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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Raios solares podem causar câncer?

Com a chegada do Dezembro Laranja, especialista esclarece mitos acerca do câncer de pele

 

O calor do verão brasileiro se aproxima, e com ele, o convite à praia, à piscina e ao sol torna-se quase uma tradição. Em meio a este cenário, o Dezembro Laranja surge como um chamado à reflexão. Mais que uma campanha, é um alerta, já que o câncer de pele é um dos tipos mais frequentes no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 185 mil novos casos são diagnosticados no país anualmente.

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de pele se manifesta em dois grandes grupos: melanoma e não melanoma. O primeiro representa uma pequena parcela (cerca de 4%), mas é o mais agressivo e com maior potencial de metástase. Já o câncer de pele não melanoma, responsável por 30% de todas as neoplasias malignas registradas, apresenta alto índice de cura, desde que identificado precocemente. E essa é a chave: diagnóstico precoce. "A pele é o nosso escudo de vida e, ainda assim, tratamos sua proteção como se fosse opcional. A exposição ao sol não é inofensiva. Ela deixa marcas, mesmo quando não percebemos", explica Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, rede especializada no desenvolvimento de produtos hipoalergênicos.

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que o sol de todos os dias e não apenas aquele queimado da praia, também contribui para o dano cumulativo na pele. O câncer de pele avança quando as células alteradas pelo sol começam a se reproduzir descontroladamente. A negligência à proteção adequada, associada à desinformação, é a maior inimiga da prevenção. “Ainda existe quem diga ‘não preciso de protetor, tenho pele morena’. A melanina protege, sim, mas não imuniza. Nenhum tipo de pele está a salvo dos efeitos nocivos da radiação UV”, destaca Julinha.

 

Mitos sobre o diagnóstico

Um dos mitos mais resistentes é acreditar que o câncer de pele só aparece em pessoas que abusam do sol. Essa crença ignora o fator cumulativo da radiação, em que pequenas exposições ao longo da vida (caminhando até o ponto de ônibus, dirigindo com o braço para fora da janela) constituem uma carga significativa. “O sol do cotidiano também queima, mesmo sem vermelhidão aparente. O dano está lá, em silêncio”, afirma Lazaretti, reforçando que a radiação UVA penetra profundamente na pele e está diretamente associada à formação de tumores.

Outro engano comum é achar que lugares cobertos estão livres de riscos. Os raios UVA atravessam nuvens, vidros e roupas finas, exigindo medidas preventivas contínuas. Ainda há quem acredite que lesões só são preocupantes se doem ou sangram, quando, na verdade, mudanças de cor, forma e textura são sinais de alerta igualmente importantes. A automonitorização e o diagnóstico clínico são aliados essenciais na detecção precoce.

Embora o diagnóstico de câncer de pele possa causar apreensão, há boas razões para manter a esperança. Com a detecção precoce, as chances de sucesso do tratamento são elevadas, muitas vezes superiores a 90%, conforme atesta o Ministério da Saúde. A abordagem terapêutica depende do tipo de tumor e do estágio em que ele se encontra. Lesões superficiais podem ser tratadas com procedimentos como curetagem, crioterapia ou laser — métodos rápidos e, em muitos casos, minimamente invasivos. Já tumores mais agressivos ou avançados podem exigir cirurgia mais extensa, com reconstrução da pele, ou ainda tratamentos complementares como radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia.

Mas, conforme explica Julinha, o melhor tratamento ainda é a prevenção. “Tratar o câncer de pele é possível, mas prevenir é incomparavelmente mais simples e menos doloroso. Ninguém deve depender da sorte quando o cuidado está ao alcance das mãos”, alerta.

A prevenção do câncer de pele não se limita ao uso de protetor solar — envolve um conjunto de práticas cotidianas que precisam ser adotadas de forma contínua e integrada. A proteção começa com a escolha de filtros solares adequados, de preferência com FPS superior a 30, ampla cobertura UVA e UVB, e reaplicação regular, especialmente após exposição intensa ou contato com água. Produtos enriquecidos com antioxidantes como Vitamina E são aliados importantes, pois atuam combatendo os radicais livres que danificam as células da pele.

Entretanto, o protetor solar deve ser visto como parte de um sistema de defesa. Roupas com proteção UV, chapéus de aba larga e óculos com filtros especiais ajudam a preservar áreas sensíveis como rosto, pescoço, orelhas e olhos. O uso de acessórios como sombrinhas e tendas em praias e parques também corrobora com a criação de barreiras físicas contra os raios solares, que são especialmente perigosos entre 10h e 16h.

Julinha reforça que a prevenção não é apenas uma questão estética ou de vaidade, mas de saúde pública. “A pele tem memória. Não é exagero dizer que cada dia de cuidado é uma vida saudável sendo construída para o futuro.” A especialista também chama atenção para o autoconhecimento da pele, que inclui observar alterações em pintas, manchas e lesões, e procurar avaliação dermatológica regularmente.

Vale ressaltar que a educação sobre o tema deve ser incentivada desde cedo. Ensinar crianças e adolescentes sobre a importância da proteção solar e do respeito aos horários de maior incidência de radiação é uma forma de prevenir não apenas o câncer, mas um ciclo de enfermidades associadas ao envelhecimento precoce e aos danos cutâneos cumulativos.

 


Alergoshop
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