Lesões no menisco, alterações na ressonância e medo de não voltar ao esporte estão entre as dúvidas mais comuns dos pacientes
Receber o diagnóstico de uma lesão no menisco, desgaste da cartilagem
ou outra alteração no joelho costuma vir acompanhado de uma preocupação: será
preciso operar? Embora a cirurgia seja necessária em determinados casos, a
decisão não deve ser baseada apenas na presença de dor ou no resultado de um
exame de imagem.
Problemas nessa articulação são frequentes. Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS), cerca de 365 milhões de pessoas no mundo convivem com
osteoartrite do joelho, tornando-o a articulação mais afetada pela doença.
“A indicação de cirurgia é individualizada. Precisamos considerar
o diagnóstico, a intensidade dos sintomas, quanto o problema limita o paciente,
sua rotina e atividade física e a resposta aos tratamentos já realizados. Nem
toda alteração encontrada em um exame significa que será necessário operar”,
explica o Prof. Dr. Ari Zekcer, ortopedista especialista em cirurgia do joelho
e traumatologia esportiva.
O especialista esclarece quatro mitos comuns sobre o assunto:
1. Lesão no menisco sempre precisa de cirurgia – MITO
Nem toda lesão meniscal precisa ser operada. Um consenso
internacional publicado em 2025 aponta o tratamento não cirúrgico, incluindo
exercícios e fisioterapia, como primeira abordagem para lesões degenerativas do
menisco e uma possibilidade em determinados tipos de lesões traumáticas.
“Fisioterapia, fortalecimento muscular e adaptação das atividades
podem trazer bons resultados em muitos casos. A cirurgia é avaliada conforme o
tipo de lesão, os sintomas, as limitações e a evolução de cada paciente”,
explica Zekcer.
2. Se a ressonância mostrou uma lesão, é preciso operar –
MITO
A ressonância magnética é uma ferramenta importante, mas não
determina sozinha a necessidade de cirurgia. Os achados precisam ser
relacionados aos sintomas e ao exame físico.
“Podemos encontrar alterações estruturais em pacientes que
apresentam poucos sintomas ou até nenhum. Por isso, tratamos o paciente e não
apenas a imagem. A decisão cirúrgica precisa considerar todo o quadro clínico”,
afirma.
3. Quem opera o joelho não consegue mais praticar esportes –
MITO
Dependendo da lesão e do procedimento realizado, voltar ao esporte
pode fazer parte dos objetivos do tratamento. O momento do retorno varia
conforme a recuperação da força, mobilidade, estabilidade e função do joelho.
“A cirurgia, quando bem indicada, busca justamente recuperar a
função. O retorno ao esporte precisa ser progressivo e acompanhado, respeitando
o tipo de procedimento e a evolução individual”, orienta o ortopedista.
4. Toda cirurgia no joelho exige meses sem andar – MITO
O tempo e as limitações durante a recuperação dependem do
procedimento. Cirurgias artroscópicas, reparos de menisco, reconstruções
ligamentares e próteses, por exemplo, possuem protocolos de reabilitação diferentes.
“Não existe um único tempo de recuperação para todas as cirurgias
do joelho. Em alguns procedimentos, a mobilização e o apoio são estimulados
precocemente; em outros, são necessárias restrições específicas. O planejamento
deve ser individualizado”, esclarece.
Para Zekcer, informação é importante tanto para evitar cirurgias
desnecessárias quanto para reduzir o receio quando o procedimento realmente é
indicado.
“O objetivo não é operar ou evitar a cirurgia a qualquer custo, mas escolher o tratamento que ofereça o melhor resultado para cada paciente. Em alguns casos, será possível seguir com tratamento conservador; em outros, a cirurgia será a alternativa mais adequada”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário