Engenheiro de Software que passou 12
anos no Vale do Silício, Gabriel Barros explica como a IA generativa simplifica
ou exagera diagnósticos. “Acompanhamento médico é indispensável”, diz
Unsplash
A popularização da inteligência artificial
transformou ferramentas como o ChatGPT em uma espécie de "primeira
consulta" para milhões de pessoas. Ao mesmo tempo em que usuários recorrem
à IA para interpretar exames, entender sintomas e buscar orientações médicas,
cresce uma preocupação ainda não muito discutida: o destino das informações
compartilhadas nessas conversas. Em meio ao debate sobre segurança digital
provocado por recentes episódios envolvendo sistemas de IA, o engenheiro de
software Gabriel Barros, que mora nos Estados Unidos há 18 anos e
trabalhou no Vale do Silício, maior pólo global de tecnologia, inovação e
empreendedorismo, alerta que as IAs Genertativas não substituiem
a avaliação de um profissional de saúde.
Seu posicionamento se baseia na observação de que essas tecnologias não avaliam um paciente como um médico faz, elas respondem com base em padrões aprendidos a partir de grandes volumes de dados. “Por isso, as IAs generativas tendem a produzir respostas genéricas e repetitivas ou respostas plausíveis, mas nem sempre corretas”, argumenta o engenheiro, que também é cofundador da healthtech MYME. De acordo com ele, quanto mais uma informação é repetida na internet, mais ela será usada pela IA, mesmo que ela seja incorreta.
Pesquisas recentes também ressaltam esse ponto de vista: o volume Inteligência Artificial Generativa em Saúde e Medicina (2025), disponível na National Academy of Medicine, apresenta os riscos do uso dessa tecnologia, e os principais incluem viés, limitação de “raciocínio” e alucinações. Um artigo publicado na revista Nature, também de 2025, revela que revela que a acurácia média de modelos de IA para diagnósticos é de 52,1%, desempenho 15,8 pontos percentuais inferior ao de médicos especialistas. A análise incluiu 83 estudos publicados entre junho de 2018 e junho de 2024.
“Por utilizar linguagem natural de forma estruturada e fluida, o ChatGPT, e as IAs generativas de forma geral, transmitem muita confiança em suas respostas, esse é o perigo para o usuário. Quando o tema é saúde, o acompanhamento e diagnóstico médicos continuam sendo indispensáveis. E, de preferência, seus dados de saúde devem estar armazenados em ambientes especializados”, ressalta Gabriel.
Já existem ferramentas gratuitas desenvolvidas especificamente
para centralizar históricos médicos com mecanismos reforçados de proteção, como
a plataforma
da MYME. A solução foi construída com foco na
privacidade e no controle do usuário: os dados são criptografados quando armazenados,
a tecnologia é desenvolvida internamente e o acesso às informações depende da
autorização do próprio paciente. Na plataforma, é possível registrar sintomas,
exames, consultas, prescrições, medicamentos, vacinas e outros dados
relevantes, reunindo informações de diferentes hospitais, clínicas e unidades
de saúde em uma linha do tempo única. O usuário decide quando, por quanto tempo
e com quais profissionais ou instituições deseja compartilhar esse histórico.
Como a MYME funciona
Ao criar uma conta na MYME, o usuário pode inserir informações em categorias sugeridas – Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros” – ou criar suas categorias (por exemplo, controle de glicemia, controle de pressão arterial e ciclo menstrual). A plataforma aceita arquivos em PDF, imagem e texto e tudo é inserido em uma linha do tempo do paciente. Qualquer dado ou categoria pode ser compartilhado via link.
“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando
que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas Santiago, cofundador da
MYME. Por isso, a plataforma permite que o usuário crie perfis de dependentes e
divida sua gestão com outros responsáveis (familiares e cuidadores de um idoso,
por exemplo).
Segurança de dados
A proteção de dados é um dos principais pontos de atenção do setor
de saúde diante dos episódios recentes de vazamento de informações
confidenciais. A segurança é o ponto focal da MYME. O cofundador e desenvolvedor
da plataforma, Gabriel Barros, é engenheiro de software com experiência de 12
anos no Yahoo Internacional e liderança em um projeto de isolamento de dados
sensíveis com Google e Microsoft. Ele garante que “a construção da
infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível
máximo de proteção e controle pelo usuário.”
Complementar ao Meu SUS Digital
A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital,
plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Serviço
Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora
também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios
brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros
arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”,
diferencia Gabriel.
MYME –healthtech brasileira com uma plataforma gratuita que centraliza o histórico de saúde do usuário ou dependente.
Saiba mais aqui.
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