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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Congelamento de óvulos cresce 66% nos últimos 5 anos no Brasil¹, acompanhando a tendência de postergação da maternidade

Especialista alerta para os limites do relógio biológico e destaca como tratamentos como a FIV apoiam o planejamento reprodutivo seguro

 

No Brasil, assim como em grande parte do mundo, a taxa de natalidade tem caído e já se encontra abaixo do nível de reposição populacional2, refletindo a decisão cada vez mais comum de postergar a maternidade. Diante dessa realidade, o planejamento reprodutivo ganhou força inédita: segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio/Anvisa), o congelamento de embriões no país cresceu 66% entre 2020 e 2025, passando de 86.833 para 144.548 embriões congelados1. 

O adiamento da gravidez, no entanto, esbarra em uma fronteira biológica. A partir dos 35 anos, grande parte das mulheres passam por uma redução natural e progressiva da reserva ovariana, o que afeta não apenas a quantidade, mas principalmente a qualidade dos óvulos.³ “Esse declínio pode dificultar a concepção espontânea e aumentar os riscos associados à gestação”, alerta Grazielle Arronqui, gerente médica em Medicina Reprodutiva da Ferring Brasil. 

Para apoiar o desejo da maternidade diante desse cenário, a medicina reprodutiva tem avançado significativamente. "Quando falamos de maternidade tardia, o fator tempo é o nosso principal marcador. Por isso, conhecer a própria fertilidade de forma preventiva é fundamental para que essa paciente tenha poder de escolha no futuro. A ciência atua exatamente como uma ponte entre o desejo de ser mãe e o momento em que a mulher se sente verdadeiramente pronta para isso", explica Grazielle.
 

Congelamento de óvulos

Para as mulheres que desejam ter filhos, mas reconhecem que o momento ideal será mais à frente, a criopreservação (congelamento de óvulos) é um caminho, o que explica a alta procura registrada pela Anvisa nos últimos anos. O procedimento permite captar e armazenar os óvulos com a qualidade celular correspondente à idade em que foram congelados. “Assim, uma mulher que congela seus óvulos aos 32 anos e decide engravidar aos 40 utilizará gametas com o potencial reprodutivo de uma paciente de 32 anos”, pontua Grazielle.
 

Fertilização in vitro (FIV) e os tratamentos personalizados

Quando a maternidade tardia já é o momento presente e há dificuldades para engravidar (ou quando os óvulos previamente congelados serão utilizados), a fertilização in vitro (FIV) surge como uma opção mais segura. Na FIV, a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório, e o embrião formado é posteriormente transferido para o útero. 

"Hoje, os tratamentos de fertilidade são altamente individualizados. Na FIV para gestações mais tardias, os protocolos de estimulação ovariana são desenhados sob medida para o perfil biológico de cada paciente, buscando a melhor resposta do corpo", detalha. "A medicina reprodutiva moderna consegue avaliar o embrião antes da transferência, o que pode aumentar as taxas de sucesso e diminuir as chances de abortamento, trazendo muito mais segurança para uma gestação em idades mais avançadas", complementa. 

Dessa forma, a principal recomendação médica para quem nutre o sonho da maternidade é a conscientização precoce. Realizar exames de rotina que avaliem a reserva ovariana e conversar abertamente com um ginecologista ou especialista em reprodução humana permite que a jornada da fertilidade seja vivida com menos ansiedade e mais respaldo científico.

 

Ferring
Link

 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS

  1. Site Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). Disponível em: Link. Acesso em: outubro, 2026.
  2. Site Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Projeções da População: Brasil e Unidades da Federação. Disponível em: Link. Acesso em: outubro, 2026.
  3. Diminuição da reserva ovariana. Por Robert W. Rebar, MD, Western Michigan University Homer Stryker M.D. School of Medicine. Revisão clínica por Oluwatosin Goje, MD, MSCR, Cleveland Clinic. Análise completa: fev. 2024.

O que fazer após o diagnóstico de esclerose múltipla?

Especialistas respondem às principais dúvidas de pacientes e familiares após o diagnóstico da doença

 

Receber o diagnóstico de esclerose múltipla (EM) costuma ser um momento marcado por dúvidas, inseguranças e pela necessidade de compreender como a doença pode impactar a rotina. Nesse momento, o acesso à informação de qualidade e o diálogo com a equipe de saúde são fundamentais para que o paciente participe das decisões sobre seu tratamento e sinta mais segurança nessa jornada que se inicia.

Para esclarecer as principais dúvidas que surgem após o diagnóstico, especialistas em esclerose múltipla e doenças neuroimunológicas respondem às perguntas mais frequentes sobre tratamento, acompanhamento médico, qualidade de vida e convivência com a doença.

 

1.Recebi o diagnóstico de esclerose múltipla. E agora? Existem tratamentos eficazes para a doença? A doença pode progredir?  

Dr. Caio Disserol, Neurologista e Neuroimunologista pelo Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP: Receber o diagnóstico de esclerose múltipla costuma despertar dúvidas e preocupações. Muitas pessoas ainda associam a doença à perda de autonomia ou ao uso de cadeira de rodas, mas essa não é a realidade da maioria dos pacientes atualmente. Embora a doença ainda não tenha cura, os avanços das últimas décadas transformaram seu tratamento. Hoje existem diversas terapias de alta eficácia capazes de controlar a atividade da doença, reduzir o número de surtos e retardar significativamente sua progressão.  

