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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Cirurgia no joelho é sempre necessária? Ortopedista esclarece quatro mitos sobre o procedimento

 Lesões no menisco, alterações na ressonância e medo de não voltar ao esporte estão entre as dúvidas mais comuns dos pacientes

 

Receber o diagnóstico de uma lesão no menisco, desgaste da cartilagem ou outra alteração no joelho costuma vir acompanhado de uma preocupação: será preciso operar? Embora a cirurgia seja necessária em determinados casos, a decisão não deve ser baseada apenas na presença de dor ou no resultado de um exame de imagem. 

Problemas nessa articulação são frequentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 365 milhões de pessoas no mundo convivem com osteoartrite do joelho, tornando-o a articulação mais afetada pela doença. 

“A indicação de cirurgia é individualizada. Precisamos considerar o diagnóstico, a intensidade dos sintomas, quanto o problema limita o paciente, sua rotina e atividade física e a resposta aos tratamentos já realizados. Nem toda alteração encontrada em um exame significa que será necessário operar”, explica o Prof. Dr. Ari Zekcer, ortopedista especialista em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva. 

O especialista esclarece quatro mitos comuns sobre o assunto:
 

1. Lesão no menisco sempre precisa de cirurgia – MITO 

Nem toda lesão meniscal precisa ser operada. Um consenso internacional publicado em 2025 aponta o tratamento não cirúrgico, incluindo exercícios e fisioterapia, como primeira abordagem para lesões degenerativas do menisco e uma possibilidade em determinados tipos de lesões traumáticas. 

“Fisioterapia, fortalecimento muscular e adaptação das atividades podem trazer bons resultados em muitos casos. A cirurgia é avaliada conforme o tipo de lesão, os sintomas, as limitações e a evolução de cada paciente”, explica Zekcer.
 

2. Se a ressonância mostrou uma lesão, é preciso operar – MITO 

A ressonância magnética é uma ferramenta importante, mas não determina sozinha a necessidade de cirurgia. Os achados precisam ser relacionados aos sintomas e ao exame físico. 

“Podemos encontrar alterações estruturais em pacientes que apresentam poucos sintomas ou até nenhum. Por isso, tratamos o paciente e não apenas a imagem. A decisão cirúrgica precisa considerar todo o quadro clínico”, afirma.
 

3. Quem opera o joelho não consegue mais praticar esportes – MITO 

Dependendo da lesão e do procedimento realizado, voltar ao esporte pode fazer parte dos objetivos do tratamento. O momento do retorno varia conforme a recuperação da força, mobilidade, estabilidade e função do joelho. 

“A cirurgia, quando bem indicada, busca justamente recuperar a função. O retorno ao esporte precisa ser progressivo e acompanhado, respeitando o tipo de procedimento e a evolução individual”, orienta o ortopedista.
 

4. Toda cirurgia no joelho exige meses sem andar – MITO 

O tempo e as limitações durante a recuperação dependem do procedimento. Cirurgias artroscópicas, reparos de menisco, reconstruções ligamentares e próteses, por exemplo, possuem protocolos de reabilitação diferentes. 

“Não existe um único tempo de recuperação para todas as cirurgias do joelho. Em alguns procedimentos, a mobilização e o apoio são estimulados precocemente; em outros, são necessárias restrições específicas. O planejamento deve ser individualizado”, esclarece. 

Para Zekcer, informação é importante tanto para evitar cirurgias desnecessárias quanto para reduzir o receio quando o procedimento realmente é indicado. 

“O objetivo não é operar ou evitar a cirurgia a qualquer custo, mas escolher o tratamento que ofereça o melhor resultado para cada paciente. Em alguns casos, será possível seguir com tratamento conservador; em outros, a cirurgia será a alternativa mais adequada”, conclui.


 

 Prof. Dr. Ari Zekcer - referência nacional em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva, com 35 anos de experiência no tratamento de lesões ortopédicas, especialmente relacionadas à prática esportiva. É um dos pioneiros no país em transplante de menisco, cultura de condrócitos e uso de células-tronco para lesões da cartilagem, além de transplantes osteocondrais com enxertos de doação. Também atua na formação de especialistas, recebendo médicos para estágios em cirurgia do joelho. Possui especializações pela UNIFESP em Ortopedia e Traumatologia, Medicina Esportiva e Cirurgia do Joelho, formação em artroscopia nos Estados Unidos, MBA em Gestão em Saúde, pós-graduação e doutorado pela Santa Casa de São Paulo. Integra as principais sociedades científicas da área no Brasil e no exterior e é membro do grupo de especialistas em joelho do Hospital Israelita Albert Einstein.


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