Preservar
músculos, garantir aporte nutricional adequado e sustentar os resultados passam
a pesar tanto quanto a queda registrada na balança
A obesidade atingiu 25,7% dos adultos nas capitais
brasileiras e no Distrito Federal em 2024, mais que o dobro dos 11,8%
registrados em 2006, segundo o Vigitel 2006 a 2024, divulgado pelo Ministério
da Saúde em julho de 2026. No mesmo mês, a Organização Mundial da Saúde
reforçou a necessidade de uso seguro e acompanhamento adequado dos medicamentos
GLP 1, que ganharam espaço no combate à doença e ampliaram o debate sobre o que
deve ser observado além da perda de peso.
Para Lucas Rezende, médico
com atuação em nutrologia e medicina preventiva, à frente da ARC Health Place, clínica
de São Paulo especializada em saúde metabólica, prevenção e emagrecimento, o
avanço das canetas emagrecedoras exige uma leitura mais ampla dos resultados.
“Não basta olhar quantos quilos o paciente perdeu. É preciso entender o que
aconteceu com a composição corporal, com a alimentação e com os indicadores
metabólicos ao longo desse processo”, afirma.
A discussão ganhou um exemplo recente com Serena
Williams. Em setembro de 2026, a antiga número um do tênis voltou a falar
publicamente sobre alimentação e treinamento durante o uso de um medicamento
GLP 1. A atleta relatou perda de cerca de 15 quilos e redução de 30% no
colesterol. Ao detalhar a rotina, destacou refeições ricas em proteínas e
nutrientes voltados à energia e à recuperação física. Para o especialista em
saúde metabólica, o caso mostra por que a avaliação não deve se limitar à balança.
“A medicação pode ser uma ferramenta importante no processo, porém não torna a
alimentação, exercício e acompanhamento da composição corporal dispensáveis,
estes são a base”, ressalta Rezende.
O músculo também entra na
conta do emagrecimento
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em
junho de 2026 no International Journal of Obesity avaliou sete estudos clínicos
randomizados, com 821 participantes, e encontrou redução média de 1,74 quilo de
massa magra entre pacientes com obesidade tratados com agonistas de GLP 1.
Apesar da queda absoluta, a proporção de tecido magro em relação ao peso total
aumentou, indicando que a redução de gordura foi maior. Os pesquisadores
reforçam a importância da alimentação e dos exercícios para preservar ou
melhorar a musculatura durante o uso desses medicamentos.
Para o médico com atuação em nutrologia, observar
somente o total de quilos eliminados pode esconder alterações relevantes. “A
pergunta não deve ser apenas quanto o paciente emagreceu, mas o que aconteceu
com gordura e músculo nesse percurso. Preservar o tecido muscular é importante
para a capacidade funcional e para a saúde metabólica”, explica.
A diminuição do apetite provocada pelas canetas
também aumenta a importância da qualidade do que permanece no prato. Segundo a
OMS, os medicamentos GLP 1 reduzem a ingestão alimentar ao prolongar a sensação
de saciedade, mas o cuidado contra a obesidade deve incluir alimentação saudável
e atividade física. “Quando a fome diminui, o volume consumido também pode
cair. Isso exige atenção à oferta de proteínas, vitaminas e minerais e às
necessidades individuais de cada paciente”, aponta o especialista em medicina
preventiva.
O maior desafio pode começar
depois da perda de peso
A interrupção dos medicamentos acrescenta outra
questão ao acompanhamento. Uma revisão sistemática e metanálise publicada pelo
BMJ em 2026 encontrou reganho médio de 0,8 quilo por mês após a suspensão das
terapias mais recentes à base de incretinas, grupo que inclui semaglutida e
tirzepatida. A estimativa chegou a 9,9 quilos recuperados no primeiro ano, com
projeção de retorno ao peso inicial em aproximadamente um ano e meio caso a
tendência observada fosse mantida. Os autores alertam que essa projeção
ultrapassa o período de acompanhamento disponível nos estudos.
Para Rezende, o resultado reforça a necessidade de
pensar além do período de uso da medicação. “As canetas para emagrecer são uma
ferramenta relevante, mas a estratégia não pode terminar na última aplicação. O
objetivo é criar condições para sustentar os resultados, preservar a composição
corporal e reduzir fatores de risco no longo prazo”, conclui o médico.
Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e alta performance. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas.
Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
Para mais informações, acesse o site, Instagram, youtube ou Linkedln.
ARC Health Place
@arc.healthplace
Fontes de Pesquisa
Vigitel Brasil 2006 a 2024
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf
What Serena Williams Eats on Training Days
https://people.com/what-serena-williams-eats-on-training-days-exclusive-12108428
Effect of GLP 1 receptor agonists at doses for obesity management
on muscle health
https://www.nature.com/articles/s41366-026-02118-y
Obesity and GLP 1 therapies
https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/obesity-glp-1-therapies
Weight regain after cessation of medication for weight
management
https://www.bmj.com/content/392/bmj-2025-085304.long
WHO issues global guideline on the use of GLP 1 medicines
in treating obesity
https://www.who.int/news/item/01-12-2025-who-issues-global-guideline-on-the-use-of-glp-1-medicines-in-treating-obesity
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