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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Reuso de água ganha espaço como estratégia de segurança hídrica na mineração

Tecnologias de monitoramento e recirculação ajudam a reduzir a captação de água, evitar perdas nos processos e tornar as operações mais resilientes aos períodos de escassez.

 

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que os índices de reciclagem e recirculação de água variam conforme o tipo de operação mineral. Em levantamento publicado pela entidade, o percentual chegava a 90% na produção de minério de ferro, 95% no carvão mineral, 81% no ouro e 70% no caulim. Entre minas exploradas por grandes empresas brasileiras, a média de recirculação registrada era de aproximadamente 80%.

O avanço é impulsionado por sistemas de recirculação, monitoramento em tempo real e circuitos fechados, que reduzem a necessidade de captar água nova, inclusive em regiões onde a disputa pelos recursos hídricos com a agricultura e o abastecimento urbano se tornou mais acirrada.

Para engenheiros que atuam na área, a mudança reflete uma transformação de mentalidade dentro das mineradoras. Durante muitos anos, a água foi tratada como um insumo de baixo custo e fácil reposição. Esse cenário mudou com o agravamento dos períodos de estiagem e o aumento das exigências dos órgãos ambientais nos processos de licenciamento.

“Não se trata mais apenas de uma escolha, mas de uma condição importante para a continuidade das operações. Empreendimentos que não investem em reaproveitamento ficam mais vulneráveis, especialmente em bacias com menor disponibilidade hídrica”, afirma a Associação dos Engenheiros de Minas do Estado de Minas Gerais (ASSEMG).

Segundo a entidade, o uso de sensores para acompanhar o volume, a qualidade e o destino da água ao longo do processo produtivo permite identificar perdas que antes poderiam passar despercebidas, como vazamentos em tubulações e níveis elevados de evaporação. Com esses dados, torna-se possível redesenhar etapas da operação e ampliar o fechamento do ciclo da água dentro da própria planta.

“Cada metro cúbico que deixa de ser captado representa um volume a menos disputado com quem vive no entorno da mina. Isso influencia a relação da empresa com as comunidades, os órgãos reguladores e o território onde a operação está instalada”, diz a associação.

O tema ganha ainda mais relevância durante períodos de escassez hídrica. Para o grupo de profissionais, esse tipo de situação demonstra que a resiliência operacional está diretamente ligada à eficiência no uso da água, e não apenas ao cumprimento de metas ambientais.

“Uma empresa que depende exclusivamente da captação externa está mais vulnerável. Quem consegue recircular grande parte da água utilizada possui melhores condições para manter a operação mesmo em um período de poucas chuvas”, pondera a entidade.

Além do ganho ambiental, a associação destaca o impacto econômico da prática. O tratamento e o transporte da água consomem energia e recursos. Dessa forma, a redução da captação e das perdas podem diminuir custos operacionais ao longo do tempo e contribuir para demonstrar a viabilidade ambiental do empreendimento.

“O engenheiro que domina esse tipo de solução possui um diferencial claro no mercado. A gestão da água deixou de ser apenas um detalhe técnico e passou a fazer parte da estratégia das mineradoras”, conclui a associação.



Fonte: ASSEMG — Associação dos Engenheiros de Minas do Estado de Minas Gerais.
Instagram: @assemg_

 

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