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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Captação de órgãos é etapa fundamental para transformar doação em novas oportunidades de vida

Magnific
Especialista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista explica como funciona o processo e reforça a importância de conversar com a família sobre a decisão de doar


Durante o Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista reforça a importância de informar a população sobre todas as etapas que envolvem o processo de doação. Entre elas, a captação de órgãos representa um momento fundamental para que a decisão de uma família possa contribuir efetivamente para a realização de transplantes e para a continuidade da vida de pacientes que aguardam por um órgão. 

No Brasil, a doação de órgãos de pessoas falecidas depende da autorização da família. Após a confirmação da morte encefálica ou, em situações específicas, da parada cardiorrespiratória (somente doação de corneas), as equipes responsáveis avaliam a possibilidade de doação, realizam entrevistas com os familiares e seguem protocolos específicos para garantir a segurança de todo o processo. 

Segundo o enfermeiro Wilson Moraes, coordenador da e-DOT, o sistema eletrônico utilizado para o gerenciamento do processo de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, a captação envolve uma série de procedimentos técnicos e exige a atuação integrada de diferentes profissionais. “A captação de órgãos é um processo extremamente cuidadoso e organizado. Depois que existe a identificação de um potencial doador, são realizados exames especificos e se confirmada a morte encefálica, e a família autoriza a doação, uma série de etapas é realizada para avaliar quais órgãos e tecidos podem ser aproveitados, garantir a segurança do receptor e viabilizar a retirada e o encaminhamento para transplante. É um trabalho que envolve conhecimento técnico, agilidade e, principalmente, muito respeito ao doador e aos seus familiares”, explica Wilson Moraes. 

A identificação de potenciais doadores também é uma etapa essencial. No sistema brasileiro, as Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) atuam em conjunto com a Equipe Hospitalar de Doação para Transplante (e-DOT), identificando possíveis doadores e contribuindo para a viabilização do processo de doação. 

Após a autorização familiar e a confirmação das condições clínicas necessárias, a retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico por uma equipe de cirurgiões autorizada e capacitada para esse tipo de procedimento. O corpo do doador é posteriormente recomposto e liberado à família, respeitando os cuidados necessários. 

Entre os órgãos e tecidos que podem ser destinados a transplantes estão rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões, dependendo das condições clínicas do doador e da avaliação das equipes responsáveis. 

Para o especialista, falar sobre o tema ainda em vida é uma das principais formas de contribuir para que a vontade de uma pessoa seja conhecida pela família. “Muitas vezes, as pessoas acreditam que basta se declarar doadoras, mas, no Brasil, a autorização da família é fundamental. Por isso, mais importante do que apenas ter o desejo de doar é conversar com os familiares sobre essa decisão. Em um momento de dor, quando a família é informada sobre a possibilidade de doação, saber que aquela era a vontade do ente querido pode fazer toda a diferença”, destaca Wilson. 

O Ministério da Saúde reforça que a conversa com familiares e amigos é essencial para que a intenção de doar seja conhecida. Os órgãos doados são destinados a pacientes que aguardam por um transplante dentro do Sistema Nacional de Transplantes.

 

Doação que continua a vida 

Mais do que uma questão médica, a doação de órgãos envolve solidariedade e pode representar uma nova oportunidade para pessoas que enfrentam doenças graves e dependem de um transplante. 

“É importante que a sociedade compreenda que existe toda uma estrutura por trás da doação e da captação de órgãos, formados por profissionais éticos. Quando uma família autoriza a doação, existe uma grande mobilização de profissionais para que os órgãos possam chegar, com segurança e dentro do tempo adequado, aos pacientes que aguardam por um transplante. É um gesto que pode transformar uma situação de perda em uma possibilidade concreta de recomeço para outras pessoas”, finaliza Wilson Moraes.




Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista


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