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória que acomete o sistema nervoso central, incluindo cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. Ela pode se manifestar por surtos, como alterações visuais, perda de sensibilidade, fraqueza, desequilíbrio e visão dupla. Mesmo quando não há sintomas aparentes, a doença pode continuar ativa, o que reforça a importância do acompanhamento periódico e da realização de exames, como a ressonância magnética.  

As terapias modificadoras da doença atuam reduzindo surtos, novas lesões e o risco de incapacidade ao longo do tempo. Existem medicamentos orais, injetáveis via subcutânea e intravenosa, e a escolha deve ser individualizada, levando em consideração características da doença, exames, outras condições de saúde, planejamento familiar, estilo de vida e preferências do paciente.  

Hoje sabemos que iniciar o tratamento precocemente é um dos principais fatores para melhorar o prognóstico.  O objetivo não deve ser apenas tratar os sintomas quando eles aparecem, mas prevenir novos danos ao sistema nervoso. Em determinadas situações, especialmente quando a doença apresenta sinais de maior atividade, pode ser indicada desde o início uma medicação de alta eficácia. Essa decisão deve ser compartilhada entre o paciente e o neurologista, após uma discussão transparente sobre os benefícios, os riscos e a necessidade de monitoramento de cada opção. 

A doença pode progredir? Sim, essa possibilidade existe. A piora pode ocorrer em consequência de surtos com recuperação incompleta ou de forma gradual, mesmo sem novos surtos aparentes. No entanto, a evolução varia de pessoa para pessoa e não pode ser prevista apenas com base no diagnóstico. Com tratamento adequado e acompanhamento regular, muitos pacientes conseguem controlar a doença e reduzir significativamente o risco de progressão. 

Além das medicações, hábitos saudáveis, atividade física, sono adequado, alimentação equilibrada e o cuidado com a saúde mental fazem parte do tratamento. A esclerose múltipla passa a fazer parte da vida do paciente, mas não precisa definir seu futuro. Com acompanhamento adequado, é possível preservar a autonomia e manter uma vida ativa.

 

2.Como saber qual é o tratamento mais adequado? 

Dra. Laura F. Parolin, Neurologista da Neurovie - Neurologia e Saúde em Joinville: O tratamento da esclerose múltipla é individualizado. A escolha da terapia considera fatores como a atividade da doença, o número e a localização das lesões, sinais de progressão, outras condições de saúde, planejamento familiar, rotina e preferências do paciente. 

Atualmente, as práticas clínicas mostram que, quando indicado, iniciar precocemente uma terapia de alta eficácia pode modificar a evolução da doença e reduzir o risco de incapacidade futura. Ainda assim, o tratamento deve ser constantemente reavaliado, pois pode ser necessário ajustá-lo ao longo do acompanhamento para garantir eficácia, segurança e qualidade de vida.

 

3.O que devo perguntar ao médico nas primeiras consultas? 

Dr. Flavio Vieira Marques Filho, Neuroimunologista pela USP-SP: É natural sair da primeira consulta com muitas informações e esquecer parte das orientações recebidas. Uma boa estratégia é levar uma lista de perguntas para aproveitar melhor esse momento e participar das decisões sobre o tratamento. 

·         "Que tipo de esclerose múltipla eu tenho e como você chegou a esse diagnóstico?" Peça para o médico explicar os exames (ressonância, líquor) e por que outras doenças foram descartadas.

·         "Quais são as opções de tratamento para o meu caso e por que você recomenda essa opção?" A decisão deve ser conjunta. O tratamento deve se adaptar à vida do paciente (sua rotina, planos de gravidez, vacinas), e não o contrário. É preciso entender os riscos, benefícios e efeitos colaterais.

·         "Como eu sei que estou tendo um surto e o que fazer se tiver um sintoma novo?" Entender que um surto típico dura mais de 24 horas e ocorre sem febre ou infecção evita pânico e ajuda a buscar atendimento no momento certo.

·         "Além do remédio, o que eu posso fazer por mim?" Questione sobre o papel do sono, exercícios, reabilitação, controle da fadiga, alimentação, vitamina D e saúde emocional no seu tratamento.

·         "Qual é o nosso plano daqui para a frente?" Pergunte quando deve voltar e quais exames de rotina precisará repetir.

·         Uma dica de ouro: Ao final, faça sempre uma última pergunta: "Doutor, o que eu ainda não perguntei que você acha importante eu saber?"

 


4.Por que o acompanhamento de diferentes profissionais de saúde é importante?

 

Dr. João Pedro Izidoro, Neurologista e Neuroimunologista, Médico Assistente dos Serviços de Neuroimunologia dos Hospital das Clínicas da FMRP-USP (Riberião Preto-SP) e da UFTM (Uberaba - MG): O tratamento da esclerose múltipla vai além da medicação. O objetivo do tratamento é cuidar da pessoa como um todo, preservar sua autonomia, sua qualidade de vida e seus projetos para o futuro. Ela pode se manifestar de muitas formas, muitas vezes invisíveis aos olhos de terceiros, e só o paciente é capaz de sentir. Cada um desses desafios merece o cuidado de um profissional específico:

·         Neurologista: coordena o diagnóstico e a terapia modificadora de doença, fundamental para reduzir surtos e retardar a progressão.

·         Fisioterapeuta e Educador Físico: trabalham força, equilíbrio e condicionamento. O exercício deixou de ser apenas recomendável e passou a fazer parte do tratamento, melhorando a fadiga, a mobilidade e o humor, sem qualquer aumento de risco de surto.

