Alterações de temperatura e no regime de chuvas podem influenciar a circulação de doenças como dengue, chikungunya e Zika; prevenção e reconhecimento dos sintomas são importantes
Cerca de 5,6 bilhões de pessoas estão sob risco de infecção por
dengue e outras arboviroses, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde
(OMS). Nesse cenário, mudanças de temperatura, umidade e chuvas podem
influenciar a circulação dessas doenças e favorecer a reprodução do Aedes
aegypti. O alerta ganha força com o El Niño: em julho, o Ministério da
Saúde apontou que o fenômeno pode contribuir para o aumento de arboviroses em
2026/2027, enquanto o INMET indicou, em setembro, mais de 90% de probabilidade
de que o fenômeno se configure como muito forte entre setembro e novembro.
Além do controle dos criadouros e da vacinação, a atenção aos
sinais da doença é importante para reduzir o risco de complicações. No caso da
dengue, os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça, dor atrás
dos olhos, dores musculares e articulares, náuseas e manchas vermelhas na pele.
A chikungunya também pode provocar febre e dores articulares intensas, enquanto
a infecção pelo vírus Zika costuma apresentar quadro mais leve, com manchas na
pele, coceira, febre baixa e dores articulares.
“Os sintomas iniciais de algumas arboviroses podem ser semelhantes,
por isso é importante observar a evolução do quadro e buscar avaliação médica
quando houver febre ou outros sintomas persistentes, principalmente em pessoas
que apresentam condições de saúde que possam aumentar o risco de complicações”,
explica Julio Onita, infectologista e Coordenador do Serviço de Controle de
Infecção Hospitalar do Hospital IGESP.
Na dengue, alguns sinais indicam a necessidade de atendimento
médico imediato, especialmente após o período inicial de febre. Dor abdominal
intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, dificuldade para
respirar, sonolência ou irritabilidade e queda da pressão podem indicar
agravamento do quadro e exigem avaliação.
A prevenção começa pelo controle dos locais onde o Aedes
aegypti pode se reproduzir. Recipientes que acumulam água, como vasos de
plantas, pneus, garrafas, calhas e caixas-d’água sem vedação adequada, devem
ser eliminados ou mantidos protegidos. A atenção deve continuar mesmo após
períodos de chuva, já que pequenas quantidades de água acumulada são
suficientes para a reprodução do mosquito. A vacinação também faz parte das
estratégias de prevenção da dengue e a ampliação da cobertura é importante para
aumentar a proteção da população. A indicação e o esquema vacinal devem seguir as
orientações das autoridades de saúde, considerando os públicos elegíveis em
cada campanha.
Medidas individuais também podem ajudar a reduzir o contato com o
vetor. O uso de repelente, conforme as orientações do fabricante, roupas que
cubram braços e pernas e telas em portas e janelas podem ser incorporados à
rotina, especialmente em locais com maior circulação do mosquito. “A eliminação
dos criadouros dentro e ao redor das residências é uma medida importante e
precisa ser feita de forma contínua. Também é fundamental evitar a
automedicação diante de suspeita de dengue, principalmente com
anti-inflamatórios e aspirina, que podem aumentar o risco de sangramento e
agravar o quadro”, orienta o infectologista.
A procura por atendimento é recomendada quando os sintomas forem
intensos, persistentes ou apresentarem sinais de agravamento. “Só uma avaliação
profissional permite diferenciar possíveis causas, indicar os cuidados
necessários e acompanhar a evolução do quadro”, finaliza Julio Onita.
Rede IGESP
www.hospitaligesp.com.br

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