Especialista explica as principais
mudanças físicas e emocionais desse período e destaca a importância do
acompanhamento médico para garantir qualidade de vida
A menopausa é o marco biológico
caracterizado pela interrupção definitiva da menstruação, confirmada após um
período superior a 12 meses consecutivos de amenorreia, sinalizando assim o fim
da idade reprodutiva da mulher. De acordo com uma metanálise realizada por
cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), esse processo geralmente ocorre entre os 46 e 52 anos de idade.
Com a transição demográfica e o envelhecimento da população, os
cuidados preventivos nessa fase tornaram-se ainda mais centrais para a saúde
pública. A queda na produção hormonal traz impactos significativos à saúde
feminina a longo prazo. Conforme documentado pela Sociedade Brasileira de
Cardiologia (SBC) em sua Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na
Menopausa, essa mudança metabólica está diretamente associada a riscos elevados
de condições cardiovasculares, osteoporose e distúrbios emocionais.
Segundo a Dra. Márcia Castilho Bindi, ginecologista
do dr.consulta, reconhecer os sinais, compreender os riscos associados e buscar
orientação profissional são medidas essenciais para atravessar essa etapa com
qualidade de vida. A seguir, a especialista explica as principais causas,
diferenças, sintomas comuns e tratamentos para melhorar a qualidade de vida.
O que causa a menopausa?
Ocorre principalmente devido à falência progressiva da função ovariana, resultando na diminuição dos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona, essenciais para o equilíbrio reprodutivo e metabólico feminino. Trata-se de um processo inato do organismo que se inicia ainda na fase intrauterina, pois a mulher nasce com um número limitado de folículos ovarianos.
Ao longo da vida, essas estruturas saculares são gradualmente perdidas por ovulação e atresia (degeneração dos que não ovulam e eliminação do estoque folicular), sem reposição, o que leva ao esgotamento completo.
Em alguns casos, pode acontecer de forma precoce, antes dos 40
anos, sendo classificada como insuficiência ovariana prematura. A causa está
ligada a fatores genéticos, autoimunes ou como consequência de intervenções
médicas, a exemplo da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia para retirada dos
ovários.
A menopausa também pode ser tardia (após os 55 anos),
mas raramente é revisada na literatura médica devido à baixa incidência,
conforme explica estudo publicado na Biblioteca Nacional de Medicina dos
Estados Unidos.
Nesses casos, a exposição prolongada ao estrogênio pode aumentar
as possibilidades de câncer, principalmente de mama e de endométrio.
Diferenças entre climatério, perimenopausa e menopausa
Não é raro confundir os conceitos. O climatério, na verdade, refere-se ao período completo da transição biológica.
De acordo com a Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na
Menopausa, ele pode começar por volta dos 40 anos e se estender até os 65 anos,
sendo marcado por variações hormonais e questões vasomotoras. Além disso,
divide-se em:
- pré-menopausa, quando ocorre o início da queda de fertilidade com
fluxo ainda normal;
- perimenopausa, geralmente dois anos antes até um ano após a última
menstruação, com sinais mais intensos e ciclos irregulares
- pós-menopausa, posterior ao último sangramento, com sintomas estabilizados.
Sintomas comuns da menopausa
A ausência completa da menstruação por um período igual ou superior a 12 meses consecutivos, sem outras causas identificadas, é o principal. Esse critério é considerado o mais confiável para o diagnóstico clínico, especialmente em mulheres com mais de 45 anos, conforme orientações da Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa.
Outras manifestações frequentemente relacionadas são, na verdade,
características de fases anteriores ou posteriores.
- fogachos (ondas de calor);
- suores noturnos;
- irregularidade menstrual;
- alterações de humor e do sono;
- redução da libido;
- dores articulares.
Na pós-menopausa, algumas mulheres podem continuar sentindo:
- secura vaginal e dor nas relações sexuais;
- redução da elasticidade da pele;
- maior possibilidade de ganho de peso e síndrome metabólica;
- sintomas emocionais como ansiedade e depressão.
Exames para diagnóstico da menopausa
O diagnóstico e a condução adequada da menopausa exigem o
acompanhamento de um profissional especializado, como ginecologista ou
endocrinologista. Esses especialistas estão preparados para interpretar os
sinais clínicos em conjunto com exames laboratoriais, considerar o histórico da
paciente e indicar o melhor plano de cuidados, permitindo também a avaliação de
possíveis riscos associados, como a osteoporose ou condições cardiovasculares,
o que garante mais segurança e qualidade de vida.
Entre os procedimentos indicados para a confirmação
estão a dosagem de FSH (hormônio folículo-estimulante), a dosagem de estradiol
(forma de estrogênio), a dosagem de TSH (para descartar alterações da tireóide)
e a avaliação clínica dos sintomas.
Tratamentos para melhorar a qualidade de vida após a
menopausa
Uma vez que o fim do período fértil gera uma série de impactos no
bem-estar geral, medidas podem ser adotadas para amenizar os efeitos
provocados. Entre elas:
- manter a alimentação balanceada, rica em cálcio, vitamina D e
fibras;
- praticar exercícios físicos regularmente;
- manter o peso dentro dos parâmetros considerados saudáveis;
- controlar a glicemia;
- buscar o apoio de nutricionistas, educadores físicos e psicólogos
para potencializar os benefícios dessas abordagens.
“A menopausa não
deve ser encarada como o fim de uma fase, mas sim como o início de um novo
ciclo que pode ser vivido com muita qualidade", afirma Márcia. "Com
informação correta, autocuidado e o suporte profissional adequado, cada mulher
ganha a autonomia necessária para tomar decisões conscientes, seguras e
personalizadas em prol da sua saúde e bem-estar", finaliza.
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