·         Terapeuta Ocupacional: preserva a autonomia no dia a dia e no trabalho, adaptando e tornando as tarefas mais seguras e menos cansativas.

·         Psicólogo: é essencial, pois a depressão e a ansiedade são comorbidades frequentes na esclerose múltipla e impactam diretamente a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, além de poder auxiliar na reabilitação cognitiva.

·         Enfermeiro: educa sobre a medicação.

·         Nutricionista: educa sobre hábitos alimentares mais nutritivos e com potencial anti-inflamatório, como a dieta mediterrânea.

·         Urologistas e Ginecologistas: auxiliam nas queixas urinárias e também na qualidade da vida sexual.

 


5.É possível continuar trabalhando, estudando e mantendo uma vida ativa após o diagnóstico?

 

Dr. João Pedro Izidoro: Sim. O prognóstico da esclerose múltipla mudou significativamente nas últimas décadas graças ao diagnóstico mais precoce e ao desenvolvimento de terapias cada vez mais eficazes.

 

Na prática, isso significa que o diagnóstico não é mais sinônimo de interromper a carreira, largar a faculdade ou desistir de projetos. A maioria dos pacientes segue trabalhando, estudando, praticando esporte, viajando, tendo filhos e construindo famílias. Existem desafios, claro, mas a esclerose múltipla é uma condição crônica, tratável, que não merece ser interpretada como uma sentença, e sim como um diagnóstico. Afinal, viver bem com ela é regra, e não é exceção.

 

Medicamentos importados: entre a segurança sanitária e a urgência do tratamento

O avanço da medicina tem permitido que pacientes com doenças graves, raras e de difícil tratamento tenham acesso a medicamentos cada vez mais específicos. Muitos desses produtos, entretanto, ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro e precisam ser importados por meio de procedimentos sujeitos à fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Nesse contexto, surge uma questão jurídica relevante: até que ponto a demora administrativa na liberação de um medicamento pode comprometer o próprio direito à saúde que a fiscalização sanitária pretende proteger? 

Relatos de pacientes que aguardam semanas pela autorização de medicamentos importados reacendem o debate sobre a eficiência dos procedimentos administrativos. Em tratamentos oncológicos, por exemplo, a continuidade terapêutica e o momento de administração de determinados medicamentos podem ser decisivos para a evolução clínica.

A discussão não se resume à necessidade de acelerar a entrada de produtos estrangeiros no país. Trata-se de encontrar um equilíbrio entre duas obrigações igualmente importantes do Estado: proteger a população contra riscos sanitários e impedir que os procedimentos administrativos criem obstáculos desproporcionais ao acesso a tratamentos necessários. 

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Essa garantia não se limita à manutenção de hospitais ou ao fornecimento de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde. Ela também deve orientar a atuação dos órgãos públicos responsáveis por regulamentar, fiscalizar e controlar produtos e serviços relacionados à saúde. 

A Anvisa exerce, nesse cenário, uma função indispensável. Sua atuação permite verificar requisitos de qualidade, segurança, procedência e regularidade dos medicamentos destinados ao consumo humano. Essa competência, contudo, não afasta a incidência dos princípios constitucionais da eficiência, da razoabilidade e da proporcionalidade, tampouco o direito à duração razoável dos processos administrativos, assegurado pelo artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição. O artigo 37, por sua vez, determina que a Administração Pública observe, entre outros princípios, o da eficiência. 

A conjugação desses dispositivos exige que a atuação estatal considere não apenas a regularidade formal dos procedimentos, mas também as consequências práticas do tempo necessário à sua conclusão. Quando a importação se destina a pacientes com doenças graves, a dimensão temporal assume especial relevância. 

O tempo administrativo nem sempre corresponde ao tempo clínico. A Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo federal, estabelece, em seu artigo 49, o prazo de até 30 dias para a decisão após a conclusão da instrução, prorrogável por igual período mediante motivação expressa, sem prejuízo de regras específicas aplicáveis a cada procedimento. 

O cumprimento de um prazo, entretanto, não encerra necessariamente a discussão sobre a razoabilidade da atuação administrativa. Em determinadas situações, a espera pode provocar o agravamento de uma doença, a interrupção de um tratamento ou a perda de uma oportunidade terapêutica. Um prazo formalmente regular pode ser incompatível com uma necessidade médica urgente, desde que essa urgência esteja devidamente documentada. 

Isso não significa que toda solicitação de importação deva ser automaticamente autorizada, nem que a prescrição médica dispense o cumprimento das exigências sanitárias. Significa que a Administração precisa dispor de mecanismos capazes de identificar situações excepcionais e conferir a elas tratamento compatível com sua gravidade. 

A própria regulamentação sanitária prevê procedimentos específicos para determinadas modalidades de importação destinadas a pacientes, observadas as condições e exigências aplicáveis. Essa diferenciação é importante porque operações comerciais ordinárias não apresentam necessariamente as mesmas circunstâncias de uma importação vinculada a um tratamento individual e urgente. 

A modernização dos sistemas de importação também merece atenção. A digitalização de procedimentos, a centralização de informações e a integração entre órgãos públicos podem ampliar a transparência, a segurança e a eficiência administrativa. Esses avanços, porém, dependem de planejamento, orientação adequada aos usuários e mecanismos para solucionar dificuldades operacionais. 

