No
Brasil, o número de ciclos de coleta de células reprodutivas femininas para
criopreservação teve alta de 180% em cinco anos; conheça o passo a passo do
procedimento que preserva a fertilidade da mulher e auxilia no planejamento
reprodutivo
Magnific
O congelamento de óvulos vem crescendo de forma acelerada no país,
o que revela maior conscientização das brasileiras sobre a importância de
preservar a fertilidade para ter um bebê no melhor momento de sua vida. Movido
por transformações sociais, o aumento também é impulsionado por personalidades
que falam publicamente sobre suas experiências. O anúncio recente da gravidez
da jornalista e apresentadora Maju Coutinho, aos 48 anos, resultado de um
processo de congelamento de óvulos realizado previamente, soma-se aos relatos
das ex-BBBs e influenciadoras Jessi Alves e Isabelle Nogueira, que começaram a
compartilhar as etapas do procedimento.
O interesse mostrado pelas famosas tem respaldo nos dados de
reprodução assistida no Brasil. Segundo o Sistema Nacional de Produção de
Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),o número de
ciclos de coleta de óvulos para criopreservação mais que dobrou em cinco anos.
Passaram de 7.872 ciclos em 2020 para 18.631 em 2025, crescimento de 136,7%.
Neste período, a maior aceleração ocorreu entre mulheres com
menos de 35 anos, cujos ciclos quase triplicaram (alta de 180,1%, passando de
2.193 para 6.142). “É um bom sinal, pois o momento no qual uma
mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no
futuro”, frisa Dr. Oscar Duarte, diretor médico do Fertgroup, maior rede de
clínicas de reprodução assistida do país. “No entanto, vale lembrar que, em
2025, as mulheres acima de 35 anos ainda representavam aproximadamente dois
terços de todos os procedimentos realizados no país. Isso indica que a maior demanda
segue concentrada entre aquelas que já ultrapassaram a fase de maior fertilidade
biológica”, pondera o especialista em reprodução humana.
O congelamento de óvulos é uma conduta médica bem estabelecida e
segura. “Um ciclo de congelamento inclui todas as etapas do procedimento, desde
o uso de medicamentos hormonais para estimular a produção de óvulos até a
coleta e a criopreservação destas células”, explica Duarte. Entender cada fase
é fundamental para afastar receios e garantir tranquilidade ao longo do
processo:
- Avaliação inicial: o ponto de
partida é a consulta com o ginecologista para um mapeamento da saúde
reprodutiva. A medição do hormônio antimulleriano (AMH) no sangue e a
ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos permitem avaliar
a reserva ovariana, que corresponde ao estoque de óvulos existente nos
ovários. Os resultados ajudam a determinar as doses dos hormônios a serem
utilizados no tratamento.
- Estimulação ovariana: em um ciclo
natural, a mulher produz apenas um óvulo maduro, ou seja, pronto para a
fecundação, por mês. Para o congelamento, os ovários são estimulados com
remédios à base de hormônios por 10 a 12 dias, a fim de que vários deles
amadureçam ao mesmo tempo. As medicações são injetáveis e administradas
diariamente, na região abdominal ou na coxa, por via subcutânea - com
agulhas extremamente finas, de forma simples e praticamente indolor. O
tratamento é planejado para começar entre o 1º e o 3º dia do ciclo
menstrual e a própria paciente costuma fazer as aplicações.
- Monitoramento: durante o
período de estimulação ovariana, a mulher vai à clínica de reprodução
assistida em intervalos de dois ou três dias para a realização de
ultrassonografia transvaginal. O objetivo é acompanhar o crescimento dos
folículos, pequenas bolsas de líquido localizadas dentro dos ovários que
funcionam como "casulos" protetores para os óvulos. Cada
folículo guarda e nutre um único óvulo imaturo dentro dele. Nesses
retornos, o médico avalia o diâmetro dos folículos e ajusta as doses
medicamentosas conforme a resposta do organismo. Quando a maioria dos
folículos atinge o tamanho ideal, o especialista orienta a paciente a
aplicar, em horário rigorosamente determinado, uma última injeção, com
hormônios responsáveis por dar a ordem final de maturação, para que os
óvulos se soltem da parede dos folículos e fiquem prontos para serem
retirados e congelados.
- Coleta de óvulos: os óvulos são
aspirados de dentro dos folículos, em um procedimento cirúrgico
minimamente invasivo, com sedação, usando uma agulha bem fina guiada por
ultrassom transvaginal. Após repouso, a mulher retorna para casa no mesmo
dia.
- Congelamento: os óvulos
coletados são imediatamente avaliados pela equipe de embriologia, com
apoio de softwares de Inteligência Artificial. São escolhidas para
congelamento as células de maior qualidade, que apresentam mais chances de
serem fertilizadas e darem origem a um embrião saudável. “Os óvulos
selecionados passam por vitrificação, uma técnica de congelamento
ultra-rápido que evita a formação de cristais de gelo que poderiam
danificar a célula. Essa tecnologia revolucionou o setor e permite a alta
eficiência que temos hoje", completa Duarte.
Embora
envolva cuidados específicos, o congelamento de óvulos apresenta índices de
complicação extremamente baixos e gerenciáveis. O avanço dos protocolos
medicinais modernos e a personalização do tratamento garantem uma estimulação
hormonal segura, com efeitos colaterais minimizados. É essencial escolher um
centro de reprodução assistida credenciado pelos órgãos de saúde, com
infraestrutura cirúrgica de alto padrão. Ambientes com equipamentos modernos
para monitoramento contínuo e o acompanhamento de um médico anestesiologista
oferecem todo o suporte e o bem-estar que a paciente precisa durante a captação
de óvulos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário