Com recorde de
lançamentos imobiliários no Brasil, condomínios enfrentam alta nos custos de
operação, impulsionada por despesas com pessoal, manutenção, energia, segurança
e modernização dos empreendimentos
O aquecimento do mercado imobiliário brasileiro tem ampliado o
número de pessoas que vivem em condomínios, mas também traz um desafio
crescente para moradores: o aumento das taxas condominiais. Depois de um 2025
marcado por reajustes acima da inflação em diversas regiões do país, a
expectativa é de que essa pressão continue ao longo de 2026, impulsionada pelo
avanço dos custos operacionais e pelos investimentos necessários na modernização
dos empreendimentos.
Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira
da Indústria da Construção (CBIC), o mercado imobiliário encerrou 2025 com
453.005 unidades residenciais lançadas, crescimento de 10,6% em relação ao ano
anterior e recorde histórico da série, que acompanha 221 municípios
brasileiros, incluindo todas as capitais e as principais regiões
metropolitanas. Para 2026, a entidade projeta a continuidade desse ritmo de
expansão, sustentado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida e pela
ampliação do crédito habitacional.
Esse crescimento também amplia os desafios da gestão condominial.
Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, o Índice de Custos
Condominiais (ICON), elaborado pelo Departamento de Economia do Secovi-SP,
registrou alta de 5,29% nos custos dos condomínios em 2025, acima da inflação
oficial medida pelo IPCA. Entre os principais fatores estão o aumento de 7,24%
nas despesas com pessoal e encargos trabalhistas e de 6,45% nas tarifas
públicas, como água, energia e gás. "Embora o ICON não reflita do modo
automático o reajuste das taxas condominiais, já que cada empreendimento possui
uma estrutura de custos diferente, ele evidencia a pressão crescente sobre a
gestão financeira dos condomínios e seus reflexos no orçamento das
famílias", afirma Sarah Castro, diretora comercial do Cerus.
Segundo a executiva do Cerus, a alta das taxas é consequência de
uma mudança estrutural nos custos de operação dos empreendimentos. "Os
condomínios vêm enfrentando aumento praticamente em todas as suas despesas,
como folha de pagamento, encargos trabalhistas, contratos de manutenção,
energia elétrica, água, seguros e segurança patrimonial. Paralelamente, cresce
a necessidade de investimentos em tecnologia, controle de acesso, monitoramento
eletrônico e modernização da infraestrutura, impulsionados por uma sociedade
cada vez mais digital e preocupada com segurança", detalha Sarah.
Outro fator relevante é o envelhecimento do parque imobiliário
brasileiro. Grande parte dos condomínios foi construída há mais de duas décadas
e hoje exige investimentos em manutenção preventiva, recuperação estrutural e
modernização de elevadores, sistemas elétricos, hidráulicos e equipamentos de
segurança. “Adiar essas intervenções tende a elevar ainda mais os custos no
futuro”, diz Sarah. Ela ressalta que reajustes acima da inflação não
significam, necessariamente, má gestão. "O condomínio funciona como uma
administração coletiva. Quando as despesas aumentam, o orçamento precisa ser
reequilibrado. O fundamental é que esse processo ocorra com transparência,
planejamento e aprovação das contas em assembleia", enfatiza a diretora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário