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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Setembro da Segurança do Paciente: 10% dos pacientes internados sofrem algum tipo de evento adverso

Centro de Oncologia Campinas reforça processos para minimizar falhas involuntárias que geram complicações não relacionadas à evolução natural da doença de base

 

 Evento adverso é o nome dado a qualquer incidente ocorrido durante o atendimento que resulte em danos à saúde do paciente. São falhas involuntárias que geram complicações não relacionadas à evolução natural da doença de base. E os números surpreendem. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 134 milhões de eventos adversos ocorrem anualmente e contribuem com cerca de 3 milhões de mortes.

Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente no Brasil descreveu que, em média, 10% dos pacientes internados sofrem algum tipo de evento adverso, sendo que metade deles seria evitável. São falhas que podem ocorrer ao longo de todo o processo – da admissão à alta. São erros de medicação e de identificação do paciente, infecções adquiridas durante o tratamento, quedas, cirurgias em local incorreto e falhas de prontuário, por exemplo.

Dados globais mostram que um em cada dez pacientes internados sofre algum dano não intencional durante o tratamento e que a maioria desses eventos poderia ser evitável. A alta incidência mundial levou à criação da campanha que fez de Setembro um mês dedicado às ações de segurança do paciente — um momento especial para lembrar que, por trás de cada estatística de erro evitável, há uma história humana.

Na oncologia, a missão de assegurar a segurança do paciente ganha urgência, de acordo com Fernando Medina, oncologista do Centro de Oncologia Campinas.

“Pacientes em tratamento de câncer vivem, muitas vezes, com o sistema imunológico fragilizado pela quimioterapia, pela radioterapia ou pela própria doença. Para eles, uma infecção hospitalar não é um contratempo: pode ser uma ameaça à vida. Um erro de medicação não é um deslize administrativo: pode comprometer meses de tratamento”, compara.


 Tema

Todo o mês de setembro é dedicado à campanha e 17 de setembro é considerado o Dia Mundial da Segurança do Paciente – a data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O tema deste ano é “Cuidados seguros durante toda a vida!”, com o slogan “Cuidado seguro para a vida!”.

No COC, além de intensificar a comunicação com os pacientes sobre os procedimentos que garantem a segurança durante o atendimento, ações especiais serão realizadas para assegurar também a própria segurança dos colaboradores envolvidos nos processos.

“Programamos dinâmicas com os colaboradores em que colocamos como objetivos, além do reforço às metas internacionais de segurança do paciente, iniciativas para o funcionário avaliar sua própria linha de cuidado, o que ele faz por ele para garantir que tenha uma qualidade de vida”, enfatiza Solange Oliveira, coordenadora de Qualidade e Gestão de Riscos do COC.


 Na vanguarda

Dentro do contexto das boas práticas, o Centro de Oncologia de Campinas se coloca na vanguarda da segurança do paciente durante o mês de setembro e ao longo de todo o ano. A resposta ao desafio de combater os erros evitáveis passa por um movimento que espelha a tendência mundial: a digitalização inteligente do cuidado.

A instituição desenvolve um prontuário eletrônico oncológico híbrido, projetado para unir o cuidado clínico, a pesquisa e a gestão em um único ecossistema de informação — com atenção especial aos cânceres de mama e de próstata, e à medicina de precisão orientada por biomarcadores.

A lógica é simples e poderosa: um prontuário eletrônico bem estruturado não apenas registra o cuidado — ele protege. Prescrições eletrônicas reduzem erros de medicação. Alertas automáticos identificam interações perigosas e doses fora do padrão. Registros integrados garantem que a equipe que assume o paciente saiba exatamente o que a equipe anterior fez. Cada informação no lugar certo é um evento adverso que não aconteceu.

“O paciente oncológico atravessa um percurso complexo: consultas, exames, sessões de quimioterapia, internações, acompanhamento pós-alta. Cada transição é um ponto de vulnerabilidade. Informações se perdem entre setores, e o paciente pode sair do radar exatamente quando mais precisa de atenção contínua”, reforça Medina.

Na prática, segurança do paciente significa obedecer a protocolos padronizados de higiene das mãos, checagens sistemáticas antes de cada administração de quimioterapia, ferramentas estruturadas de passagem de plantão e, cada vez mais, inteligência artificial como aliada na identificação precoce de riscos.

“Para o Centro de Oncologia de Campinas, setembro não é apenas uma data no calendário — é um compromisso renovado com cada paciente que atravessa suas portas. No tratamento do câncer, onde cada detalhe pode fazer a diferença entre o sucesso e o retrocesso, a segurança não é um setor: é a base de tudo”, acrescenta o oncologista do COC.

 

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