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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Pacientes com câncer de pulmão têm de fazer radioterapia no crânio para evitar metástases cerebrais? Estudo questiona essa prática.

O trabalho foi apresentado no congresso da International Association for Study of Lung Cancer (IASLC), que termina nesta terça-feira (15), em Seul, na Coreia do Sul

 

Hoje pacientes com câncer de pulmão de pequenas células sem metástase são submetidos à radioterapia craniana para prevenir a ocorrência de metástases no cérebro. Pesquisadores norte-americanos realizaram o estudo SWOG S1827 MAVERICK para questionar se a irradiação profilática poderia ser substituída pelo acompanhamento rigoroso com exames periódicos de ressonância magnética cerebral. O trabalho foi apresentado no congresso da International Association for Study of Lung Cancer (IASLC), que termina hoje (15), em Seul, na Coreia do Sul. 

Por décadas a irradiação craniana profilática é adotada, tendo em vista que o câncer de pulmão de pequenas células é agressivo e espalha-se para o sistema nervoso central com facilidade. O procedimento destrói micro-metástases invisíveis nos exames de imagem, mas pode causar alterações no funcionamento do cérebro, como perda de memória recente, dificuldade de concentração e declínio cognitivo gradual. Devido ao avanço da tecnologia, que conferiu alta qualidade aos exames de imagem, os autores do MAVERICK questionam a validade dessa prática no contexto atual. 

Os resultados apresentados mostraram que o acompanhamento por ressonância magnética aumentou a sobrevida dos pacientes livre de falha cognitiva, em comparação àqueles que passaram por irradiação craniana profilática. Porém, o estudo não vai mudar a prática médica. 

“Apesar do esforço dos pesquisadores, o estudo acabou misturando populações diferentes e mudou o desfecho primário ao longo do recrutamento, o que reduziu a confiabilidade dos dados”, afirma a rádio-oncologista Lilian Faroni, da Oncologia D’Or. 

O estudo foi desenhado para envolver não menos que 660 participantes. Porém, houve uma mudança do desfecho final para sobrevida livre de eventos de perda neurocognitiva. Por isso, o universo pesquisado foi reduzido para 304 pacientes, incluindo doença extensa e limitada. As alterações comprometeram a credibilidade dos resultados.

 

Oncologia D'Or


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