Dhiego Soares, presidente do Global Tech Institute e especialista em tecnologia, analisa como a formação dos profissionais precisa acompanhar as novas exigências do mercado de trabalho
O avanço
da inteligência artificial, da automação e de novas ferramentas digitais está
mudando as competências exigidas pelo mercado de trabalho. Com essas
transformações, profissionais e estudantes precisam estar preparados não apenas
para utilizar novas tecnologias, mas também para se adaptar às mudanças que
elas provocam nas diferentes áreas.
Segundo
Dhiego Soares, presidente do Global Tech Institute, a capacitação profissional
precisa estar cada vez mais conectada às demandas que os trabalhadores
encontram na prática.
“Não
basta ter conhecimento teórico. O profissional precisa saber aplicar aquilo que
aprendeu, resolver problemas e lidar com situações que fazem parte da rotina de
trabalho. Essa aproximação entre qualificação e prática é fundamental para quem
está entrando no mercado”, explica.
Essa
mudança de expectativa também aparece nos indicadores oficiais do mercado de
trabalho. Dados do CAGED apontam que o Brasil chegou a 48,5 milhões de vínculos
formais em atividade, recorde histórico, com taxa de desemprego próxima às
mínimas da década. Mas o crescimento do emprego não tem sido acompanhado, na
mesma proporção, pela oferta de mão de obra já qualificada para as funções que
mais se transformam — o que reforça o argumento de que o gargalo está menos na
quantidade de vagas e mais na aderência da formação às exigências reais do
trabalho.
Além
da preparação técnica, o desenvolvimento de habilidades comportamentais também
ganhou importância diante das mudanças provocadas pela tecnologia. Capacidade
de análise, pensamento crítico, comunicação e resolução de problemas estão entre
as competências que podem fazer diferença no ambiente profissional.
“As
empresas precisam de profissionais que consigam pensar, analisar cenários e
tomar decisões. A tecnologia pode executar determinadas tarefas, mas é
necessário alguém preparado para entender o contexto e utilizar essas
ferramentas da melhor maneira”, afirma o especialista.
Outro
ponto é a necessidade de atualização constante. Com ferramentas e processos
mudando em ritmo acelerado, a formação profissional passa a ser um processo
contínuo, que não termina com a conclusão de um curso.
“A
pessoa pode sair da faculdade dominando determinado conhecimento e, poucos anos
depois, encontrar uma realidade completamente diferente. Por isso, aprender
continuamente precisa fazer parte da carreira, independentemente da área de
atuação”, destaca Dhiego Soares.
O que
era tratado como recomendação já é descrito por especialistas do setor como
condição de sobrevivência profissional: o conceito de lifelong learning
deixou de ser um diferencial e passou a ser tratado como parte estrutural da
empregabilidade, especialmente em áreas atravessadas pela automação e pela
inteligência artificial.
Para o
especialista, a preparação para o mercado também passa pela capacidade de
acompanhar as transformações tecnológicas sem deixar de desenvolver fundamentos
que continuam sendo importantes para qualquer profissão.
“O
profissional do futuro não será apenas aquele que entende de tecnologia, mas
quem consegue combinar conhecimento técnico, capacidade de adaptação e visão crítica.
É essa combinação que permite acompanhar as mudanças e continuar relevante no
mercado”, conclui Dhiego Soares.
Na
visão do presidente da Global Tech, essa combinação entre base técnica sólida,
adaptabilidade e pensamento crítico deve guiar tanto a formação de novos
profissionais quanto a atualização de quem já está no mercado.

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