Quando inconsistências cadastrais, exigências documentais ou falhas de integração entre sistemas prolongam a tramitação de pedidos relacionados a tratamentos graves, é necessário avaliar se foram adotadas providências razoáveis para evitar prejuízos desproporcionais. A eficiência administrativa não pode ser medida apenas pela modernização tecnológica, mas também pela capacidade de oferecer respostas adequadas às necessidades concretas da população. 

A questão ganha complexidade quando hospitais, operadoras de planos de saúde ou outros responsáveis pelo custeio do tratamento participam da importação de medicamentos destinados a pacientes determinados. As exigências podem variar conforme a identidade do importador, a origem dos recursos e a finalidade da operação. Embora tenham justificativas relacionadas à segurança sanitária e à rastreabilidade, essas regras precisam ser suficientemente claras para que dificuldades procedimentais não se transformem em obstáculos injustificados ao cumprimento de obrigações assistenciais ou de determinações judiciais. 

Diante de uma demora excessiva, o Poder Judiciário pode exercer controle sobre atos e omissões administrativas que contrariem a legislação ou comprometam direitos fundamentais. Esse controle, contudo, exige cautela. A fiscalização de medicamentos envolve conhecimentos técnicos especializados, e a intervenção judicial não deve substituir indiscriminadamente as avaliações de segurança e qualidade atribuídas à autoridade sanitária. 

Por outro lado, a competência técnica da agência não torna seus procedimentos imunes ao controle judicial quando houver indícios de omissão, demora injustificada ou descumprimento das próprias normas administrativas. Conforme as circunstâncias, pode ser juridicamente possível buscar uma decisão administrativa tempestiva, o reconhecimento de prioridade prevista na regulamentação ou a correção de uma exigência ilegal. 

A análise de cada caso depende de elementos concretos, como a documentação clínica, os protocolos administrativos, a comprovação do cumprimento das exigências aplicáveis e a demonstração dos riscos associados à espera. Quanto mais clara estiver a relação entre a demora e o possível prejuízo ao paciente, mais consistente será a avaliação sobre a necessidade de uma resposta administrativa ou judicial. 

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Tema 500 da repercussão geral, examinou a questão do fornecimento de medicamentos sem registro sanitário e estabeleceu parâmetros rigorosos para situações excepcionais. O entendimento também reconhece relevância jurídica à demora irrazoável da Anvisa na apreciação de pedidos de registro, dentro das condições definidas pelo Tribunal. Embora o precedente não trate diretamente dos prazos de liberação de importações individuais, evidencia que a atuação regulatória está sujeita ao controle jurisdicional, respeitados os limites constitucionais e legais. 

A judicialização, portanto, não representa autorização para afastar indiscriminadamente as regras sanitárias. Pode, entretanto, constituir instrumento legítimo de controle da legalidade administrativa e de proteção de direitos fundamentais quando os mecanismos ordinários não oferecem resposta adequada. 

O debate sobre medicamentos importados exige equilíbrio. A flexibilização indiscriminada dos controles sanitários pode expor pacientes a produtos de procedência duvidosa, sem qualidade comprovada ou inadequados ao tratamento prescrito. Em sentido oposto, procedimentos excessivamente demorados ou incapazes de responder a situações clínicas urgentes também podem produzir consequências graves. 

Proteger a saúde exige considerar esses riscos conjuntamente. É necessário aperfeiçoar os mecanismos de priorização, assegurar canais administrativos eficazes para situações excepcionais, dar transparência aos prazos de análise e oferecer soluções para entraves documentais que possam ser superados sem comprometer a segurança sanitária. A coordenação entre operadoras de saúde, hospitais, importadores e órgãos públicos também é fundamental, especialmente quando a importação decorre de uma obrigação de fornecimento previamente estabelecida. 

Afinal, um medicamento necessário que chega tarde demais pode deixar de proporcionar o benefício para o qual foi prescrito. Quando está em jogo a saúde de uma pessoa, a eficiência administrativa não pode ser avaliada apenas pela regularidade dos procedimentos, mas também pela capacidade do Estado de responder, em tempo adequado, às necessidades concretas do paciente.

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados


Operações policiais expõem avanço do comércio clandestino de canetas emagrecedoras e riscos à conservação dos medicamentos

Duas operações policiais realizadas em outubro reforçam o alerta sobre a comercialização e a distribuição irregular de canetas emagrecedoras no Brasil. No Ceará, a Operação Além do Horizonte, da Polícia Federal com apoio da Receita Federal, apreendeu R$ 75 mil em espécie, medicamentos e mercadorias estrangeiras sem documentação regular. Já no Rio de Janeiro, um homem foi preso suspeito de distribuir clandestinamente esses produtos pelos Correios. Na ação, a Polícia Civil apreendeu medicamentos avaliados em cerca de R$ 2 milhões em uma sala comercial utilizada como central de armazenamento e distribuição. 

Além das suspeitas de irregularidades sanitárias e comerciais, os casos levantam preocupações sobre a procedência dos produtos e as condições em que são armazenados e transportados. Medicamentos termolábeis, como determinadas canetas injetáveis para emagrecimento, exigem controle de temperatura conforme as especificações do fabricante. Quando a origem, a rastreabilidade e as condições de conservação não podem ser comprovadas, não há garantia de que os produtos tenham sido mantidos adequadamente ao longo da cadeia de distribuição.

