Desconforto interpretado como gases, azia, ansiedade ou cansaço pode retardar a chegada ao pronto atendimento; Hospital Cardiológico Costantini registra tempo porta-balão médio de 49 minutos após a entrada do paciente
“Vou esperar para ver se passa.” Diante de um desconforto
no peito, mal-estar, enjoo ou falta de ar, essa decisão aparentemente simples
pode representar minutos preciosos quando o problema é um infarto.
A corrida contra o relógio no atendimento cardiovascular
não começa na porta do hospital. Ela começa no momento em que surgem os
primeiros sintomas. E é justamente nesse intervalo que muitos pacientes podem
perder tempo ao minimizar o que estão sentindo, atribuir o quadro a outros
problemas ou esperar que os sinais desapareçam sozinhos.
“As pessoas imaginam o infarto como uma dor súbita, muito
forte, que imediatamente deixa claro que algo grave está acontecendo. Ele pode
se apresentar assim, mas nem sempre. Há casos que começam de maneira mais
discreta, com pressão ou desconforto no peito, falta de ar, náusea, suor frio,
cansaço diferente do habitual ou dor que se irradia para braço, costas,
mandíbula ou estômago”, explica a cardiologista Dra. Bianca Maria Prezepiorski,
do Hospital Cardiológico Costantini.
A American Heart Association alerta que alguns infartos
começam lentamente, com dor ou desconforto leves, e orienta que sinais
suspeitos não sejam ignorados. A OMS também descreve, além da dor ou
desconforto no peito, manifestações como falta de ar, náusea, tontura, suor
frio e desconforto em braços, ombros, mandíbula ou costas.
“Deve ser gases” pode ser uma percepção
perigosa
Azia, refluxo, dor muscular e crises de ansiedade
realmente podem produzir sintomas semelhantes aos de problemas cardíacos. O
problema é tentar fazer esse diagnóstico sozinho quando existe possibilidade de
um evento cardiovascular agudo. “O paciente não precisa saber diferenciar em
casa se aquela dor é do estômago, da musculatura ou do coração. Essa avaliação
é nossa. O risco está em assumir que não é nada grave e aguardar horas até
procurar atendimento”, afirma Dra. Bianca.
Também não é necessário haver uma dor incapacitante.
Sintomas podem ir e voltar, mudar de intensidade ou se apresentar de maneira
menos típica. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes, por exemplo, merecem
atenção especial porque podem apresentar quadros menos reconhecidos pela
população.
“Falta de ar inexplicada, suor frio, náusea, fraqueza intensa
ou um cansaço muito diferente do habitual não deveriam ser ignorados
simplesmente porque não existe aquela dor no peito que vemos nos filmes”,
ressalta a cardiologista.
Cada minuto conta depois que uma artéria fecha
No infarto provocado pela obstrução de uma artéria
coronária, parte do músculo cardíaco deixa de receber adequadamente sangue e
oxigênio. Quanto maior o período de interrupção do fluxo, maior o risco de dano
irreversível.
Por isso, na cardiologia, a expressão “tempo é músculo”
sintetiza uma lógica simples: reduzir o tempo até o diagnóstico e a reperfusão
pode preservar tecido cardíaco. “Quando uma coronária está obstruída, o relógio
não fica esperando o paciente ter certeza de que é um infarto. Existe uma
janela em que agir rapidamente pode fazer enorme diferença na quantidade de
músculo cardíaco preservada e, consequentemente, no prognóstico”, explica Dra.
Bianca.
É importante separar dois intervalos dessa corrida: o
tempo que o paciente leva para reconhecer os sintomas e chegar ao atendimento e
o período entre sua chegada ao hospital e a abertura da artéria.
No Hospital Cardiológico Costantini, o tempo porta-balão
médio é de 49 minutos. O indicador mede o período entre a entrada do paciente
com indicação de angioplastia primária e a abertura da artéria obstruída por
meio do procedimento.
“O hospital pode estruturar equipe, protocolo,
hemodinâmica e atendimento para ganhar minutos depois que o paciente chega. Mas
existe uma parte do tempo sobre a qual a equipe não tem controle: as horas que
alguém eventualmente permaneceu em casa esperando o sintoma passar. Por isso,
informação também salva músculo cardíaco”, diz a especialista.
Não espere ter certeza
Para a cardiologista, uma das mensagens mais importantes
é justamente retirar do paciente a obrigação de diagnosticar a si próprio antes
de procurar atendimento. “Em uma suspeita de infarto, é melhor descobrir no
pronto atendimento que não era um evento cardíaco do que descobrir tarde demais
que era. Diante de sintomas persistentes ou sugestivos, especialmente em
pessoas com fatores de risco, a recomendação é buscar atendimento de
emergência”, reforça.
No Brasil, em uma emergência, o Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo 192.
Às vésperas do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de
setembro, Bianca defende que reconhecer sintomas deveria fazer parte da cultura
de prevenção tanto quanto medir a pressão, controlar o colesterol ou praticar
atividade física. “Prevenir também é saber agir quando alguma coisa acontece.
Reconhecer um sinal, não banalizá-lo e procurar ajuda rapidamente pode mudar
completamente a história daquele paciente”, conclui.
Caminhada do Coração reforça prevenção em
Curitiba
No dia 27 de setembro, Curitiba recebe a 22ª Caminhada do
Coração, iniciativa do Hospital Cardiológico Costantini.
Com largada marcada para 9h30, na Praça do Japão, o
percurso de 4,5 quilômetros segue até o Parque Barigui. O evento é aberto à
comunidade e integra as ações relacionadas ao mês de prevenção das doenças
cardiovasculares e ao Dia Mundial do Coração, em 29 de setembro.
Já consolidada no calendário da cidade, a Caminhada reúne pessoas de diferentes idades em torno de uma mensagem que ultrapassa o próprio evento: reduzir o risco cardiovascular passa pela incorporação do movimento e de outros hábitos preventivos à vida cotidiana. A expectativa para a 22ª edição é de mais de 5 mil participantes.
https://hospitalcostantini.com.br
Telefone: (41) 3013-9000

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