No Dia Nacional de
Luta da Pessoa com Deficiência, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)
divulga uma pesquisa inédita que indica os maiores desafios apontados pelos
especialistas para atender esta população
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O principal obstáculo apontado por médicos no
atendimento de pacientes com deficiência, segundo pesquisa inédita realizada
pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), é a falta de treinamento
específico dos profissionais. “No contexto da mastologia, este é um ponto
crítico. Mas há outros achados igualmente importantes no levantamento que
revelam dificuldades”, afirma Mônica Travassos Jourdan, responsável pelo
Departamento de Saúde Inclusiva da SBM. Para a mastologista, tão preocupante
quanto a falta de treinamento é a percepção dos especialistas a respeito da
acessibilidade de informação do paciente sobre doenças mamárias. Estes e outros
entraves, que segundo ela demandam investimentos em capacitação técnica,
merecem visibilidade nas ações de 21 de setembro, data dedicada ao Dia Nacional
de Luta da Pessoa com Deficiência.
De 14,4 milhões de pessoas com deficiência no
Brasil, 8,3 milhões são mulheres. Com base em dados de 2019, o levantamento do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) destaca ainda que 4,9
milhões são surdas, o que exemplifica uma condição importante para o
atendimento dessa população nos serviços público e privado de saúde.
A Sociedade Brasileira de Mastologia é a primeira
entidade médica do País a contar com um departamento dedicado à inclusão.
Criado em 21 de setembro de 2025, reflete o compromisso da entidade em ampliar
a atenção ao rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de mama para toda
a população, incluindo pessoas com deficiência. Uma das ações do Departamento
de Saúde Inclusiva já permite o acesso às informações no site da SBM em Libras
e audiodescrição.
Este ano, por ocasião do Dia Nacional da Pessoa com
Deficiência, a iniciativa pioneira recebe o apoio de duas personalidades do
mundo artístico. Uma delas, a apresentadora e cantora Xuxa Meneghel, conclama
em um vídeo gravado para o Departamento de Saúde Inclusiva da SBM a “construir
um mundo mais inclusivo, onde ninguém fique de fora desse movimento de amor
pela vida”. Em Libras, Xuxa diz: “Cuidar da saúde é um gesto de amor. Juntos
somos mais fortes.”
Ao qualificar em vídeo o trabalho do Departamento
de Saúde Inclusiva como “de extrema importância e de extremo valor social”,
Pedro Neschling, ator, escritor, diretor e pessoa com deficiência auditiva,
destaca: “Durante muito tempo o mundo como um todo olhou com muito pouco
carinho para as pessoas com deficiência. Felizmente isso está mudando, no
sentido de entender que a deficiência não é uma carta condenatória.”
Uma das propostas do Departamento de Saúde
Inclusiva da SBM anunciadas em sua criação foi a realização de pesquisas sobre
o impacto do câncer de mama em pessoas com deficiência. “Este objetivo começa a
se cumprir com nosso primeiro levantamento”, destaca Mônica Jourdan.
A pesquisa “Realidade do atendimento às pessoas com
deficiência no contexto da mastologia”, feita entre julho e setembro de 2026,
recebeu 180 respostas de especialistas, a maioria mastologistas (87,8%). O
maior número de participantes é do Sudeste (60%), seguido de Nordeste (17,8%) e
Sul (13,9%).
Dos respondentes, 95,6% afirmam já ter atendido
pacientes com deficiência física. Sobre o item “Treinamento”, a mastologista da
SBM observa “um hiato crítico na formação”, com 97,2% dos profissionais
declarando não receber ou ter recebido treinamento específico para o
atendimento desses pacientes.
Embora 71,7% considerem suas clínicas e hospitais
acessíveis fisicamente, a avaliação da acessibilidade da informação sobre
patologias mamárias pelos pacientes é negativa: 43,9% avaliam como “Ruim” e
39,4%, “Regular”.
O levantamento revela que o uso de recursos de
comunicação alternativa para pacientes com deficiência auditiva ainda é
incipiente, com apenas 19,4% dos médicos utilizando-os frequentemente; 58,3%,
por sua vez, nunca utilizam.
Como síntese, o principal obstáculo relatado pelos
respondentes é a falta de treinamento (73,9%), seguido por barreiras físicas
(49,4%) e falta de recursos (37,8%). Em uma escala de 1 a 5, a maioria dos
profissionais (43,9%) classifica sua capacidade de atendimento como “3”, o que
indica uma percepção de competência mediana, mas com espaço significativo para
melhoria.
Os dados do levantamento evidenciam que apesar da
experiência clínica acumulada dos especialistas, há uma demanda reprimida por
educação continuada e diretrizes de acessibilidade. “O fato de a falta de
treinamento ser o desafio mais citado reforça a necessidade de o Departamento
de Saúde Inclusiva da SBM focar em programas de capacitação técnica e na
criação de materiais informativos acessíveis, visto que a barreira
informacional é vista como uma das maiores fragilidades atuais”, conclui Mônica
Jourdan.
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