 

Grupo Polar

 

População idosa cresce no Brasil e amplia desafios para a rede de cuidados

No mês dedicado à pessoa idosa, entidade destaca a importância de uma rede de cuidados preparada para as demandas da longevidade
 

A população brasileira com 60 anos ou mais passou de 15,2 milhões em 2000 para 33 milhões em 2023 e deve chegar a 75,3 milhões em 2070, segundo dados do IBGE. Diante do crescimento, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) reforça, durante o Mês da Pessoa Idosa, a necessidade de preparar os serviços de saúde e as redes de cuidado para atender às necessidades dessa população e promover autonomia, independência e qualidade de vida. 

“O envelhecimento populacional no Brasil aconteceu muito mais rapidamente do que em diversos países europeus. Tivemos avanços importantes, mas eles não acompanharam a velocidade dessa transformação”, afirma Leonardo Oliva, geriatra e presidente da SBGG. 

A fragmentação dos serviços e a falta de uma rede contínua de cuidados estão entre os principais desafios. “Nosso sistema de saúde continua muito centrado na doença aguda. A pessoa idosa precisa de acompanhamento contínuo, prevenção e integração entre os serviços”, destaca Leonardo.
 

Envelhecer com saúde vai além dos diagnósticos 

Envelhecer com qualidade de vida não significa, necessariamente, viver sem doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e artrose. Mais do que a quantidade de diagnósticos, é importante considerar como essas condições afetam a autonomia e a rotina da pessoa idosa. 

“Duas pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano”, explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG. 

Preservar a capacidade funcional exige mais do que consultas e tratamentos. A prática de atividade física, alimentação equilibrada, prevenção de quedas, revisão periódica de medicamentos, os cuidados com a saúde mental e a manutenção dos vínculos sociais também contribuem para a independência e a qualidade de vida.
 

O cuidado também é um desafio para as famílias 

O envelhecimento populacional amplia a demanda por cuidados contínuos, uma responsabilidade que, no Brasil, ainda recai principalmente sobre familiares, especialmente mulheres. A falta de preparo, apoio psicológico e suporte institucional adequado reforça a necessidade de políticas e serviços que também ofereçam suporte a quem cuida. 

Para a SBGG, enfrentar os desafios do envelhecimento exige mudanças na organização da assistência, com investimentos em prevenção, formação de profissionais, suporte às famílias e estratégias que favoreçam a manutenção da funcionalidade ao longo da vida. 

“O Brasil precisa parar de pensar no envelhecimento apenas quando a dependência já está instalada. O cuidado precisa começar antes, com prevenção, acompanhamento e promoção de autonomia”, reforça Leonardo. 

Mais do que ampliar a expectativa de vida, o desafio é garantir condições para que as pessoas mantenham suas escolhas, relações e atividades cotidianas. “Envelhecer com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida”, conclui Isabela.



Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

Treinamento de força pode contribuir para prevenção da osteoporose e manutenção da saúde óssea

Especialista destaca a importância da atividade física regular e do acompanhamento profissional na prevenção da perda de estrutura e redução de fatores associados ao risco de quedas.

 

A osteoporose é uma doença silenciosa e progressiva que reduz a densidade e a resistência dos ossos, tornando-os mais frágeis e suscetíveis a fraturas mesmo após quedas ou impactos leves. Embora seja mais associada ao envelhecimento, a atenção à saúde óssea deve começar antes da terceira idade, e a prática regular de exercícios físicos, especialmente o treinamento de força, pode ter papel importante nessa proteção a longo prazo.

 

Segundo a Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença no Brasil. No cenário mundial, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose. A entidade também alerta para uma lacuna no cuidado: apenas um em cada cinco casos diagnosticados recebe algum tipo de tratamento, reforçando a importância da prevenção e da identificação dos fatores de risco.

 

Para o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo, quando planejado de acordo com as condições e necessidades de cada pessoa, o treino resistido também pode contribuir para a manutenção da estrutura óssea, além de fortalecer os músculos e melhorar a capacidade funcional, fatores relevantes para reduzir o risco de quedas.

 

“A musculação precisa ser entendida também como um investimento na saúde óssea. Os ossos respondem aos estímulos mecânicos que recebem, e exercícios bem prescritos podem contribuir para preservar sua estrutura ao longo do tempo. O importante é respeitar a individualidade de cada aluno, considerar seu histórico e progredir de maneira segura e consistente”, explica Jauan.

 

Atenção aos fatores de risco

 

A atenção à saúde óssea merece destaque entre mulheres a partir dos 40 anos, especialmente durante a transição para a menopausa e após esse período, quando as mudanças hormonais podem acelerar a perda de massa óssea. Pessoas sedentárias e indivíduos com histórico familiar de osteoporose também devem considerar esses fatores ao planejar uma rotina de exercícios, sempre com avaliação profissional.

 

Uma pesquisa divulgada pelo Jornal da USP, com participação do Laboratório de Bioengenharia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, identificou resultados favoráveis da atividade física para a manutenção da saúde óssea após a menopausa. Os estudos desenvolvidos pelo grupo apontaram benefícios do exercício para a quantidade de minerais nos ossos e para a microarquitetura óssea. 

 

Na prática, Jauan, que trabalha com treinos individualizados há mais de 10 anos, explica que a prescrição do treinamento resistido deve levar em conta o condicionamento físico, a mobilidade, a experiência com exercícios e as particularidades de cada aluno. 

