Tecnologias de monitoramento e recirculação ajudam a reduzir a captação de água, evitar perdas nos processos e tornar as operações mais resilientes aos períodos de escassez.
Dados
divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que os
índices de reciclagem e recirculação de água variam conforme o tipo de operação
mineral. Em levantamento publicado pela entidade, o percentual chegava a 90% na
produção de minério de ferro, 95% no carvão mineral, 81% no ouro e 70% no
caulim. Entre minas exploradas por grandes empresas brasileiras, a média de
recirculação registrada era de aproximadamente 80%.
O
avanço é impulsionado por sistemas de recirculação, monitoramento em tempo real
e circuitos fechados, que reduzem a necessidade de captar água nova, inclusive
em regiões onde a disputa pelos recursos hídricos com a agricultura e o
abastecimento urbano se tornou mais acirrada.
Para
engenheiros que atuam na área, a mudança reflete uma transformação de
mentalidade dentro das mineradoras. Durante muitos anos, a água foi tratada
como um insumo de baixo custo e fácil reposição. Esse cenário mudou com o
agravamento dos períodos de estiagem e o aumento das exigências dos órgãos
ambientais nos processos de licenciamento.
“Não
se trata mais apenas de uma escolha, mas de uma condição importante para a
continuidade das operações. Empreendimentos que não investem em
reaproveitamento ficam mais vulneráveis, especialmente em bacias com menor
disponibilidade hídrica”, afirma a Associação dos Engenheiros de Minas do
Estado de Minas Gerais (ASSEMG).
Segundo
a entidade, o uso de sensores para acompanhar o volume, a qualidade e o destino
da água ao longo do processo produtivo permite identificar perdas que antes
poderiam passar despercebidas, como vazamentos em tubulações e níveis elevados
de evaporação. Com esses dados, torna-se possível redesenhar etapas da operação
e ampliar o fechamento do ciclo da água dentro da própria planta.
“Cada
metro cúbico que deixa de ser captado representa um volume a menos disputado
com quem vive no entorno da mina. Isso influencia a relação da empresa com as
comunidades, os órgãos reguladores e o território onde a operação está
instalada”, diz a associação.
O tema
ganha ainda mais relevância durante períodos de escassez hídrica. Para o grupo
de profissionais, esse tipo de situação demonstra que a resiliência operacional
está diretamente ligada à eficiência no uso da água, e não apenas ao
cumprimento de metas ambientais.
“Uma empresa
que depende exclusivamente da captação externa está mais vulnerável. Quem
consegue recircular grande parte da água utilizada possui melhores condições
para manter a operação mesmo em um período de poucas chuvas”, pondera a
entidade.
Além
do ganho ambiental, a associação destaca o impacto econômico da prática. O
tratamento e o transporte da água consomem energia e recursos. Dessa forma, a
redução da captação e das perdas podem diminuir custos operacionais ao longo do
tempo e contribuir para demonstrar a viabilidade ambiental do empreendimento.
“O engenheiro que domina esse tipo de solução possui um diferencial claro no mercado. A gestão da água deixou de ser apenas um detalhe técnico e passou a fazer parte da estratégia das mineradoras”, conclui a associação.
Fonte: ASSEMG — Associação dos Engenheiros de Minas do Estado de Minas Gerais.
Instagram: @assemg_
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