Psicóloga
e doutora pela PUC-SP, Blenda Oliveira explica como a solidão pode se
manifestar de forma discreta e destaca a importância de reconhecer esses sinais
antes que eles afetem a saúde emocional
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A solidão tem sido reconhecida como um dos
principais desafios de saúde pública da atualidade. Em junho de 2025, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou o primeiro relatório da Comissão
sobre Conexão Social, apontando que uma em cada seis pessoas no mundo vive em
situação de solidão. O documento também estima que a solidão esteja associada a
cerca de 871 mil mortes por ano, o equivalente a aproximadamente 100 mortes por
hora, além de aumentar o risco de depressão, ansiedade, doenças
cardiovasculares e outras condições que comprometem a saúde física e
mentail.
Embora muitas pessoas associem a solidão ao
fato de estar fisicamente sozinha, essa experiência é muito mais complexa e,
muitas vezes, silenciosa. É possível conviver diariamente com familiares,
colegas de trabalho e amigos e, ainda assim, sentir que falta uma conexão
verdadeira. Por isso, a solidão emocional costuma passar despercebida, tanto
por quem a vivencia quanto por quem está ao seu redor.
Segundo a psicóloga Blenda Oliveira, doutora
pela PUC-SP, a solidão é uma experiência subjetiva e está relacionada à
qualidade das relações. "A solidão não é medida pela quantidade de pessoas
ao nosso redor, mas pela sensação de pertencimento e de ser compreendido. É
possível estar em ambientes cheios e, ainda assim, experimentar uma profunda
desconexão emocional."
Um dos sinais mais silenciosos é a perda da
vontade de compartilhar acontecimentos do dia a dia. Aos poucos, a pessoa deixa
de contar suas conquistas, preocupações ou dificuldades porque sente que não
encontrará acolhimento ou compreensão. "Quando alguém passa a guardar tudo
para si, isso pode indicar que suas relações deixaram de ser percebidas como um
espaço seguro para expressar emoções", explica a especialista.
Outro comportamento frequente é manter uma
rotina constantemente ocupada. Trabalho, estudos, compromissos e redes sociais
ocupam praticamente todo o tempo, mas, quando surgem momentos de silêncio,
aparece uma sensação persistente de vazio. "Muitas vezes, a rotina intensa
funciona como uma forma de evitar o contato com sentimentos difíceis. No
entanto, quando a pessoa desacelera, a sensação de desconexão costuma ficar
mais evidente", afirma Blenda Oliveira.
Também merece atenção a sensação de não ser
verdadeiramente compreendido, mesmo estando cercado de pessoas. A participação
em encontros sociais e a convivência diária não garantem, necessariamente,
vínculos significativos. "O ser humano precisa sentir que pode ser
autêntico em suas relações. Quando existe a impressão de que é preciso esconder
emoções ou desempenhar um papel o tempo todo, a solidão emocional tende a se
fortalecer", destaca.
Para a psicóloga, reconhecer esses sinais é o primeiro passo para fortalecer os vínculos e cuidar da saúde mental. "A solidão não deve ser encarada como uma falha pessoal, mas como uma experiência humana que merece atenção. Falar sobre esse sentimento, investir em relações genuínas e buscar ajuda psicológica quando necessário são caminhos importantes para reconstruir o sentimento de pertencimento e bem-estar."
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