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Relatório da OMS aponta desigualdade no diagnóstico do câncer no mundo
Uma em cada cinco pessoa desenvolverá câncer ao longo da vida. E, segundo o novo Relatório Global sobre Câncer, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2026, o impacto da doença vai muito além de quem recebe o diagnóstico: 92% da população mundial será afetada, direta ou indiretamente, pelo câncer ao menos uma vez na vida, seja como paciente, cuidador ou familiar de alguém em tratamento até 2050. Em 2024, cerca de 20,6 milhões de pessoas foram diagnosticadas com câncer no mundo. A projeção da OMS é de que esse número chegue a 35 milhões de novos casos por ano até 2050, representando um crescimento de 66,7% na incidência global, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e por fatores de risco ainda pouco enfrentados, como tabaco, álcool, obesidade e infecções.
Desigualdade que decide quem sobrevive
O relatório expõe um abismo global: a sobrevivência ao câncer chega a 85% em
países de alta renda, mas cai para menos de 45% em países de baixa renda. Hoje,
47% da população mundial tem pouco ou nenhum acesso a serviços básicos de
diagnóstico, e apenas 28% dos países incluem um pacote mínimo de tratamento
oncológico em seus sistemas de cobertura universal de saúde.
A OMS também chama atenção para o peso financeiro da doença, metade das
famílias em países de baixa e média renda enfrenta despesas catastróficas ou
abandona o tratamento por causa dos custos. Globalmente, os cuidados com câncer
custaram US$ 209 bilhões em 2020 e continuam crescendo. Já o acesso a cuidados
paliativos segue extremamente limitados, apenas 14% das necessidades são
atendidas no mundo.
O retrato do câncer no Brasil
No Brasil, os números também exigem atenção. Segundo a Estimativa 2026–2028 do
Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada em fevereiro, o país deve
registrar 781 mil novos casos de câncer por ano, um crescimento de 10,9% em
relação ao triênio anterior (2023–2025, quando a projeção era de 704 mil
casos/ano). Excluindo os tumores de pele não melanoma, de alta incidência mas
baixa letalidade, a estimativa é de 518 mil casos anuais.
Entre os homens, os tipos mais incidentes são próstata, colorretal, pulmão,
estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, mama, colorretal, colo do útero,
pulmão e tireoide lideram o ranking. O câncer de mama, especificamente, foi
responsável por mais de 248 mil óbitos no Brasil entre 2010 e 2024. Já o câncer
de colo do útero, doença amplamente evitável por vacinação e rastreamento,
causou 92.182 mortes no mesmo período, mais de 7,2 mil vidas perdidas por ano,
e deve somar 19,3 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, alta de 13%.
O acesso ao rastreamento ainda é desigual e a cobertura estimada para o exame
de colo do útero no Brasil é de apenas 35,6%. Do lado positivo, o Ministério da
Saúde ampliou o acesso à mamografia pelo SUS, passando a oferecer o exame para
mulheres de 40 a 74 anos (antes, de 50 a 69), o sistema público realizou cerca
de 3 milhões de mamografias de rastreamento em 2025.
Prevenção: a ferramenta mais poderosa que temos
Apesar do cenário desafiador, o relatório da OMS reforça uma mensagem de
esperança. Quase 40% dos novos casos de câncer podem ser evitados, reduzindo a
exposição a fatores de risco já conhecidos como, tabaco, álcool, obesidade,
infecções (como HPV e hepatites) e exposições ambientais e ocupacionais.
O tabaco, sozinho, ainda responde por 15% dos casos de câncer no mundo, embora
sua prevalência global tenha caído para 19,5% em 2024.
Investir em prevenção também compensa financeiramente e cada dólar investido em
prevenção ao câncer gera um retorno social estimado em US$ 9,50, segundo a OMS,
ao reduzir custos de tratamento e perdas de produtividade.
O que o Instituto Lado a Lado pela Vida está fazendo
É diante desse cenário que o Instituto Lado a Lado pela Vida atua, mobilizando
a sociedade civil e gestores de saúde para ampliar o acesso à prevenção, ao
diagnóstico precoce e ao tratamento do câncer em todas as fases da vida. Por
meio de campanhas como Mulher por Inteiro, Novembro Azul, Respire Agosto, o
Instituto leva informação a todos, e trabalha para que o direito à saúde digna
chegue também às regiões e populações historicamente mais distantes do cuidado.
Os dados da OMS e do INCA não são apenas estatísticas, são um retrato de
milhões de brasileiros que, direta ou indiretamente, terão o câncer em suas
vidas. E reforçam por que prevenção, informação e acesso à saúde precisam
continuar no centro da conversa.
Como você pode ajudar
Este conteúdo faz parte de uma série que o Instituto Lado a Lado pela Vida
preparou sobre o Relatório Global de Câncer da OMS:
- Siga o nosso Instagram (@instituto
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relatório.
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pela Vida e saiba como apoiar.
Instituto Lado a Lado pela Vida
Fonte: Organização Mundial da Saúde
(OMS). Relatório Global sobre Câncer 2026:
who.int/publications/i/item/9789240123977 - Instituto Nacional de
Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil

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