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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Brasil bate recorde de transplantes, mas 49 mil ainda aguardam na fila

·         A maioria dos protocolos ocorre na UTI, mas o início do processo frequentemente acontece nas salas de emergência

·         Setembro Verde – Mês de Conscientização sobre Doação de Órgãos e Tecidos


Durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Brasil celebra a marca histórica de mais de 31 mil transplantes realizados em 2025. Ainda assim, aproximadamente 49.489 pessoas continuam cadastradas na fila de espera do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

A Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) ressalta que o sucesso dessa cadeia assistencial depende de uma atuação integrada e multidisciplinar, sendo a Medicina de Emergência parte fundamental, atuando na identificação precoce de potenciais doadores.

“A doação e o transplante de órgãos envolvem várias especialidades médicas de forma articulada. Embora a maioria dos protocolos ocorra no ambiente das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), o início de todo o processo frequentemente acontece nas salas de emergência e prontos-socorros, após traumas e quadros neurológicos agudos”, explica Dr. Osmar Colleoni, 2º secretário da ABRAMEDE e responsável técnico da Equipe de Doação para Transplantes (e-DOT) do Grupo Hospitalar Conceição.

O papel do médico emergencista ganhou respaldo regulatório com a republicação da Portaria GM/MS nº 8.041/2025 em janeiro deste ano. A norma estabelece formalmente o especialista em Medicina de Emergência como elo oficial da cadeia na detecção e manutenção do potencial doador.

“Já atuávamos junto a pacientes com potencial risco de morte encefálica. O que muda agora é que passamos a seguir um protocolo formal de responsabilidades: detecção rápida, estabilização clínica orientada à preservação dos órgãos, suporte humanizado aos familiares e articulação com a Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) e comissões intra-hospitalares”, explica a presidente da ABRAMEDE Dra. Maria Camila Lunardi.

 

Critérios de Doação: No Brasil, há duas modalidades de doação:

·         Doação em vida: permitida por lei para rim, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea, com critérios de compatibilidade e segurança.

·         Doação pós-falecimento: ocorre obrigatoriamente após a confirmação do protocolo de morte encefálica ou após parada cardiorrespiratória irreversível (para tecidos específicos).

 

De acordo com o Ministério da Saúde, é possível obter vários órgãos e tecidos para o transplante de um único doador: rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.

 

Etapas do Processo de Doação

1.   Diagnóstico de Morte Encefálica: Constatação da interrupção completa e definitiva de todas as funções cerebrais, por testes clínicos e exames confirmatórios, enquanto os órgãos são mantidos oxigenados.

2.   Entrevista e Autorização Familiar: Acolhimento dos familiares para esclarecimento do quadro e autorização.

3.   Procedimento Cirúrgico de Retirada: Realizado em centro cirúrgico hospitalar por equipes especializadas, com cuidado para preservar a qualidade dos órgãos.

4.   Preservação e Transporte Logístico: Os órgãos são preservados e transportados com rapidez até os hospitais transplantadores.

5.   Transplante: Implante dos órgãos nos receptores compatíveis, selecionados pela lista do SNT conforme compatibilidade.

 

No Brasil, a autorização para doação de órgãos após a morte é de competência exclusiva da família. Documentos de identidade, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), declarações em testamento ou carteirinhas de doador não têm validade legal.


É possível registrar a intenção pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponível gratuitamente pelo site aedo.org.br ou pelo aplicativo e-Notariado. O cadastro permite indicar os órgãos que deseja doar e facilita a decisão da família.

 

A ABRAMEDE ressalta que é muito importante que cada pessoa converse abertamente com seus parentes em vida sobre o desejo de doar órgãos e tecidos.

 

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