Pesquisar no Blog

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Dia da Igualdade Salarial: desigualdade profissional vai além do salário e afeta reconhecimento e carreira das mulheres

Autora de "Solte, Entregue, Confie" relata experiência de substituição durante licença-maternidade e defende autoconhecimento para reconstruir a relação com carreira e valor profissional

 

O Dia da Igualdade Salarial, celebrado em 18 de setembro, coloca em evidência uma realidade que ainda persiste no mercado de trabalho brasileiro: mulheres continuam recebendo menos que homens, mesmo quando ocupam posições de responsabilidade. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que, no 1º semestre de 2026, a remuneração média das mulheres correspondia a 68,2% da remuneração dos homens no conjunto dos grupos ocupacionais analisados pelo Relatório Nacional de Transparência Salarial. Entre diretores e gerentes, a remuneração feminina representava cerca de 73% da masculina.

Os números ajudam a ampliar uma discussão que não se limita ao contracheque. Para a executiva Melissa Artioli, desigualdade profissional também pode aparecer na falta de reconhecimento, na perda de oportunidades, nos impactos da maternidade sobre a trajetória e na dificuldade de separar o próprio valor da posição ocupada dentro de uma empresa.

Autora de “Solte, Entregue, Confie – Uma jornada para sua melhor versão”, publicado pela DVS Editora, Artioli vivenciou uma ruptura profissional justamente durante a maternidade. Após anos de carreira, descobriu durante a licença-maternidade que seria substituída. Ao retornar ao trabalho, encontrou uma estrutura transformada, com outra liderança e um ambiente em que percebeu falta de reconhecimento e de diálogo. Paralelamente, enfrentava o fim do casamento e uma série de mudanças pessoais.

A experiência a fez questionar uma associação comum entre desempenho, reconhecimento externo e valor pessoal. Segundo ela, quando uma profissional constrói sua identidade em torno da necessidade de provar competência e manter controle sobre a própria trajetória, uma ruptura pode ser interpretada como fracasso individual, mesmo quando envolve fatores que estão fora de seu alcance.

“Quando perdemos um espaço profissional que ajudamos a construir, é muito fácil confundir a perda daquele lugar com a perda do nosso próprio valor. Foi preciso entender que uma coisa não definia a outra”, afirma Melissa.

Para Melissa, porém, a busca por igualdade não deve ser dissociada de uma reflexão sobre a forma como as próprias mulheres percebem suas trajetórias. A executiva acredita que o autoconhecimento pode ajudar profissionais a atravessarem situações de desvalorização sem transformar uma decisão empresarial ou uma mudança de estrutura em uma definição sobre sua capacidade.

É nesse ponto que os conceitos que dão nome ao livro entram na discussão. Soltar, entregar e confiar, explica a autora, não significa aceitar situações injustas ou desistir de objetivos profissionais. Trata-se de reconhecer o que está sob controle individual, elaborar aquilo que não pode ser alterado e desenvolver recursos internos para construir os próximos passos.

“Soltar não significa abrir mão dos nossos direitos, ambições ou objetivos. Significa reconhecer aquilo que não podemos controlar. Entregar é aceitar a realidade que já aconteceu. E confiar é acreditar que temos recursos internos para lidar com o que vier depois”, explica.

A experiência também levou Melissa a refletir sobre os efeitos da autocobrança feminina, especialmente para profissionais que conciliam carreira e maternidade. A necessidade de demonstrar competência, disponibilidade e produtividade constantemente pode fazer com que mulheres associem seu valor ao cargo, ao salário ou ao reconhecimento recebido no ambiente corporativo.

Em “Solte, Entregue, Confie”, a especialista combina relatos pessoais com conceitos do Budismo, Estoicismo e Taoísmo e ferramentas da psicologia contemporânea, como mindfulness, Comunicação Não-Violenta e Terapia Cognitivo-Comportamental. A proposta é mostrar como o autoconhecimento pode contribuir para lidar com momentos de ruptura, mudanças profissionais, frustrações e recomeços.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados