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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Mitos e verdades sobre ovário policístico o que toda mulher precisa saber

 

Síndrome dos ovários policísticos não é sinônimo de cisto no ovário e pode afetar menstruação, ovulação, pele e fertilidade; ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana explica os principais sinais e equívocos sobre a condição 
 

“Tenho ovário policístico” é uma frase comum nos consultórios e nas redes sociais, mas nem sempre significa que a mulher realmente tenha a síndrome dos ovários policísticos (SOP). A confusão entre a presença de múltiplos folículosss nos ovários e a síndrome é um dos principais motivos que levam mulheres a buscar informações e, em alguns casos, até tratamentos sem indicação. 

A SOP é uma alteração hormonal e metabólica relativamente frequente durante a idade reprodutiva e pode se manifestar de diferentes formas. Alterações no ciclo menstrual, dificuldade para ovular, aumento de pelos, acne e queda de cabelo estão entre os sinais que podem estar associados à condição. O diagnóstico, no entanto, não é feito apenas pelo ultrassom. 

“Um dos principais mitos é acreditar que o ultrassom, sozinho, diagnostica a síndrome dos ovários policísticos. A presença de múltiplos folículos pode fazer parte da aparência normal dos ovários de algumas mulheres e não significa necessariamente que exista uma síndrome”, explica Dra. Aline Marques, ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana. 

A especialista destaca que a SOP é uma condição que precisa ser avaliada de maneira individualizada. O diagnóstico considera o conjunto de sinais clínicos, histórico menstrual, exames laboratoriais e, quando indicado, a ultrassonografia. Além disso, outras condições que podem causar sintomas semelhantes precisam ser descartadas. 
 

Mitos e verdades que ainda confundem muitas mulheres 

Toda mulher com ovário policístico tem SOP?  

Mito.
A presença de múltiplos folículos no ultrassom não é suficiente para estabelecer o diagnóstico. Os ovários podem apresentar esse aspecto sem que a mulher tenha a síndrome. Por isso, o resultado de um exame de imagem deve sempre ser interpretado em conjunto com a avaliação clínica. 
 

A SOP sempre causa menstruação irregular?  

Mito. 
Embora ciclos irregulares sejam frequentes, nem todas as mulheres apresentam essa manifestação. Algumas podem ter ciclos aparentemente regulares e ainda apresentar outros sinais relacionados à síndrome. Da mesma forma, alterações menstruais podem ter diversas outras causas. 
 

Quem tem SOP pode engravidar?  

Verdade. 
A síndrome pode dificultar a ovulação em algumas mulheres e, consequentemente, aumentar o tempo necessário para engravidar. Isso não significa, porém, que a gravidez seja impossível. Muitas mulheres com SOP engravidam espontaneamente ou com acompanhamento e tratamento adequado. 

“É importante não transformar a SOP em uma sentença sobre a fertilidade. A síndrome pode estar relacionada à dificuldade de ovulação, mas existem diferentes estratégias para cada caso. O mais importante é entender o que está acontecendo com aquela paciente e qual é o seu objetivo reprodutivo”, afirma Dra. Aline. 
 

Toda mulher com SOP precisa tomar anticoncepcional?  

Mito. 
O tratamento depende dos sintomas, da fase da vida e dos objetivos de cada paciente. Em algumas situações, métodos hormonais podem ser utilizados para controlar irregularidades menstruais e manifestações como acne e aumento de pelos. Para mulheres que desejam engravidar, a estratégia é diferente. 
 

A SOP desaparece quando a mulher engravida?  

Mito. 
A gestação pode modificar temporariamente algumas manifestações da síndrome, mas isso não significa que a condição tenha desaparecido. A SOP está relacionada a características hormonais e metabólicas que podem permanecer ao longo da vida e merecem acompanhamento. 
 

SOP é apenas um problema ginecológico?  

Mito. 
A síndrome também pode estar relacionada a alterações metabólicas. Algumas mulheres apresentam resistência à insulina, alterações nos níveis de colesterol e maior risco de desenvolver alterações glicêmicas. Por isso, o acompanhamento não deve se limitar aos sintomas ginecológicos. 
 

Toda mulher com SOP está acima do peso?  

Mito. 
A síndrome pode ocorrer em mulheres com diferentes tipos de composição corporal. Embora o excesso de peso possa estar associado a algumas manifestações e agravar alterações metabólicas em determinadas pacientes, ele não é obrigatório para o diagnóstico. 
 

Emagrecer pode ajudar no controle da SOP?  

Verdade, em alguns casos. 

Para mulheres que apresentam excesso de peso, mudanças no estilo de vida e uma perda de peso individualizada podem contribuir para melhorar aspectos metabólicos e, em algumas situações, favorecer a regularização da ovulação. Isso não significa, porém, que emagrecer seja o tratamento universal para todas as mulheres com SOP. 
 

Diagnóstico não deve ser feito pelas redes sociais 

A popularização do tema fez com que sintomas como acne, pelos em excesso, menstruação irregular e dificuldade para engravidar passassem a ser frequentemente associados à SOP de maneira automática. O problema é que esses sinais podem ter diferentes causas e não devem ser utilizados isoladamente para um autodiagnóstico. 

“Nem toda alteração menstrual significa SOP, assim como acne ou aumento de pelos, isoladamente, não confirmam a síndrome. O diagnóstico exige uma avaliação médica cuidadosa justamente para diferenciar a SOP de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes”, explica a ginecologista. 

A atenção é especialmente importante na adolescência, período em que alterações no ciclo menstrual e manifestações hormonais podem fazer parte do próprio processo de maturação. Nessa fase, o diagnóstico precisa ser ainda mais criterioso para evitar tratamentos desnecessários ou a rotulação precoce da paciente. 

Além dos sintomas físicos, a SOP também pode afetar a qualidade de vida e a autoestima. Acne, aumento de pelos, alterações de peso e dificuldades relacionadas à fertilidade podem gerar impactos emocionais importantes, reforçando a necessidade de uma abordagem que considere a paciente de forma integral. 

“O mais importante é entender que a SOP não se manifesta da mesma maneira em todas as mulheres. O tratamento deve ser individualizado e pode mudar ao longo da vida, de acordo com os sintomas e com os planos da paciente, inclusive em relação à maternidade”, finaliza Dra. Aline Marques. 

A recomendação para mulheres que apresentam alterações persistentes no ciclo menstrual, sinais de excesso de andrógenos, dificuldade para engravidar ou outras manifestações que levantem suspeita de SOP é buscar avaliação com um ginecologista. O diagnóstico correto é fundamental para definir o acompanhamento e evitar que informações simplificadas ou conteúdos das redes sociais substituam a avaliação médica.  



Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

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