Bustos, de Tremembé, do Vale do Paraíba, utiliza há cerca de 10 anos a
variedade de milho AL Piratininga, fornecida pela CATI Sementes e Mudas.
Segundo ele, a cultivar apresentou bom desempenho mesmo em períodos de
estiagem.
"A Piratininga tem um preço acessível e é bem resistente.
Recentemente tivemos um período de seca e ajudou bastante. Eu indico para
vários amigos", afirma.
As variedades de milho disponibilizadas pela CATI possuem
polinização aberta e apresentam maior rusticidade em comparação aos híbridos
comerciais. Esse perfil permite melhor recuperação após ataques de pragas e
períodos de déficit hídrico, como os veranicos, reduzindo o risco de perdas nas
lavouras.
De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Alves dos Santos,
chefe da Divisão Laboratorial de Sementes e Mudas da CATI, esses materiais são
especialmente indicados para situações de maior vulnerabilidade no campo.
"São variedades com excelente desempenho produtivo e custo
acessível. Em áreas com maior risco, como plantios no final da época
recomendada ou em solos ainda em processo de correção, materiais mais rústicos
e tolerantes às adversidades climáticas tornam-se fundamentais para reduzir o
risco da atividade agrícola", explica.
Pesquisa
voltada à resiliência no campo
Ao longo de seus 139 anos de pesquisa agrícola ininterrupta, o
Instituto Agronômico (IAC) desenvolveu, até junho de 2026, 1.205 cultivares de
112 espécies vegetais. Os programas de melhoramento genético da instituição
disponibilizam materiais adaptados aos diferentes ambientes de produção, com
características como resistência a doenças e pragas, tolerância à seca e maior
produtividade. Entre os destaques estão cultivares de café resistentes à
ferrugem e ao nematoide, variedades de cana-de-açúcar adaptadas a diferentes
regiões, uvas mais tolerantes ao calor e ao déficit hídrico, além de materiais
para citros, feijão, amendoim e outras culturas estratégicas para a agricultura
brasileira.

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