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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Busca por congelamento de óvulos quase triplica entre mulheres mais jovens

Magnific
No Brasil, o número de ciclos de coleta de células reprodutivas femininas para criopreservação teve alta de 180% em cinco anos; conheça o passo a passo do procedimento que preserva a fertilidade da mulher e auxilia no planejamento reprodutivo

 

O congelamento de óvulos vem crescendo de forma acelerada no país, o que revela maior conscientização das brasileiras sobre a importância de preservar a fertilidade para ter um bebê no melhor momento de sua vida. Movido por transformações sociais, o aumento também é impulsionado por personalidades que falam publicamente sobre suas experiências. O anúncio recente da gravidez da jornalista e apresentadora Maju Coutinho, aos 48 anos, resultado de um processo de congelamento de óvulos realizado previamente, soma-se aos relatos das ex-BBBs e influenciadoras Jessi Alves e Isabelle Nogueira, que começaram a compartilhar as etapas do procedimento. 

O interesse mostrado pelas famosas tem respaldo nos dados de reprodução assistida no Brasil. Segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),o número de ciclos de coleta de óvulos para criopreservação mais que dobrou em cinco anos. Passaram de 7.872 ciclos em 2020 para 18.631 em 2025, crescimento de 136,7%. 

Neste período, a maior aceleração ocorreu entre mulheres com menos de 35 anos, cujos ciclos quase triplicaram (alta de 180,1%, passando de 2.193 para 6.142). “É um bom sinal, pois o momento no qual uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no futuro”, frisa Dr. Oscar Duarte, diretor médico do Fertgroup, maior rede de clínicas de reprodução assistida do país. “No entanto, vale lembrar que, em 2025, as mulheres acima de 35 anos ainda representavam aproximadamente dois terços de todos os procedimentos realizados no país. Isso indica que a maior demanda segue concentrada entre aquelas que já ultrapassaram a fase de maior fertilidade biológica”, pondera o especialista em reprodução humana. 

O congelamento de óvulos é uma conduta médica bem estabelecida e segura. “Um ciclo de congelamento inclui todas as etapas do procedimento, desde o uso de medicamentos hormonais para estimular a produção de óvulos até a coleta e a criopreservação destas células”, explica Duarte. Entender cada fase é fundamental para afastar receios e garantir tranquilidade ao longo do processo:

  1. Avaliação inicial: o ponto de partida é a consulta com o ginecologista para um mapeamento da saúde reprodutiva. A medição do hormônio antimulleriano (AMH) no sangue e a ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos permitem avaliar a reserva ovariana, que corresponde ao estoque de óvulos existente nos ovários. Os resultados ajudam a determinar as doses dos hormônios a serem utilizados no tratamento.
     
  2. Estimulação ovariana: em um ciclo natural, a mulher produz apenas um óvulo maduro, ou seja, pronto para a fecundação, por mês. Para o congelamento, os ovários são estimulados com remédios à base de hormônios por 10 a 12 dias, a fim de que vários deles amadureçam ao mesmo tempo. As medicações são injetáveis e administradas diariamente, na região abdominal ou na coxa, por via subcutânea - com agulhas extremamente finas, de forma simples e praticamente indolor. O tratamento é planejado para começar entre o 1º e o 3º dia do ciclo menstrual e a própria paciente costuma fazer as aplicações.
     
  3. Monitoramento: durante o período de estimulação ovariana, a mulher vai à clínica de reprodução assistida em intervalos de dois ou três dias para a realização de ultrassonografia transvaginal. O objetivo é acompanhar o crescimento dos folículos, pequenas bolsas de líquido localizadas dentro dos ovários que funcionam como "casulos" protetores para os óvulos. Cada folículo guarda e nutre um único óvulo imaturo dentro dele. Nesses retornos, o médico avalia o diâmetro dos folículos e ajusta as doses medicamentosas conforme a resposta do organismo. Quando a maioria dos folículos atinge o tamanho ideal, o especialista orienta a paciente a aplicar, em horário rigorosamente determinado, uma última injeção, com hormônios responsáveis por dar a ordem final de maturação, para que os óvulos se soltem da parede dos folículos e fiquem prontos para serem retirados e congelados.
     
  4. Coleta de óvulos: os óvulos são aspirados de dentro dos folículos, em um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, com sedação, usando uma agulha bem fina guiada por ultrassom transvaginal. Após repouso, a mulher retorna para casa no mesmo dia.
     
  5. Congelamento: os óvulos coletados são imediatamente avaliados pela equipe de embriologia, com apoio de softwares de Inteligência Artificial. São escolhidas para congelamento as células de maior qualidade, que apresentam mais chances de serem fertilizadas e darem origem a um embrião saudável. “Os óvulos selecionados passam por vitrificação, uma técnica de congelamento ultra-rápido que evita a formação de cristais de gelo que poderiam danificar a célula. Essa tecnologia revolucionou o setor e permite a alta eficiência que temos hoje", completa Duarte.

Embora envolva cuidados específicos, o congelamento de óvulos apresenta índices de complicação extremamente baixos e gerenciáveis. O avanço dos protocolos medicinais modernos e a personalização do tratamento garantem uma estimulação hormonal segura, com efeitos colaterais minimizados. É essencial escolher um centro de reprodução assistida credenciado pelos órgãos de saúde, com infraestrutura cirúrgica de alto padrão. Ambientes com equipamentos modernos para monitoramento contínuo e o acompanhamento de um médico anestesiologista oferecem todo o suporte e o bem-estar que a paciente precisa durante a captação de óvulos. 


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