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No Setembro Amarelo, a ciência nos mostra a importância dos vínculos humanos e do amor como força de conexão com a vida
Há momentos em que a vida perde as cores, as texturas e os sabores. A
música silencia e o abraço paralisa. Quando a dor ocupa espaço demais, enxergar
uma saída pode parecer impossível. É justamente nesses contextos que os
vínculos positivos e o amor podem fazer toda a diferença.
Na visão da Psicologia Positiva, impulsionada nos
anos 1990 pelo psicólogo americano Martin Seligman, os relacionamentos são um
dos pilares do bem-estar. Essa abordagem investiga recursos internos que
contribuem para o florescimento mesmo diante das adversidades, como
significado, forças pessoais, engajamento e emoções positivas. Em situações de
sofrimento extremo, alguns desses recursos podem se tornar mais difíceis de
acessar.
Quando a dor estreita o mundo
Em estados de dor intensa, nosso campo de
percepção e pensamento pode se estreitar, tornando mais difícil enxergar
caminhos e possibilidades. A vida pode ficar por um fio. Diante de uma ameaça,
esse estreitamento pode ser uma resposta natural de proteção. O problema surge
quando o sofrimento se prolonga e passa a ocupar espaço demais. Daí a
importância de acolher as emoções difíceis e não deixar alguém sozinho nesse
“túnel de solidão”.
Emoções positivas podem
ampliar o campo
A psicóloga e cientista americana
Barbara Fredrickson propõe, em sua teoria Broaden-and-Build (Ampliar e
Construir), que, enquanto emoções associadas à ameaça podem estreitar a
percepção, o pensamento e as possibilidades de ação, emoções positivas, como alegria,
serenidade, interesse e amor, podem aumentar nosso campo. Isso não
significa negar emoções desagradáveis, que também são importantes. A questão é
compreender que pequenos momentos de abertura podem ampliar aquilo que
conseguimos perceber, pensar e fazer.
Conexão humana: fator de
proteção
Com frequência, o fio que nos liga à vida passa
pelas mãos de outras pessoas. Pertencimento, apoio social
e proximidade são fatores protetivos, enquanto isolamento e solidão
podem aumentar a vulnerabilidade.
Estamos biologicamente preparados para a conexão.
Vínculos significativos podem oferecer proteção: ter alguém a quem recorrer,
sentir-se escutado, acolhido e valorizado pode fazer diferença nos períodos
de angústia.
Falar de prevenção também é falar
de laços e amor. Nem sempre conseguimos retirar alguém da dor, mas
podemos ajudá-lo a não a atravessar sozinho. O amor não substitui o
cuidado profissional, mas pode ser uma força de conexão com a vida e uma fonte
de esperança.
Como ajudar
Não precisamos resolver a dor do outro para nos
aproximarmos dela. Perguntar, escutar sem julgamento, levar manifestações
suicidas a sério, ajudar na busca por atendimento profissional e não deixar a
pessoa sozinha diante de risco imediato são ações importantes. Perguntar diretamente
se alguém pensa em suicídio não aumenta o risco e pode abrir espaço para que
fale sobre o que está vivendo.
Podemos permanecer ao lado dessa pessoa e ajudá-la
a encontrar caminhos para que novas possibilidades apareçam no horizonte. Se
alguém ao seu redor está sofrendo, talvez este seja o momento de perguntar, de
ligar, ou de simplesmente estar por perto.
Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que
precisa, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito
e sigiloso pelo 188, 24 horas por dia. Em situação de risco imediato, procure
um serviço de emergência.
Deborah Dubner - psicóloga e escritora, autora
de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma
boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e
Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de
pós-graduação em Motivação e Resiliência.

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