Transformar os novos medicamentos em vilões seria tão equivocado quanto tratá-los como soluções mágicas.
Essas terapias podem proporcionar benefícios que ultrapassam
a estética. No estudo SELECT, com mais de 17 mil participantes com sobrepeso ou
obesidade, doença cardiovascular estabelecida e sem diabetes, a semaglutida
reduziu em 20% o risco combinado de morte cardiovascular, infarto não fatal ou
acidente vascular cerebral não fatal.
O dado mostra que tratar a obesidade pode mudar desfechos
relevantes de saúde e não apenas o manequim. O problema aparece quando uma
ferramenta médica potente é inserida em um tratamento pobre: sem diagnóstico
adequado, sem avaliação de composição corporal, sem acompanhamento nutricional,
sem exercício e sem planejamento de manutenção.
A pessoa recebe a medicação, perde o apetite, come cada vez
menos, vê o peso cair e acredita que o processo está concluído.
Mas a obesidade é uma doença crônica, complexa e com
tendência à recorrência. Em muitos pacientes, interromper o tratamento sem uma
estratégia adequada pode ser seguido pela recuperação de parte do peso.Isso não
significa que toda pessoa deverá usar a mesma medicação para sempre. Significa
que a suspensão, a manutenção ou a troca do tratamento não deveriam ser
decisões improvisadas.
Recuperar peso após interromper uma terapia não é
necessariamente uma falha moral do paciente. Pode refletir a própria biologia
de uma doença que interfere na fome, na saciedade, no gasto energético e nos
mecanismos de defesa do peso corporal.
Para Dr. Gustavo de Oliveira Lima, o tratamento deve ser planejado
desde o início para proteger o paciente durante a perda de peso. Isso inclui
avaliação clínica, investigação de alterações metabólicas, consumo adequado de
proteínas e micronutrientes, treinamento de força, atividade física compatível
com a condição individual, sono e acompanhamento da evolução corporal.
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