 

Movimentos multiarticulares, como agachamentos e exercícios de desenvolvimento, podem fazer parte do planejamento, desde que sejam adequados à capacidade individual e executados com técnica e progressão apropriadas.

 

“Não existe uma ficha de treino que sirva para todo mundo. Para quem está começando, para mulheres no período da menopausa ou para quem tem histórico familiar de osteoporose, precisamos olhar para o contexto de cada pessoa e construir uma rotina possível, segura e progressiva, sempre com acompanhamento médico”, afirma o profissional.

 

Prevenção começa antes dos sintomas

 

A dimensão do problema reforça a importância de incorporar a saúde óssea à rotina de cuidados. A IOF estima que ocorram até 37 milhões de fraturas por fragilidade óssea por ano entre pessoas com mais de 55 anos em todo o mundo – uma média de aproximadamente 70 por minuto. A entidade também alerta que a osteoporose permanece subdiagnosticada e subtratada, o que amplia a necessidade de informação e prevenção. 

 

No Brasil, de acordo com dados atribuídos à Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, fraturas osteoporóticas estão associadas a cerca de 200 mil mortes por ano no país. 

 

Para Jauan Anselmo, o treinamento físico deve integrar uma estratégia mais ampla de cuidado, junto à alimentação adequada e ao acompanhamento dos profissionais de saúde. O especialista ressalta que o treino não substitui exames, diagnóstico ou tratamento médico, mas pode contribuir para a força muscular, o equilíbrio e a manutenção da capacidade funcional.

 

“Cuidar dos ossos não é uma preocupação que deve surgir apenas depois de uma fratura ou quando a idade avança. Construir força ao longo da vida é uma forma de investir na autonomia e na qualidade de vida no futuro. O melhor momento para começar é aquele em que a pessoa consegue dar o primeiro passo, com orientação e um plano adequado à sua realidade”, conclui.



Anvisa aprova novo tratamento para câncer de pulmão de não pequenas células avançado1


• O Brasil é o segundo país do mundo a aprovar o telisotuzumabe vedotina, depois dos Estados Unidos, onde a terapia recebeu aprovação acelerada da FDA para uma população definida de pacientes adultos previamente tratados, com CPNPC não escamoso avançado e alta superexpressão da proteína c-Met. 1,2 

• Câncer de pulmão é a principal causa de morte relacionadas ao câncer no mundo e representa um importante desafio de saúde pública no Brasil, onde são estimados 35.380 novos casos por ano e foram registradas mais de 32 mil mortes em 20243,4 

• Telisotuzumabe vedotina é uma terapia alvo direcionada à proteína c-Met para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso avançado, previamente tratados e com alta expressão do biomarcador1,5



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o telisotuzumabe vedotina para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso, localmente avançado ou metastático, com alta superexpressão da proteína c-Met1, que receberam tratamento prévio. Com essa decisão, o Brasil se torna o segundo país do mundo a aprovar a terapia, depois dos Estados Unidos, onde a Food and Drug Administration (FDA) concedeu aprovação acelerada.2

A aprovação representa um novo avanço no tratamento do câncer de pulmão no país, doença para a qual são estimados 35.380 novos casos por ano no Brasil durante o triênio de 2026 a 2028. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram registradas mais de 32 mil mortes por câncer de traqueia, brônquios e pulmão em 2024³. No cenário global, o câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer, com quase 2,65 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes estimados em 2024⁴.

Para pacientes com doença localmente avançada ou metastática, o cenário é particularmente desafiador. Estudos indicam que aproximadamente 75% dos casos de câncer de pulmão são diagnosticados em estágios localmente avançados ou metastáticos, quando as possibilidades de tratamento são mais limitadas e a doença apresenta maior complexidade⁴. 

Esta aprovação representa um avanço importante para pacientes com CPNPC localmente avançado ou metastático, pois oferece uma nova opção de tratamento para pessoas com um perfil específico de biomarcadores que já receberam terapia sistêmica. As terapias-alvo são uma parte importante da oncologia de precisão, pois são desenvolvidas para atuar sobre características moleculares definidas das células tumorais. Continuaremos investindo em ciência, pesquisa clínica e inovação para ajudar a transformar a vida dos pacientes”, afirma Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil. 

A nova terapia é um anticorpo droga conjugado (ADC) direcionado à proteína c-Met, um receptor tirosina quinase que pode apresentar expressão aumentada em determinados tumores. No CPNPC não escamoso avançado com o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) selvagem, ou seja, que não apresenta as mutações específicas conhecidas como mutações ativadoras do receptor, a superexpressão de c-Met está presente em aproximadamente 25% dos pacientes e está associada a pior prognóstico ⁵. A identificação do biomarcador permite selecionar pacientes com essa característica molecular do tumor para uma estratégia terapêutica direcionada¹,⁵.

“A identificação de biomarcadores na oncologia tem permitido avançar em direção a tratamentos cada vez mais personalizados. Para pacientes com CPNPC avançado, previamente tratados e que apresentam alta expressão da proteína c-Met, a disponibilidade de uma terapia direcionada a essa característica representa uma nova possibilidade de tratamento. É uma abordagem desenvolvida para uma população específica e que pode ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis para esses pacientes”, afirma o oncologista William William, Líder Nacional de Oncologia Torácica e Co-Líder Nacional de Oncologia de Cabeça e Pescoço do Grupo Oncoclínicas.


