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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Além dos fogachos: como a menopausa afeta a saúde da mulher

Especialista explica as principais mudanças físicas e emocionais desse período e destaca a importância do acompanhamento médico para garantir qualidade de vida


A menopausa é o marco biológico caracterizado pela interrupção definitiva da menstruação, confirmada após um período superior a 12 meses consecutivos de amenorreia, sinalizando assim o fim da idade reprodutiva da mulher. De acordo com uma metanálise realizada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esse processo geralmente ocorre entre os 46 e 52 anos de idade. 

Com a transição demográfica e o envelhecimento da população, os cuidados preventivos nessa fase tornaram-se ainda mais centrais para a saúde pública. A queda na produção hormonal traz impactos significativos à saúde feminina a longo prazo. Conforme documentado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em sua Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa, essa mudança metabólica está diretamente associada a riscos elevados de condições cardiovasculares, osteoporose e distúrbios emocionais.

Segundo a Dra. Márcia Castilho Bindi, ginecologista do dr.consulta, reconhecer os sinais, compreender os riscos associados e buscar orientação profissional são medidas essenciais para atravessar essa etapa com qualidade de vida. A seguir, a especialista explica as principais causas, diferenças, sintomas comuns e tratamentos para melhorar a qualidade de vida.



O que causa a menopausa?
 

Ocorre principalmente devido à falência progressiva da função ovariana, resultando na diminuição dos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona, essenciais para o equilíbrio reprodutivo e metabólico feminino. Trata-se de um processo inato do organismo que se inicia ainda na fase intrauterina, pois a mulher nasce com um número limitado de folículos ovarianos. 

Ao longo da vida, essas estruturas saculares são gradualmente perdidas por ovulação e atresia (degeneração dos que não ovulam e eliminação do estoque folicular), sem reposição, o que leva ao esgotamento completo. 

Em alguns casos, pode acontecer de forma precoce, antes dos 40 anos, sendo classificada como insuficiência ovariana prematura. A causa está ligada a fatores genéticos, autoimunes ou como consequência de intervenções médicas, a exemplo da quimioterapia, radioterapia ou cirurgia para retirada dos ovários.

A menopausa também pode ser tardia (após os 55 anos), mas raramente é revisada na literatura médica devido à baixa incidência, conforme explica estudo publicado na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
 

Nesses casos, a exposição prolongada ao estrogênio pode aumentar as possibilidades de câncer, principalmente de mama e de endométrio.

 

Diferenças entre climatério, perimenopausa e menopausa 

Não é raro confundir os conceitos. O climatério, na verdade, refere-se ao período completo da transição biológica. 

De acordo com a Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa, ele pode começar por volta dos 40 anos e se estender até os 65 anos, sendo marcado por variações hormonais e questões vasomotoras. Além disso, divide-se em:

  • pré-menopausa, quando ocorre o início da queda de fertilidade com fluxo ainda normal;
  • perimenopausa, geralmente dois anos antes até um ano após a última menstruação, com sinais mais intensos e ciclos irregulares
  • pós-menopausa, posterior ao último sangramento, com sintomas estabilizados.


Sintomas comuns da menopausa 

A ausência completa da menstruação por um período igual ou superior a 12 meses consecutivos, sem outras causas identificadas, é o principal. Esse critério é considerado o mais confiável para o diagnóstico clínico, especialmente em mulheres com mais de 45 anos, conforme orientações da Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa. 

Outras manifestações frequentemente relacionadas são, na verdade, características de fases anteriores ou posteriores.

  • fogachos (ondas de calor);
  • suores noturnos;
  • irregularidade menstrual;
  • alterações de humor e do sono;
  • redução da libido;
  • dores articulares.


Na pós-menopausa, algumas mulheres podem continuar sentindo:

  • secura vaginal e dor nas relações sexuais;
  • redução da elasticidade da pele;
  • maior possibilidade de ganho de peso e síndrome metabólica;
  • sintomas emocionais como ansiedade e depressão.


Exames para diagnóstico da menopausa 

O diagnóstico e a condução adequada da menopausa exigem o acompanhamento de um profissional especializado, como ginecologista ou endocrinologista. Esses especialistas estão preparados para interpretar os sinais clínicos em conjunto com exames laboratoriais, considerar o histórico da paciente e indicar o melhor plano de cuidados, permitindo também a avaliação de possíveis riscos associados, como a osteoporose ou condições cardiovasculares, o que garante mais segurança e qualidade de vida.

Entre os procedimentos indicados para a confirmação estão a dosagem de FSH (hormônio folículo-estimulante), a dosagem de estradiol (forma de estrogênio), a dosagem de TSH (para descartar alterações da tireóide) e a avaliação clínica dos sintomas.



Tratamentos para melhorar a qualidade de vida após a menopausa
 

Uma vez que o fim do período fértil gera uma série de impactos no bem-estar geral, medidas podem ser adotadas para amenizar os efeitos provocados. Entre elas:

  • manter a alimentação balanceada, rica em cálcio, vitamina D e fibras;
  • praticar exercícios físicos regularmente;
  • manter o peso dentro dos parâmetros considerados saudáveis;
  • controlar a glicemia;
  • buscar o apoio de nutricionistas, educadores físicos e psicólogos para potencializar os benefícios dessas abordagens.

“A menopausa não deve ser encarada como o fim de uma fase, mas sim como o início de um novo ciclo que pode ser vivido com muita qualidade", afirma Márcia. "Com informação correta, autocuidado e o suporte profissional adequado, cada mulher ganha a autonomia necessária para tomar decisões conscientes, seguras e personalizadas em prol da sua saúde e bem-estar", finaliza.


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