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A alimentação infantil segue como um
dos grandes desafios de saúde no Brasil: segundo dados do Sistema de Vigilância
Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, no último ano, 33%
das crianças e adolescentes estavam com excesso de peso e 13% com obesidade.
No mês em que se celebra o Dia das
Crianças e o Dia da Alimentação (16/10), o Olá Doutor — plataforma de consultas
que conecta pacientes a médicos — mapeou as principais dúvidas dos brasileiros
no Google sobre o que os pequenos podem consumir. As bebidas lideram com
folga: concentram praticamente 6 em cada 10 buscas, à frente de doces
e proteínas, por exemplo.
Diante do impasse entre liberar ou
proibir determinado consumo, as buscas digitais se tornaram o primeiro recurso
de muitos pais e responsáveis. A seguir, o Olá Doutor esclarece as principais
dúvidas identificadas no estudo.
Quais grupos alimentares mais geram
dúvidas?
Quando o assunto é a nutrição dos
pequenos, o principal ponto de incerteza dos brasileiros está no copo. As
bebidas concentram 57,9% das buscas sobre o que as crianças podem ou não
consumir — uma proporção substancialmente superior à de categorias como doces
(16,9%), proteínas (9,7%), frutas (8,3%), sementes e oleaginosas (5,0%) e
temperos e condimentos (2,2%).
O domínio das bebidas também se reflete
no ranking geral de dúvidas que está abaixo: metade das dez perguntas online
mais frequentes envolvem líquidos. Itens como energético, Gatorade, café,
iogurte proteico e cerveja sem álcool dividem espaço com alimentos do dia a
dia, a exemplo de pipoca, mel, chia, ovo e banana.
As 10 dúvidas mais frequentes dos
brasileiros sobre alimentação infantil
O ranking reúne dúvidas sobre
diferentes tipos de bebidas e alimentos, desde produtos com cafeína até opções
associadas à hidratação e ao consumo de proteínas. A variedade de itens
pesquisados evidencia o interesse dos brasileiros em entender quais produtos
podem fazer parte da alimentação infantil e quais cuidados devem ser
considerados em cada caso.
Criança pode tomar energético? e café?
O destaque para o energético (1º lugar, com 48.630 pesquisas) e o café (3º lugar, com 20.630) mostra que as dúvidas sobre alimentação infantil também alcançam alguns dos produtos mais populares entre os adultos. Ambas contêm cafeína, substância estimulante que pode provocar efeitos como agitação, alterações no sono e aceleração dos batimentos cardíacos em crianças e adolescentes.
Para a Dra. Manoella Ferreira, gestora
médica do Olá Doutor, a maior sensibilidade do organismo infantil exige cautela
redobrada. “As crianças sentem os efeitos da cafeína com doses bem mais
baixas do que os adultos: um gole de energético ou meia xícara de café, por
exemplo, já pode ser muito para um organismo em desenvolvimento.”, afirma. ”Por
isso, produtos com apelo adulto ou voltados a desempenho e energia não devem
ser incorporados à rotina dos pequenos”.
Criança pode tomar Gatorade? E iogurte
proteico?
A dúvida também aparece em relação a bebidas associadas à prática de atividades físicas: Gatorade (43.130 buscas) e iogurte proteico (8.740) estão entre os termos pesquisados.
Os isotônicos foram criados para repor
líquidos e sais minerais em atividades físicas intensas e prolongadas. Para a
maioria das brincadeiras e esportes infantis, a água já é o suficiente, e essas
bebidas possuem grandes quantidades de açúcares e sódio, que fazem mal para o
organismo quando consumidos em excesso.
Já quando o assunto são as bebidas
proteicas, como o iogurte proteico, não existe uma recomendação
específica sobre a idade mínima de corte. Nesse caso, é orientado que os pais
ou responsáveis conversem com um médico ou nutricionista antes de introduzir a
bebida na rotina.
E quanto à pipoca, ao ovo, à chia, à
banana e ao mel?
