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Além dos conteúdos e disciplinas tradicionais, o
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também cobra dos candidatos conhecimentos
sobre atualidades e assuntos que impactam a sociedade, sejam fatos acontecidos
no Brasil ou no exterior. Por isso, para garantir uma boa nota na prova, é
fundamental ficar por dentro do noticiário.
"As atualidades não costumam aparecer no Enem como perguntas
sobre datas, nomes ou acontecimentos isolados. Normalmente, elas são utilizadas
como contexto para discutir temas mais amplos, relacionados à cidadania, meio
ambiente, direitos humanos, ciência ou transformações sociais", explica João Gabriel Pelegrini, professor de Filosofia e
Sociologia do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP).
Segundo Pelegrini, o exame
valoriza a capacidade do estudante de relacionar fatos recentes a conteúdos
trabalhados ao longo da educação básica. "Uma notícia sobre imigração, por
exemplo, pode servir de base para uma questão sobre globalização; enquanto um
evento climático extremo pode ser associado a conceitos de geografia,
sustentabilidade e políticas públicas. É
importante que o estudante compreenda que temas de diversas áreas são, em
última instância, relevantes porque determinam o modo como vivemos em sociedade
e o ENEM espera essa forma de compreensão dos estudantes."
Para acompanhar as atualidades de forma
eficiente, o ideal é desenvolver o hábito de consumir informações de fontes
confiáveis e diversificadas. “Não é necessário passar horas por dia lendo
notícias. O mais importante é manter uma rotina consistente de acompanhamento
dos principais acontecimentos e procurar entender suas causas e consequências”,
orienta Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do currículo
brasileiro do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).
Ele recomenda que os estudantes criem resumos temáticos e
estabeleçam conexões entre os fatos e os conteúdos das disciplinas. “Quando o
aluno relaciona uma notícia ao que aprende em sala de aula, a compreensão se
torna muito mais profunda e duradoura.”
Além disso, o docente do BIS destaca que a construção de
repertório sociocultural é fundamental para ampliar a visão de mundo dos
estudantes. Segundo ele, ter vivências, participar de projetos sociais,
acompanhar palestras, visitar exposições e se envolver em diferentes ações
culturais e formativas são práticas que contribuem diretamente para a formação
crítica dos alunos. “Essas experiências ajudam a enriquecer argumentos, ampliar
referências e estabelecer relações mais consistentes entre os temas da
atualidade e os conteúdos escolares”, destaca.
Na hora do exame, a principal recomendação é ler atentamente os textos de apoio e identificar qual habilidade está sendo avaliada. "Muitos candidatos erram uma questão por tentar responder apenas com base em conhecimentos prévios sobre o assunto, sem considerar as informações apresentadas no enunciado", alerta Paulo Rogério Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
Segundo Rodrigues, um dos principais diferenciais do Enem é
justamente a forma como os conteúdos são contextualizados. "As questões
exigem interpretação, análise crítica e capacidade de estabelecer relações
entre diferentes áreas do conhecimento. Mesmo quando o tema é conhecido, é
fundamental observar o recorte proposto pela banca, identificar as evidências
presentes nos textos de apoio e eliminar alternativas que apresentem
generalizações, preconceitos ou conclusões incompatíveis com as informações
fornecidas."
O docente da Aubrick também destaca que o estudante não precisa
ser especialista em todos os acontecimentos recentes. "O mais importante é
desenvolver repertório, acompanhar diferentes fontes de informação e
compreender como esses acontecimentos dialogam com questões sociais,
econômicas, ambientais, políticas e culturais. O Enem costuma privilegiar a
capacidade de reflexão muito mais do que a simples memorização de fatos",
diz.
Além das questões objetivas, acompanhar as atualidades também pode
fazer diferença no desempenho da redação. "Ter repertório atualizado ajuda
o estudante a construir argumentos mais consistentes e demonstrar domínio sobre
problemas contemporâneos que afetam a sociedade", afirma Peter Rifaat,
coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP).
Segundo Rifaat, temas relacionados a tecnologia, saúde, educação,
meio ambiente e direitos humanos frequentemente aparecem nos debates públicos e
podem servir de referência para diferentes propostas de dissertação. "Quem
acompanha as notícias com senso crítico amplia sua capacidade de contextualizar
ideias, apresentar exemplos relevantes e propor soluções mais bem
fundamentadas."
