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A maioria dos protocolos ocorre na UTI,
mas o início do processo frequentemente acontece nas salas de emergência
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Setembro Verde – Mês de Conscientização
sobre Doação de Órgãos e Tecidos
Durante o Setembro Verde, mês dedicado
à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, o Brasil celebra a marca
histórica de mais de 31 mil transplantes realizados em 2025.
Ainda assim, aproximadamente 49.489 pessoas continuam cadastradas na fila de
espera do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
A Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE)
ressalta que o sucesso dessa cadeia assistencial depende de uma atuação
integrada e multidisciplinar, sendo a Medicina de Emergência parte fundamental,
atuando na identificação precoce de potenciais doadores.
“A doação e o transplante de órgãos envolvem
várias especialidades médicas de forma articulada. Embora a maioria dos
protocolos ocorra no ambiente das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), o início
de todo o processo frequentemente acontece nas salas de emergência e
prontos-socorros, após traumas e quadros neurológicos agudos”, explica Dr. Osmar
Colleoni, 2º secretário da ABRAMEDE e responsável técnico da Equipe
de Doação para Transplantes (e-DOT) do Grupo Hospitalar Conceição.
O papel do médico emergencista ganhou
respaldo regulatório com a republicação da Portaria GM/MS nº 8.041/2025 em
janeiro deste ano. A norma estabelece formalmente o especialista em Medicina de
Emergência como elo oficial da cadeia na detecção e manutenção do potencial
doador.
“Já atuávamos junto a pacientes com
potencial risco de morte encefálica. O que muda agora é que passamos a seguir
um protocolo formal de responsabilidades: detecção rápida, estabilização
clínica orientada à preservação dos órgãos, suporte humanizado aos familiares e
articulação com a Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) e
comissões intra-hospitalares”, explica a presidente da ABRAMEDE Dra. Maria Camila Lunardi.
Critérios de
Doação: No Brasil, há duas modalidades de
doação:
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Doação em vida: permitida por lei para rim, parte do fígado, parte
do pulmão e medula óssea, com critérios de compatibilidade e segurança.
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Doação pós-falecimento: ocorre obrigatoriamente após a confirmação
do protocolo de morte encefálica ou após parada cardiorrespiratória
irreversível (para tecidos específicos).
De acordo com o
Ministério da Saúde, é possível obter vários órgãos e tecidos para o
transplante de um único doador: rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas,
intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.
Etapas
do Processo de Doação
1. Diagnóstico de Morte
Encefálica: Constatação da interrupção completa e definitiva de todas as
funções cerebrais, por testes clínicos e exames confirmatórios, enquanto os
órgãos são mantidos oxigenados.
2. Entrevista e
Autorização Familiar: Acolhimento dos familiares para esclarecimento do quadro
e autorização.
3. Procedimento
Cirúrgico de Retirada: Realizado em centro cirúrgico hospitalar por equipes
especializadas, com cuidado para preservar a qualidade dos órgãos.
4. Preservação e
Transporte Logístico: Os órgãos são preservados e transportados com rapidez até
os hospitais transplantadores.
5. Transplante: Implante
dos órgãos nos receptores compatíveis, selecionados pela lista do SNT conforme
compatibilidade.
No Brasil, a
autorização para doação de órgãos após a morte é de competência exclusiva da
família. Documentos de identidade, Carteira Nacional de Habilitação (CNH),
declarações em testamento ou carteirinhas de doador não têm validade legal.
É possível
registrar a intenção pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO),
disponível gratuitamente pelo site aedo.org.br ou pelo aplicativo e-Notariado. O cadastro
permite indicar os órgãos que deseja doar e facilita a decisão da família.
A ABRAMEDE
ressalta que é muito importante que cada pessoa converse abertamente com seus
parentes em vida sobre o desejo de doar órgãos e tecidos.
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