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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Cannabis medicinal: quem pode usar e para quais doenças ela é mais prescrita hoje?

Especialista explica em quais situações os medicamentos à base de cannabis podem ser indicados, os cuidados necessários e por que o acompanhamento médico é fundamental

 

Apesar do crescimento do mercado de cannabis medicinal no Brasil e do aumento do número de pacientes que utilizam tratamentos à base de canabinoides, muitas dúvidas ainda cercam o tema. Afinal, quem pode usar? Quais doenças podem ser tratadas? Existe idade mínima? E qual a diferença entre um medicamento prescrito por um médico e os produtos vendidos sem controle? 

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil possui uma regulamentação específica para produtos de cannabis destinados a fins medicinais, permitindo a prescrição médica e o acesso de pacientes mediante acompanhamento profissional. A agência também destaca que esses produtos devem atender a critérios de qualidade, segurança e controle sanitário para sua comercialização no país. 

Atualmente, o uso medicinal da cannabis vem sendo estudado e empregado principalmente em condições como epilepsias refratárias, dores crônicas, espasticidade associada à esclerose múltipla e outros distúrbios neurológicos. Também existem prescrições para pacientes com transtornos do espectro autista, doença de Parkinson, ansiedade e insônia, sempre mediante avaliação médica individualizada. Entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Academia Brasileira de Neurologia destacam o avanço das pesquisas envolvendo canabinoides em diferentes condições clínicas, embora os níveis de evidência variem conforme a doença analisada. 

"A cannabis medicinal vem sendo cada vez mais estudada e incorporada à prática clínica em diferentes especialidades. Hoje, existem evidências científicas que apoiam seu uso em diversas condições, especialmente aquelas relacionadas ao sistema nervoso e ao controle da dor. Mas é importante reforçar que não existe uma indicação genérica. Cada caso deve ser avaliado por um profissional habilitado", explica Juliana Komel, farmacêutica e co-CEO da ALKO do Brasil.
 

Quem pode receber prescrição?

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não existe uma faixa etária específica para o uso de medicamentos à base de cannabis. Crianças, adultos e idosos podem receber indicação médica, desde que haja justificativa clínica e acompanhamento adequado.

Nos últimos anos, o tratamento ganhou visibilidade principalmente em casos de epilepsia infantil de difícil controle, mas atualmente também é utilizado por pacientes com doenças neurodegenerativas, dores persistentes e transtornos que afetam significativamente a qualidade de vida.
 

Cannabis medicinal é diferente do uso recreativo

Uma das principais dúvidas da população está relacionada à diferença entre cannabis medicinal e uso recreativo. 

Os medicamentos utilizados em tratamentos médicos passam por processos de controle de qualidade, possuem concentrações definidas dos canabinoides e são utilizados com objetivo terapêutico, seguindo protocolos e acompanhamento profissional.

"Existe uma diferença muito importante entre o uso medicinal e o uso recreativo. Quando falamos de medicamentos à base de cannabis, estamos falando de produtos desenvolvidos para fins terapêuticos, com controle de qualidade, rastreabilidade e acompanhamento médico. O foco é sempre a segurança do paciente", destaca Juliana.
 

Quais os principais cuidados?

Especialistas alertam que a automedicação pode representar riscos. A escolha do produto, da concentração e da dosagem deve considerar fatores como idade, histórico de saúde, uso de outros medicamentos e objetivos terapêuticos. 

Por isso, o primeiro passo para quem deseja entender se a cannabis medicinal pode ser uma opção é buscar orientação médica.

 

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