Confira alguns temas que podem aparecer na edição de 2026 do
Enem
Os educadores da Aubrick, BIS, EIA e Progresso listam, a seguir,
quais assuntos podem ser abordados na prova deste ano. A lista foi elaborada
com base em acontecimentos ocorridos até o primeiro semestre do ano, período
que costuma ser considerado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP) na confecção das questões das provas,
tradicionalmente aplicadas em novembro de cada ano.
MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE
El Niño confirmado como muito forte em 2026: a confirmação do fenômeno climático
intenso do El Niño reacendeu debates sobre eventos climáticos extremos, como
secas, enchentes e ondas de calor. O fenômeno impacta a agricultura, o
abastecimento de água, a economia e questões sociais como o acesso à moradia
segura, por exemplo, além de estar diretamente relacionado às discussões sobre
mudanças climáticas.
2025 foi o terceiro ano mais quente da história: o registro de mais um ano entre os
mais quentes já medidos reforça os alertas da comunidade científica sobre o aquecimento
global. O tema envolve impactos ambientais, sociais e econômicos, além dos
desafios para a adaptação das cidades e da produção de alimentos.
Terras raras e a disputa por recursos estratégicos: embora pouco conhecidas pelo público,
as chamadas terras raras são minerais essenciais para a fabricação de
celulares, baterias, veículos elétricos, painéis solares e equipamentos de alta
tecnologia. A crescente demanda por esses recursos tem ampliado a competição
entre países pela exploração e controle de reservas, tornando o tema
estratégico para debates sobre transição energética, desenvolvimento
tecnológico, sustentabilidade e geopolítica.
GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Política de imigração americana e a atuação do ICE: as medidas de controle migratório
adotadas pelos Estados Unidos voltaram ao centro do debate internacional. O
assunto permite discutir direitos humanos, deslocamentos populacionais,
desigualdades econômicas e os desafios enfrentados por imigrantes em todo o
mundo.
Guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel: as tensões entre os países reacenderam
preocupações sobre estabilidade geopolítica e segurança internacional. O
conflito permite abordar relações diplomáticas, disputas estratégicas e
impactos globais na economia e na energia.
Captura de Nicolás Maduro pelos EUA: a influência americana na Venezuela
ampliou discussões sobre soberania nacional, diplomacia e relações
internacionais. O caso também levanta reflexões sobre democracia, sanções
econômicas e geopolítica regional.
Disputa geopolítica entre Estados Unidos e China: rivalidade das nações continua
moldando a economia e a política internacional, envolvendo embates comerciais,
avanços tecnológicos, influência diplomática e questões de segurança. A competição
entre as duas maiores potências do mundo tem impactos diretos sobre mercados,
cadeias produtivas e relações entre países, tornando-se um tema relevante para
discutir globalização, geopolítica e a reorganização da ordem mundial no século
XXI.
Disputas religiosas e conflitos na sociedade contemporânea: as disputas religiosas continuam
influenciando conflitos e tensões em diferentes regiões do mundo, seja por
divergências históricas, questões territoriais ou disputas de poder político. O
tema permite refletir sobre liberdade de crença, intolerância religiosa,
diversidade cultural e os desafios da convivência entre diferentes grupos em
sociedades cada vez mais plurais e conectadas.
SOCIEDADE, DIREITOS HUMANOS E
COMPORTAMENTO
Queda de patrocínio na Parada do Orgulho de SP e agenda
anti-woke: o
recuo de algumas empresas em ações ligadas à diversidade gerou debates sobre
responsabilidade social corporativa e mudanças culturais. O tema dialoga com
inclusão, direitos civis, liberdade de expressão e participação das empresas em
pautas sociais.
Aumento dos casos de feminicídio e projetos de lei contra a
misoginia: o
avanço das discussões sobre violência de gênero reforça a necessidade de
políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. O tema envolve direitos
humanos, igualdade de gênero, segurança pública e educação para o combate à
violência.
Novo ECA Digital: as discussões sobre proteção de crianças e adolescentes no
ambiente virtual refletem preocupações com privacidade, segurança e uso das redes
sociais. O assunto conecta cidadania digital, educação e direitos da infância.
