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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Para a geração Z, imóvel do Minha Casa, Minha Vida custa 6,5 anos de renda, aponta estudo da Morada.ai

Pesquisa da Morada.ai revela que 82,5% dos que simulam financiamento são das gerações Z e Y, mas jovens têm menos recursos para entrada e enfrentam uma distância entre renda e preço do imóvel até 50% maior que a das outras gerações

 

A Morada.ai, empresa brasileira especializada em inteligência artificial para o mercado imobiliário, realizou um levantamento inédito sobre o comportamento de quem busca imóveis novos no Brasil. O estudo mostra que, no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o preço do imóvel equivale a 6,5 anos de renda familiar para a geração Z, enquanto nas demais gerações essa relação varia de 4,3 a 4,7 anos. A diferença evidencia os desafios financeiros enfrentados pelos compradores mais jovens para acessar a casa própria. 

A pesquisa “Como se busca imóvel novo: gerações, padrões e regiões” analisou simulações de financiamento e conversas com a Mia, inteligência artificial da Morada.ai que já foi utilizada por mais de 300 incorporadoras e imobiliárias, tendo atendido quase 5 milhões de pessoas. 

Os dados mostram que 82,5% das pessoas que simulam financiamento pertencem às gerações Z e Y, sendo 38,2% da primeira e 44,3% da segunda. Além disso, 84% possuem renda familiar de até R$ 10 mil mensais. A base de simulações é concentrada principalmente no segmento econômico.


Levantamento feito pela Morada.ai


No MCMV, a renda mensal familiar mediana dos interessados é de R$ 4.500, enquanto o imóvel tem preço mediano de R$ 298 mil, equivalente a 5,7 anos de renda. Entre os integrantes da geração Z, cuja renda mediana é de R$ 4 mil, essa relação sobe para 6,5 anos. Na geração Y, cai para 4,7 anos; na X, para 4,3; e entre os baby boomers, para 4,5 anos. O indicador compara o preço do imóvel à renda familiar anual, sem considerar juros ou condições de financiamento.

A disponibilidade de recursos para a entrada também varia. A entrada mediana é de R$ 4 mil na geração Z, R$ 8 mil na Y, R$ 10 mil na X e R$ 5 mil entre os boomers. Apenas 1,8% dos jovens declaram ter o equivalente a pelo menos 20% do preço do imóvel, percentual que chega a 10,5% na geração X. 

Para Ramon Azevedo, CEO e cofundador da Morada.ai, as condições de financiamento são determinantes para a capacidade de compra. “O dado mais importante não é apenas quanto custa um imóvel, mas o peso desse valor sobre a renda de quem pretende comprá-lo. Quando observamos que, para a geração Z, o imóvel custa 6,5 anos de renda, contra 4,3 a 4,7 nas outras gerações, fica claro o tamanho do desafio de acesso à casa própria. Não se trata apenas da taxa de juros, mas também da capacidade de poupar para a entrada e de encontrar condições de financiamento compatíveis com a realidade financeira do comprador”, analisa o executivo.


Jovens perguntam menos sobre dinheiro, apesar de terem menor entrada

Uma das diferenças identificadas pelo levantamento está no comportamento durante a busca. Embora tenham menor renda e menos recursos para entrada, os integrantes da geração Z são os que menos fazem perguntas sobre parcelas, entrada e preço. 

Entre os jovens que simularam financiamento, apenas 10,9% das conversas incluem perguntas sobre parcelas, 10% sobre entrada e 26,9% abordam o preço do imóvel. Entre os boomers, esses percentuais sobem para 28,8%, 32,8% e 36,4%, respectivamente. A preocupação com localização também aumenta conforme a idade, passando de 15,4% das conversas da geração Z para 31,8% entre os boomers. 

As objeções à compra seguem a mesma tendência. Enquanto 9% dos jovens apresentam alguma resistência durante a conversa, o percentual chega a 33,3% entre os boomers. O perfil familiar também muda: 70,2% dos integrantes da geração Z que simulam financiamento são solteiros, enquanto 69,3% da geração X possuem dependentes e 57,5% dos boomers são aposentados. 

