Aprovação do orforglipron no Reino Unido reforça nova etapa dos tratamentos contra a obesidade; especialista explica principais diferenças entre comprimidos e injetáveis
O mercado de
medicamentos para obesidade acaba de ganhar um novo impulso internacional. A
agência reguladora de medicamentos do Reino Unido, a MHRA, aprovou o
orforglipron, comercializado no exterior como Foundayo, para o controle do peso
e o tratamento do diabetes tipo 2. O país tornou-se o primeiro da Europa a
autorizar o medicamento, que já havia recebido a aprovação da FDA, nos Estados
Unidos, em abril deste ano.
Desenvolvido pela
Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro, o orforglipron é um agonista do
receptor de GLP-1 apresentado em comprimidos. No Reino Unido, a indicação
contempla adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 ou
entre 27 e 30, desde que apresentem pelo menos uma condição relacionada ao
excesso de peso. O tratamento deve estar associado à alimentação com redução de
calorias e à prática de atividade física. A nova autorização foi anunciada em
10 de agosto pela MHRA.
Para o dr. Joaquim
Menezes, médico especialista em emagrecimento definitivo e longevidade, o
avanço dos medicamentos orais pode ampliar as possibilidades de
individualização do tratamento.
“A chegada de um
agonista de GLP-1 em comprimido representa uma evolução importante,
principalmente para pacientes que apresentam resistência ao uso de injeções.
Mas a escolha não deve ser orientada apenas pela forma de administração.
Comprimidos e canetas possuem características diferentes, e a melhor opção
depende do perfil clínico, da meta de emagrecimento, da tolerabilidade e da
capacidade de adesão de cada pessoa”, explica.
Comprimido
diário ou aplicação semanal
Uma das principais
diferenças está na frequência de uso. O orforglipron deve ser tomado
diariamente. Já boa parte das chamadas canetas emagrecedoras, como as que
contêm semaglutida ou tirzepatida, é administrada uma vez por semana.
O novo comprimido
pode ser ingerido em qualquer horário, sem necessidade de jejum ou restrições
relacionadas ao consumo de alimentos e água. Essa é uma diferença inclusive em
relação à semaglutida oral, que exige jejum prévio e um intervalo antes da
ingestão de alimentos, bebidas ou outros medicamentos.
“A pílula pode
parecer mais simples para quem não gosta de injeções, mas exige o compromisso
de lembrar do tratamento todos os dias. Para alguns pacientes, a aplicação
semanal é mais conveniente. Para outros, inserir o comprimido na rotina diária
pode facilitar a adesão. Não existe uma resposta única”, observa Menezes.
Outra diferença
está na composição dos medicamentos. O orforglipron é uma pequena molécula não
peptídica que atua no receptor de GLP-1. A semaglutida, disponível em versões
injetáveis e orais, também age sobre esse receptor. A tirzepatida, encontrada
nas canetas, possui ação combinada sobre os receptores de GIP e GLP-1.
Segundo o
especialista, não é correto concluir que uma apresentação é necessariamente
mais eficaz apenas por ser oral ou injetável. “A eficácia depende da molécula,
da dose, do mecanismo de ação, do tempo de tratamento e das características do
paciente. Os estudos precisam ser analisados individualmente, especialmente
porque nem sempre existem comparações diretas entre os medicamentos. A
comodidade da via oral é relevante, mas não substitui a avaliação dos
resultados clínicos e da segurança”, afirma.
Efeitos
colaterais exigem acompanhamento
Assim como ocorre
com as canetas, os efeitos adversos mais comuns do orforglipron são
gastrointestinais, incluindo náusea, diarreia, constipação, vômitos, indigestão
e dor abdominal. A FDA também relaciona advertências e precauções que devem
ser avaliadas antes e durante o tratamento.
“A apresentação em
comprimido não transforma o medicamento em uma opção mais leve ou livre de
riscos. Continuamos falando de um remédio que atua em mecanismos importantes de
controle do apetite e do metabolismo. A prescrição, o aumento gradual das doses
e o acompanhamento médico são indispensáveis”, alerta Menezes.
O médico ressalta
ainda que o medicamento não deve ser tratado como solução isolada. Alimentação
adequada, treinamento de força, consumo suficiente de proteínas e avaliação
periódica da composição corporal permanecem fundamentais para evitar perda
excessiva de massa muscular durante o emagrecimento.
“A ampliação das opções é uma excelente notícia, mas o verdadeiro avanço será utilizar cada ferramenta para a pessoa certa. O objetivo não deve ser apenas reduzir o número mostrado pela balança, e sim perder gordura preservando músculos, força, saúde metabólica e qualidade de vida”, conclui.
Dr. Joaquim Menezes - Médico especialista em Emagrecimento definitivo, longevidade, performance física e mental. Após transformar sua própria saúde emagrecendo mais de 30 kgs, transformou a vida de mais de 12000 mil pessoas a recuperarem vitalidade, composição corporal, energia e presença. Já tratou e acompanhou mais de 2.000 pacientes com emagrecimento definitivo que utilizaram como estratégia medicamentosa o uso do Mounjaro, a tirzepatida. Atua a partir de uma visão integral — metabolismo, performance e longevidade trabalhando em sinergia — para resultados que ultrapassam o físico e devolvem energia, clareza, autoestima e presença. Sua atuação ao lado de atletas, executivos e pessoas que buscavam reencontrar vitalidade consolidou uma filosofia de cuidado profundo, preciso e humano.
Instituto Evollution.

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