Nem sempre a dúvida está relacionada a alimentos pouco comuns na infância. Pipoca (14.650 buscas) e mel (12.980), por exemplo, aparecem entre os termos mais pesquisados devido a restrições específicas para crianças na primeira infância.
O mel não deve ser oferecido a bebês
com menos de 1 ano e deve ser evitado em menores de 2 anos, tendo como
seu principal motivo o risco de contaminação pela bactéria Clostridium
botulinum, que produz uma toxina que pode provocar o botulismo. Já a pipoca
exige atenção devido ao risco de engasgo, especialmente antes dos 4 anos.
Já chia (11.810), ovo (10.950) e
banana (9.860) estão entre os alimentos comuns na introdução alimentar, que
começa a partir dos 6 meses.
Criança pode beber cerveja sem álcool?
Nem mesmo a cerveja “sem álcool”
escapa das dúvidas de quem convive com os pequenos: nos últimos 12 meses, a
pergunta apareceu 7.350 vezes nos mecanismos de buscas.
Apesar do nome, a bebida pode conter
pequenos resíduos de etanol: a legislação brasileira permite até 0,5% de álcool
em cervejas classificadas como "sem álcool". Por isso, ela não é
indicada para crianças, tanto pelo teor alcoólico residual quanto por
naturalizar um hábito associado ao consumo de álcool.
Whey, melatonina e creatina: as dúvidas
sobre suplementação infantil
Além do prato, os suplementos também
estão no radar das famílias, e com volumes de busca que superam os dos próprios
alimentos.
Mas, afinal, criança pode tomar Whey? E
a creatina?
Whey (96.800) e creatina (49.890) são suplementos associados ao
universo esportivo, geralmente usados por adultos em busca de ganho de massa
muscular e melhora do desempenho.
Para crianças, o uso não é indicado de
forma rotineira e deve ser considerado apenas em situações específicas, sempre
com orientação médica.
E quanto à melatonina? E outros
nutrientes e minerais?
Segunda colocada, a melatonina
(61.650) reflete a preocupação das famílias com o sono dos pequenos. O uso,
no entanto, deve ocorrer somente após avaliação e prescrição médica, com
acompanhamento de um pediatra ou neuropediatra, e nunca de forma livre ou sem
orientação profissional.
Nas demais posições aparecem vitaminas
e minerais, como vitamina C (13.240), ômega 3 (8.040),
magnésio (5.350), além de vitamina B12 (3.980) e psyllium
(3.790). A regra geral é a mesma: a suplementação só é indicada
quando há uma necessidade identificada por um profissional de saúde. Já a
glutamina (2.280), uso por crianças deve ocorrer somente com indicação
expressa e acompanhamento de um médico. O própolis (9.620) também
aparece entre as dúvidas dos brasileiros e pode ser introduzido a partir dos 2
anos de idade e pode ser utilizado para aliviar sintomas de doenças
respiratórias e auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico, após a
devida orientação médica.
“O crescimento do universo fitness e a
popularização de conteúdos sobre suplementação fizeram com que produtos como
whey protein e creatina se tornassem cada vez mais conhecidos também fora do
ambiente esportivo. Isso naturalmente pode gerar dúvidas entre pais e
responsáveis sobre o uso desses produtos por crianças. No entanto, a indicação
de suplementos na infância não deve partir da tendência ou da exposição nas
redes sociais, mas de uma avaliação médica individual das necessidades
nutricionais da criança”, completa a doutora.
Metodologia
Para compreender as principais dúvidas
dos brasileiros sobre alimentação e suplementação infantil, foram consideradas
pesquisas realizadas no Google Brasil entre setembro de 2025 e agosto de 2026.
O levantamento contemplou buscas iniciadas pelo termo "criança pode"
e suas variações, relacionadas a alimentos, bebidas e suplementos.
As buscas sobre alimentação foram
agrupadas em seis categorias (bebidas, doces, proteínas, frutas, sementes e
oleaginosas, e temperos e condimentos) para calcular a participação de cada
grupo. Os itens mais pesquisados foram organizados em rankings de acordo com o
volume total de buscas, com as dúvidas sobre suplementos analisadas
separadamente.
Olá
Doutor




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