Estudo clínico
 

A aprovação de telisotuzumabe vedotina pela Anvisa foi baseada nos resultados do estudo de Fase 2 LUMINOSITY, que avaliou a terapia em pacientes com CPNPC não escamoso localmente avançado ou metastático, previamente tratados e com expressão da proteína c-Met1,5. 

Entre os pacientes com alta expressão de c-Met - definida como expressão forte (3+) em pelo menos 50% das células tumorais - a taxa de resposta objetiva foi de 34,6%, com duração mediana da resposta de 9 meses5 e sobrevida global mediana de 14,6 meses5. Essa mesma população de eficácia foi considerada pela FDA para a aprovação acelerada nos Estados Unidos2. 

Telisotuzumabe vedotina é um anticorpo droga conjugado (ADC) que se liga à proteína c-Met e entrega uma carga citotóxica diretamente às células que expressam o biomarcador6, 7. O programa de desenvolvimento clínico também inclui o estudo global de Fase 3 TeliMET NSCLC-01, que avalia a terapia em comparação com docetaxel (quimioterapia padrão) em pacientes previamente tratados com CPNPC não escamoso, localmente avançado ou metastático, com superexpressão de c-Met e EGFR selvagem8. 

Em relação ao perfil de segurança observado no estudo que subsidiou a aprovação acelerada nos Estados Unidos, as reações adversas mais comuns foram neuropatia periférica, fadiga, diminuição do apetite e edema periférico2.



Sobre telisotuzumabe vedotina 

Telisotuzumabe vedotina é um anticorpo droga conjugado (ADC) direcionado à proteína c-Met. A molécula foi desenvolvida para reconhecer células tumorais que apresentam superexpressão dessa proteína e entregar uma carga citotóxica diretamente a essas células6,7. 

A proteína c-Met é um receptor de tirosina quinase que participa de vias relacionadas à proliferação, sobrevivência e migração celular. Sua expressão aumentada pode estar presente em diferentes tipos de tumores, incluindo o CPNPC, e tem sido associada a características de pior prognóstico em determinados grupos de pacientes6,7.


Sobre a AbbVie em Oncologia 

Na AbbVie, estamos comprometidos em transformar os padrões de tratamento para pacientes que vivem com cânceres de difícil tratamento. Estamos avançando com um portfólio de terapias em desenvolvimento para diferentes tipos de câncer, incluindo tumores sólidos e hematológicos.

Nosso foco é desenvolver medicamentos direcionados às necessidades dos pacientes e que contribuam para a evolução dos padrões de cuidado. Nesse contexto, investimos em abordagens de medicina de precisão, considerando as características biológicas e moleculares dos tumores para identificar biomarcadores e desenvolver terapias específicas para diferentes perfis de pacientes. Esse trabalho envolve diferentes modalidades terapêuticas, incluindo anticorpo droga conjugado (ADC), imunoterapia, anticorpos biespecíficos e terapias celulares.

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"Criança pode tomar energético?":ranking traz as 10 dúvidas sobre alimentação infantil mais populares no Google

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De energético e whey à pipoca, levantamento do Olá Doutor revela quais alimentos geram mais dúvidas entre os brasileiros 

 

A alimentação infantil segue como um dos grandes desafios de saúde no Brasil: segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, no último ano, 33% das crianças e adolescentes estavam com excesso de peso e 13% com obesidade. 

No mês em que se celebra o Dia das Crianças e o Dia da Alimentação (16/10), o Olá Doutor — plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos — mapeou as principais dúvidas dos brasileiros no Google sobre o que os pequenos podem consumir. As bebidas lideram com folga: concentram praticamente 6 em cada 10 buscas, à frente de doces e proteínas, por exemplo. 

Diante do impasse entre liberar ou proibir determinado consumo, as buscas digitais se tornaram o primeiro recurso de muitos pais e responsáveis. A seguir, o Olá Doutor esclarece as principais dúvidas identificadas no estudo. 


Quais grupos alimentares mais geram dúvidas?

Quando o assunto é a nutrição dos pequenos, o principal ponto de incerteza dos brasileiros está no copo. As bebidas concentram 57,9% das buscas sobre o que as crianças podem ou não consumir — uma proporção substancialmente superior à de categorias como doces (16,9%), proteínas (9,7%), frutas (8,3%), sementes e oleaginosas (5,0%) e temperos e condimentos (2,2%). 

O domínio das bebidas também se reflete no ranking geral de dúvidas que está abaixo: metade das dez perguntas online mais frequentes envolvem líquidos. Itens como energético, Gatorade, café, iogurte proteico e cerveja sem álcool dividem espaço com alimentos do dia a dia, a exemplo de pipoca, mel, chia, ovo e banana. 


As 10 dúvidas mais frequentes dos brasileiros sobre alimentação infantil

O ranking reúne dúvidas sobre diferentes tipos de bebidas e alimentos, desde produtos com cafeína até opções associadas à hidratação e ao consumo de proteínas. A variedade de itens pesquisados evidencia o interesse dos brasileiros em entender quais produtos podem fazer parte da alimentação infantil e quais cuidados devem ser considerados em cada caso. 

 


Criança pode tomar energético? e café?

O destaque para o energético (1º lugar, com 48.630 pesquisas) e o café (3º lugar, com 20.630) mostra que as dúvidas sobre alimentação infantil também alcançam alguns dos produtos mais populares entre os adultos. Ambas contêm cafeína, substância estimulante que pode provocar efeitos como agitação, alterações no sono e aceleração dos batimentos cardíacos em crianças e adolescentes. 