Os impactos das disputas de valores na juventude: pesquisas recentes apontam mudanças no
posicionamento político de parte da juventude em diferentes países. O fenômeno
abre espaço para discussões sobre comportamento social, formação de valores,
participação política e influência das redes sociais.
TRABALHO, ECONOMIA E TECNOLOGIA
Fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil: o debate sobre a redução da jornada de
trabalho ganhou força no País, mobilizando trabalhadores, empresas e a classe
política. A discussão envolve qualidade de vida, saúde mental, produtividade e
a modificação dos direitos trabalhistas.
Inteligência artificial, profissões e futuro do trabalho: os investimentos em inteligência
artificial aceleraram transformações no mercado de trabalho e levantaram
questionamentos sobre automação, mão de obra, empregabilidade e substituição de
trabalhadores por máquinas. O tema também envolve ética digital, inovação
tecnológica, novas formas de trabalho e qualificação profissional.
O primeiro trilionário do mundo: a fortuna sem precedentes do
empresário Elon Musk reacendeu debates sobre concentração de riqueza e
desigualdade econômica. O tema permite analisar os impactos do capitalismo, das
grandes empresas de tecnologia e da distribuição de renda.
Regulação trabalhista e o trabalho por aplicativos: o crescimento das plataformas digitais
ampliou o debate sobre direitos e deveres de trabalhadores e empresas. O tema
envolve relações de trabalho, proteção social, inovação tecnológica e novas
formas de emprego.
CIÊNCIA, SAÚDE E INOVAÇÃO
Vacinação no Brasil, dengue e movimentos antivacina: os desafios enfrentados pelas
campanhas de imunização reacenderam debates sobre saúde pública e combate à
desinformação. O tema destaca o perigo das fake news, a importância da ciência,
das políticas de prevenção e da confiança da população nas vacinas.
A ciência brasileira e a polilaminina: a descoberta da proteína trouxe novos
avanços para os estudos sobre regeneração de tecidos e tratamentos de doenças
neuromusculares. Os resultados reforçam a importância da pesquisa científica
para o desenvolvimento de terapias inovadoras e colocam o Brasil em destaque no
cenário internacional. O tema permite discutir investimento em pesquisa,
inovação tecnológica e o papel da ciência na melhoria da qualidade de vida da
população.
Retorno do homem à Lua: a missão Artemis marca uma nova etapa
da exploração espacial e pode levar seres humanos novamente à superfície lunar
após mais de meio século. O projeto envolve avanços tecnológicos, cooperação
internacional e produção de conhecimento científico.
ESPORTE, CULTURA E GLOBALIZAÇÃO
Copa do Mundo pela primeira vez em três países: a edição de 2026, realizada
simultaneamente por Canadá, Estados Unidos e México, é um marco na história da
competição. O evento evidencia os processos de globalização, cooperação internacional
e os impactos econômicos e culturais do esporte.
Henrique Barreto Andrade Dias - licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
João Gabriel Pelegrini - professor e pesquisador na área de Sociologia há mais de uma década é Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (2023); Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (2017) e graduado Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2011). Em sua pesquisa, tem se dedicado aos seguintes temas: o desenvolvimento da teoria social clássica ao ser revisitada por problemas sociológicos contemporâneos; a análise das determinações da desigualdade social e das relações de trabalho, sobretudo no que se refere a introdução das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na mediação de processos de trabalho, as novas formas de gestão e organização do trabalho.
Paulo Rogerio Rodrigues - psicólogo, licenciado em Letras (Português e Inglês) e coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Possui ampla trajetória na Educação Básica, com atuação voltada à gestão pedagógica e educacional, da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental II. É pós-graduado com MBA em Gestão Escolar e possui especializações em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia, áreas que fundamentam sua prática na formação integral dos estudantes e no desenvolvimento de equipes educacionais.
Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 20 anos de experiência em educação internacional e bilíngue, com estudos em Ciências Comportamentais, liderança e desenvolvimento humano. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Universidade de Cambridge), além de diversas certificações do International Baccalaureate (IB). Atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de IBDP Theory of Knowledge (TOK) e membro da equipe de Orientação Universitária e de Carreira (Future Pathways), com foco no desenvolvimento acadêmico, socioemocional e vocacional dos estudantes.
International Schools Partnership - ISP
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