“Um dos achados mais interessantes é que os jovens, mesmo tendo menos recursos para a entrada, são os que menos perguntam sobre parcelas, entrada e preço. Isso mostra como a jornada de compra muda entre as gerações e reforça a necessidade de as incorporadoras entenderem melhor o perfil de cada consumidor. É preciso identificar desde o início se ele tem condições reais de avançar na compra”, afirma Luis Veloso, CRO e cofundador da Morada.ai.


 

Mesmo preço compra imóvel 71% maior fora da capital paulista

As diferenças regionais também aparecem no levantamento. No segmento de médio e alto padrão, um imóvel na capital paulista custa, em média, R$ 824 mil e possui 60,6 m². Fora da cidade, o preço médio é de R$ 805 mil para uma área de 103,7 m², aproximadamente 71% maior. O metro quadrado chega a R$ 13.502 em São Paulo, ante R$ 11.161 no restante do país. 

No Minha Casa, Minha Vida, os imóveis analisados têm, em média, 43,9 m² na capital paulista, com preço de R$ 270 mil, enquanto nas demais regiões a área é de 68,5 m², por R$ 308 mil. 

A pesquisa mostra ainda que as características regionais influenciam as dúvidas dos compradores. No MCMV, 10,4% das conversas em São Paulo incluem perguntas sobre vagas de garagem, contra 1,1% no restante do país. No médio e alto padrão, o interesse por metragem aparece em 17,5% das interações na capital paulista, ante 8,8% nas demais regiões.
 


No econômico, financiamento é prioridade; no alto padrão, preço e características do imóvel

O padrão do empreendimento também altera as prioridades dos compradores. No MCMV, 19,5% das conversas incluem perguntas sobre financiamento, contra 8,6% no médio e alto padrão e 8,3% no altíssimo. Já o preço aparece em 54,4% das conversas do médio e alto padrão, ante 33,7% no econômico. 

Nos imóveis acima de R$ 1,5 milhão, ganham importância as perguntas sobre prazo de obra (19,4%) e disponibilidade de unidades (12,8%). Independentemente do segmento, a localização permanece como principal filtro utilizado nas buscas realizadas pela inteligência artificial, presente em 56,4% a 65,9% delas. 

O levantamento também revela diferenças nos hábitos de busca. No médio e alto padrão em São Paulo, 18,9% das mensagens são enviadas entre 22h e 6h, contra 7,8% no restante do país. A geração Z responde às mensagens da inteligência artificial em uma mediana de 22 segundos, enquanto os boomers levam 41 segundos. 

Os dados podem ajudar as incorporadoras a compreender melhor as necessidades de cada perfil de comprador, desde as condições de crédito até as características dos imóveis e os horários de atendimento. Para Luis Veloso, o desafio está em transformar essas informações em resultados comerciais. “Nosso foco é fazer com que as empresas consigam converter adoção de Inteligência Artificial em produtividade, eficiência e resultado financeiro. Essa passa a ser uma discussão central para o setor”, afirma. 

A pesquisa analisou dados anonimizados de simulações de financiamento e conversas realizadas com a Mia entre outubro de 2025 e setembro de 2026. Os recortes geracionais consideram apenas consumidores que realizaram simulações, uma base concentrada no Minha Casa, Minha Vida, e não representam necessariamente o mercado imobiliário como um todo. Os indicadores refletem comportamento e intenção de compra, não vendas concluídas. 

O uso de inteligência artificial tem ganhado espaço no mercado imobiliário por transformar milhões de conversas em informações sobre o comportamento do comprador e oportunidades de negócio. É o que faz a Morada.ai. Por meio da Mia, integrada ao WhatsApp, Instagram e canais digitais das incorporadoras, a empresa ajuda o consumidor a encontrar imóveis compatíveis com sua renda e suas preferências, tirar dúvidas sobre os empreendimentos, simular financiamentos, entender as condições de pagamento e agendar visitas. A tecnologia também coleta informações sobre o perfil e o interesse de compra de cada cliente e encaminha os contatos qualificados aos corretores, com o histórico da conversa. Somente em 2025, a Mia participou da comercialização de 15 mil imóveis.
 


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