Pressão alta, colesterol elevado e
outras condições cardiovasculares podem evoluir de forma silenciosa;
especialista reforça importância da prevenção e do acompanhamento
As doenças cardiovasculares continuam entre as
principais causas de morte no Brasil e no mundo, mas nem sempre apresentam
sintomas claros antes de uma complicação. Durante o Setembro Vermelho,
movimento de conscientização sobre a saúde do coração que ganha força no mês do
Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, especialistas chamam
atenção para um desafio importante: não esperar o corpo “avisar” para começar a
se cuidar.
Um dos exemplos é a hipertensão arterial. Dados reunidos pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 46% dos adultos com hipertensão não sabem que têm a doença. Sem diagnóstico e controle adequados, a pressão elevada aumenta o risco de problemas cardiovasculares, cerebrovasculares e renais.
“Existe uma percepção de que uma doença cardíaca necessariamente vai provocar dor, falta de ar ou algum sinal evidente. Nem sempre é assim. Hipertensão e colesterol alto, por exemplo, podem permanecer silenciosos por muito tempo enquanto contribuem para alterações nos vasos sanguíneos e no coração”, explica o cirurgião cardiovascular Dr. Élcio Pires Junior.
Tabagismo, sedentarismo, obesidade, diabetes, hipertensão e alimentação inadequada estão entre os fatores associados ao desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Histórico familiar e idade também devem ser considerados na avaliação individual.
Para Dr. Élcio, outro problema é procurar assistência apenas quando surgem sintomas mais importantes. “A prevenção cardiovascular começa muito antes de um infarto ou de uma indicação cirúrgica. Conhecer a pressão arterial, acompanhar colesterol e glicemia e avaliar os fatores de risco permite agir antes que a doença chegue a uma fase mais avançada”, afirma.
O especialista ressalta que alguns sintomas nunca devem ser banalizados. Dor ou pressão no peito, falta de ar de início recente, palpitações associadas a mal-estar, desmaios e redução inexplicada da capacidade para realizar esforços são sinais que merecem avaliação.
“Não significa que todo sintoma seja uma doença cardíaca, mas também não é adequado esperar que ele se torne intenso para procurar ajuda. Quando se trata do coração, reconhecer fatores de risco e sinais de alerta pode fazer diferença no diagnóstico e no tratamento”, completa.
Neste Setembro Vermelho, o alerta, portanto,
vai além de adotar hábitos saudáveis: cuidar do coração também significa
investigar aquilo que ainda não provoca sintomas.
Fonte:
Dr. Élcio Pires Junior - coordenador da cirurgia
cardiovascular nos hospitais São Luiz Osasco, Central Oeste (Carapicuíba) e
Central Sul (São Paulo), da Rede Dor, coordenador da Cardiologia e Cirurgia
Cardiovascular no Hospital Bom Clima de Guarulhos. Cirurgião Cardiovascular do
Hospital Albert Sabin em São Paulo. Cirurgião Cardiovascular no Hospital
Beneficência Portuguesa de Campinas. É membro especialista da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro internacional da The Society of
Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em cirurgia cardiovascular pela
SBCCV/AMB e atua em Estimulação Cardíaca Eletrônica Implantável pela SBCCV/AMB.
Pode contribuir em pautas sobre problemas cardiovasculares, explicando como
funcionam os tratamentos e procedimentos, além de formas de prevenção e sinais
das doenças.
Dr. Elcio Pires Junior
(@drelciopiresjr) • Fotos e vídeos do Instagram
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