O avanço da medicina permite identificar riscos
antes do surgimento dos sintomas, mas especialista alerta que esse cuidado
ainda não faz parte da rotina da maior parte da população
Hipertensão,
diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares raramente surgem de um dia para
o outro. Na maioria dos casos, essas condições se desenvolvem de forma
silenciosa ao longo dos anos. Ainda assim, grande parte dos brasileiros
continua procurando atendimento médico apenas quando o corpo começa a dar
sinais de que algo não vai bem. Em um momento em que o Ministério da Saúde
amplia o monitoramento dos fatores de risco por meio do Vigitel 2026,
especialistas defendem que o maior desafio deixou de ser apenas tratar doenças
e passou a ser incentivar mudanças de comportamento capazes de evitar o
agravamento de problemas de saúde.
Lucas Rezende, médico, fundador da ARC Health Place,
clínica especializada em medicina preventiva, saúde metabólica, longevidade e
medicina do estilo de vida, afirma que a informação nunca esteve tão acessível,
mas isso ainda não se refletiu em uma mudança consistente de hábitos.
"Hoje conhecemos muito mais sobre os fatores que aumentam o risco de
desenvolver doenças crônicas, mas ainda existe o hábito de procurar ajuda
apenas quando surgem sintomas. Quanto mais cedo identificamos alterações no
organismo, maiores são as chances de evitar complicações e preservar a qualidade
de vida", destaca.
Os riscos podem ser silenciosos
Em
maio deste ano, o Ministério da Saúde iniciou a edição 2026 do Vigitel,
principal levantamento nacional sobre fatores de risco para doenças crônicas.
Pela primeira vez, a pesquisa foi ampliada para municípios do interior e
regiões metropolitanas e acompanha indicadores relacionados à alimentação,
atividade física, obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo e consumo de
álcool. O objetivo é gerar informações que orientem políticas públicas voltadas
à promoção da saúde e à redução das doenças crônicas.
Segundo
Lucas Rezende, um dos maiores equívocos é acreditar que a ausência de sintomas
significa ausência de problemas."Pressão alta, resistência à insulina,
colesterol elevado e outras alterações metabólicas podem permanecer silenciosas
durante anos. Quando essas condições são descobertas precocemente, existe uma
oportunidade muito maior de impedir sua evolução e reduzir impactos na saúde ao
longo da vida", explica.
O
especialista ressalta que esse acompanhamento vai além da realização de exames
periódicos. Histórico familiar, qualidade do sono, alimentação, atividade
física, composição corporal e saúde metabólica também precisam ser considerados
para compreender o risco individual de cada paciente.
A velhice começa décadas antes
O
aumento da expectativa de vida trouxe um novo desafio para pacientes e
profissionais da saúde. Mais do que viver por mais tempo, cresce a preocupação
em chegar ao envelhecimento com autonomia, disposição e boa capacidade física e
cognitiva.
Para
Lucas Rezende, esse processo começa muito antes da terceira
idade."Envelhecer bem não depende apenas da genética. As escolhas feitas
aos 30, 40 ou 50 anos influenciam diretamente como cada pessoa chegará às
décadas seguintes. Alimentação equilibrada, atividade física, sono de
qualidade, controle do estresse e acompanhamento médico regular produzem
efeitos que se acumulam ao longo da vida", afirma.
O
médico destaca que mudanças graduais costumam ser mais eficazes do que intervenções
iniciadas apenas após o diagnóstico de uma doença.
Quando a longevidade ganha espaço
A
discussão sobre envelhecimento saudável também começa a ganhar mais espaço fora
dos consultórios. Em março de 2026, a apresentadora Ana Maria Braga revelou,
durante o programa Mais Você,
que mudou seus hábitos com o objetivo de "viver até os 110 anos". A
declaração chamou atenção por associar longevidade à adoção de um estilo de
vida mais saudável e ao acompanhamento contínuo da saúde, mostrando uma mudança
de comportamento que especialistas consideram cada vez mais importante.
Para
Lucas Rezende, exemplos como esse ajudam a ampliar a conscientização sobre a
necessidade de cuidar da saúde antes que os primeiros problemas apareçam.
"A medicina evoluiu muito na capacidade de tratar doenças. Agora
precisamos evoluir na forma como utilizamos esse conhecimento. O maior
benefício acontece quando conseguimos identificar riscos cedo, orientar
mudanças de hábitos e evitar que essas doenças se desenvolvam. Cuidar da saúde
precisa deixar de ser uma resposta ao diagnóstico e passar a fazer parte da
rotina", conclui.
Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e longevidade. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas. Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
Para mais informações, acesse o Instagram ou Linkedln.
ARC Health Place
@arc.healthplace
Fontes de Pesquisa
Ministério da Saúde | Vigitel 2026
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/ministerio-da-saude-inicia-o-vigitel-2026-e-amplia-pesquisa-sobre-fatores-de-risco-para-doencas-cronicas
Gshow | Ana Maria Braga diz que mudou hábitos para viver até os 110 anos
https://gshow.globo.com/tv/mais-voce/noticia/ana-maria-braga-conta-que-mudou-habitos-para-viver-ate-os-110-anos-vao-ter-que-me-aguentar.ghtml
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