Para a Dra. Manoella Ferreira, gestora médica do Olá Doutor, a maior sensibilidade do organismo infantil exige cautela redobrada.  “As crianças sentem os efeitos da cafeína com doses bem mais baixas do que os adultos: um gole de energético ou meia xícara de café, por exemplo, já pode ser muito para um organismo em desenvolvimento.”, afirma. ”Por isso, produtos com apelo adulto ou voltados a desempenho e energia não devem ser incorporados à rotina dos pequenos”. 


Criança pode tomar Gatorade? E iogurte proteico?

A dúvida também aparece em relação a bebidas associadas à prática de atividades físicas: Gatorade (43.130 buscas) e iogurte proteico (8.740) estão entre os termos pesquisados. 

Os isotônicos foram criados para repor líquidos e sais minerais em atividades físicas intensas e prolongadas. Para a maioria das brincadeiras e esportes infantis, a água já é o suficiente, e essas bebidas possuem grandes quantidades de açúcares e sódio, que fazem mal para o organismo quando consumidos em excesso. 

Já quando o assunto são as bebidas proteicas, como o iogurte proteico, não existe uma recomendação específica sobre a idade mínima de corte. Nesse caso, é orientado que os pais ou responsáveis conversem com um médico ou nutricionista antes de introduzir a bebida na rotina.


E quanto à pipoca, ao ovo, à chia, à banana e ao mel? 

Nem sempre a dúvida está relacionada a alimentos pouco comuns na infância. Pipoca (14.650 buscas) e mel (12.980), por exemplo, aparecem entre os termos mais pesquisados devido a restrições específicas para crianças na primeira infância.

O mel não deve ser oferecido a bebês com menos de 1 ano e deve ser evitado em menores de 2 anos,  tendo como seu principal motivo o risco de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum, que produz uma toxina que pode provocar o botulismo. Já a pipoca exige atenção devido ao risco de engasgo, especialmente antes dos 4 anos. 

Já chia (11.810), ovo (10.950) e banana (9.860) estão entre os alimentos comuns na introdução alimentar, que começa a partir dos 6 meses. 

Criança pode beber cerveja sem álcool?

Nem mesmo a cerveja “sem álcool” escapa das dúvidas de quem convive com os pequenos: nos últimos 12 meses, a pergunta apareceu 7.350 vezes nos mecanismos de buscas. 

Apesar do nome, a bebida pode conter pequenos resíduos de etanol: a legislação brasileira permite até 0,5% de álcool em cervejas classificadas como "sem álcool". Por isso, ela não é indicada para crianças, tanto pelo teor alcoólico residual quanto por naturalizar um hábito associado ao consumo de álcool.

Whey, melatonina e creatina: as dúvidas sobre suplementação infantil

Além do prato, os suplementos também estão no radar das famílias, e com volumes de busca que superam os dos próprios alimentos. 

Mas, afinal, criança pode tomar Whey? E a creatina?

Whey (96.800) e creatina (49.890) são suplementos associados ao universo esportivo, geralmente usados por adultos em busca de ganho de massa muscular e melhora do desempenho. 

Para crianças, o uso não é indicado de forma rotineira e deve ser considerado apenas em situações específicas, sempre com orientação médica.




E quanto à melatonina? E outros nutrientes e minerais?

Segunda colocada, a melatonina (61.650) reflete a preocupação das famílias com o sono dos pequenos. O uso, no entanto, deve ocorrer somente após avaliação e prescrição médica, com acompanhamento de um pediatra ou neuropediatra, e nunca de forma livre ou sem orientação profissional. 

Nas demais posições aparecem vitaminas e minerais, como vitamina C (13.240), ômega 3 (8.040), magnésio (5.350), além de vitamina B12 (3.980) e psyllium (3.790). A regra geral é a mesma: a suplementação só é indicada quando há uma necessidade identificada por um profissional de saúde.  Já a glutamina (2.280), uso por crianças deve ocorrer somente com indicação expressa e acompanhamento de um médico. O própolis (9.620) também aparece entre as dúvidas dos brasileiros e pode ser introduzido a partir dos 2 anos de idade e pode ser utilizado para aliviar sintomas de doenças respiratórias e auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico, após a devida orientação médica.

“O crescimento do universo fitness e a popularização de conteúdos sobre suplementação fizeram com que produtos como whey protein e creatina se tornassem cada vez mais conhecidos também fora do ambiente esportivo. Isso naturalmente pode gerar dúvidas entre pais e responsáveis sobre o uso desses produtos por crianças. No entanto, a indicação de suplementos na infância não deve partir da tendência ou da exposição nas redes sociais, mas de uma avaliação médica individual das necessidades nutricionais da criança”, completa a doutora.


Metodologia

Para compreender as principais dúvidas dos brasileiros sobre alimentação e suplementação infantil, foram consideradas pesquisas realizadas no Google Brasil entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O levantamento contemplou buscas iniciadas pelo termo "criança pode" e suas variações, relacionadas a alimentos, bebidas e suplementos.

As buscas sobre alimentação foram agrupadas em seis categorias (bebidas, doces, proteínas, frutas, sementes e oleaginosas, e temperos e condimentos) para calcular a participação de cada grupo. Os itens mais pesquisados foram organizados em rankings de acordo com o volume total de buscas, com as dúvidas sobre suplementos analisadas separadamente.

 

Olá Doutor



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