Pesquisa da Morada.ai revela que 82,5% dos que simulam financiamento são das gerações Z e Y, mas jovens têm menos recursos para entrada e enfrentam uma distância entre renda e preço do imóvel até 50% maior que a das outras gerações
A Morada.ai, empresa brasileira especializada em inteligência
artificial para o mercado imobiliário, realizou um levantamento inédito sobre o
comportamento de quem busca imóveis novos no Brasil. O estudo mostra que, no
Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o preço do imóvel equivale a 6,5 anos de renda
familiar para a geração Z, enquanto nas demais gerações essa relação varia de
4,3 a 4,7 anos. A diferença evidencia os desafios financeiros
enfrentados pelos compradores mais jovens para acessar a casa própria.
A pesquisa “Como se busca imóvel novo: gerações, padrões
e regiões” analisou simulações de financiamento e conversas com a Mia,
inteligência artificial da Morada.ai que já foi utilizada por mais de 300
incorporadoras e imobiliárias, tendo atendido quase 5 milhões de pessoas.
Os dados mostram que 82,5% das pessoas que simulam financiamento
pertencem às gerações Z e Y, sendo 38,2% da primeira e 44,3% da segunda. Além
disso, 84% possuem renda familiar de até R$ 10 mil mensais. A base de
simulações é concentrada principalmente no segmento econômico.
No MCMV, a renda mensal familiar mediana dos interessados é de R$
4.500, enquanto o imóvel tem preço mediano de R$ 298 mil, equivalente a 5,7
anos de renda. Entre os integrantes da geração Z, cuja renda mediana é de R$ 4
mil, essa relação sobe para 6,5 anos. Na geração Y, cai para 4,7 anos; na X,
para 4,3; e entre os baby boomers, para 4,5 anos. O indicador compara o preço
do imóvel à renda familiar anual, sem considerar juros ou condições de
financiamento.
A disponibilidade de recursos para a entrada também varia. A
entrada mediana é de R$ 4 mil na geração Z, R$ 8 mil na Y, R$ 10 mil na X e R$
5 mil entre os boomers. Apenas 1,8% dos jovens declaram ter o equivalente a
pelo menos 20% do preço do imóvel, percentual que chega a 10,5% na geração X.
Para Ramon Azevedo, CEO e cofundador da
Morada.ai, as condições de financiamento são determinantes para a capacidade de
compra. “O dado mais importante não é apenas quanto custa um imóvel, mas o
peso desse valor sobre a renda de quem pretende comprá-lo. Quando observamos
que, para a geração Z, o imóvel custa 6,5 anos de renda, contra 4,3 a 4,7 nas
outras gerações, fica claro o tamanho do desafio de acesso à casa própria. Não
se trata apenas da taxa de juros, mas também da capacidade de poupar para a
entrada e de encontrar condições de financiamento compatíveis com a realidade
financeira do comprador”, analisa o executivo.
Jovens perguntam menos sobre dinheiro, apesar de terem menor entrada
Uma das diferenças identificadas pelo levantamento está no
comportamento durante a busca. Embora tenham menor renda e menos recursos para
entrada, os integrantes da geração Z são os que menos fazem perguntas sobre
parcelas, entrada e preço.
Entre os jovens que simularam
financiamento, apenas 10,9% das conversas incluem perguntas sobre parcelas, 10%
sobre entrada e 26,9% abordam o preço do imóvel. Entre os boomers, esses
percentuais sobem para 28,8%, 32,8% e 36,4%, respectivamente. A preocupação com
localização também aumenta conforme a idade, passando de 15,4% das conversas da
geração Z para 31,8% entre os boomers.
As objeções à compra seguem a mesma
tendência. Enquanto 9% dos jovens apresentam alguma resistência durante a
conversa, o percentual chega a 33,3% entre os boomers. O perfil familiar também
muda: 70,2% dos integrantes da geração Z que simulam financiamento são
solteiros, enquanto 69,3% da geração X possuem dependentes e 57,5% dos boomers
são aposentados.
“Um dos achados mais interessantes é que os jovens, mesmo tendo menos recursos para a entrada, são os que menos perguntam sobre parcelas, entrada e preço. Isso mostra como a jornada de compra muda entre as gerações e reforça a necessidade de as incorporadoras entenderem melhor o perfil de cada consumidor. É preciso identificar desde o início se ele tem condições reais de avançar na compra”, afirma Luis Veloso, CRO e cofundador da Morada.ai.
Mesmo preço compra
imóvel 71% maior fora da capital paulista
As diferenças regionais também aparecem
no levantamento. No segmento de médio e alto padrão, um imóvel na capital
paulista custa, em média, R$ 824 mil e possui 60,6 m². Fora da cidade, o preço
médio é de R$ 805 mil para uma área de 103,7 m², aproximadamente 71% maior. O
metro quadrado chega a R$ 13.502 em São Paulo, ante R$ 11.161 no restante do
país.
No Minha Casa, Minha Vida, os imóveis
analisados têm, em média, 43,9 m² na capital paulista, com preço de R$ 270 mil,
enquanto nas demais regiões a área é de 68,5 m², por R$ 308 mil.
A pesquisa mostra ainda que as
características regionais influenciam as dúvidas dos compradores. No MCMV,
10,4% das conversas em São Paulo incluem perguntas sobre vagas de garagem,
contra 1,1% no restante do país. No médio e alto padrão, o interesse por
metragem aparece em 17,5% das interações na capital paulista, ante 8,8% nas
demais regiões.
No econômico,
financiamento é prioridade; no alto padrão, preço e características do imóvel
O padrão do empreendimento também
altera as prioridades dos compradores. No MCMV, 19,5% das conversas incluem
perguntas sobre financiamento, contra 8,6% no médio e alto padrão e 8,3% no
altíssimo. Já o preço aparece em 54,4% das conversas do médio e alto padrão,
ante 33,7% no econômico.
Nos imóveis acima de R$ 1,5 milhão,
ganham importância as perguntas sobre prazo de obra (19,4%) e disponibilidade
de unidades (12,8%). Independentemente do segmento, a localização permanece
como principal filtro utilizado nas buscas realizadas pela inteligência
artificial, presente em 56,4% a 65,9% delas.
O levantamento também revela diferenças
nos hábitos de busca. No médio e alto padrão em São Paulo, 18,9% das mensagens
são enviadas entre 22h e 6h, contra 7,8% no restante do país. A geração Z
responde às mensagens da inteligência artificial em uma mediana de 22 segundos,
enquanto os boomers levam 41 segundos.
Os dados podem ajudar as incorporadoras
a compreender melhor as necessidades de cada perfil de comprador, desde as
condições de crédito até as características dos imóveis e os horários de
atendimento. Para Luis Veloso, o desafio está em transformar essas informações
em resultados comerciais. “Nosso foco é fazer com que as empresas consigam
converter adoção de Inteligência Artificial em produtividade, eficiência e
resultado financeiro. Essa passa a ser uma discussão central para o setor”,
afirma.
A pesquisa analisou dados anonimizados
de simulações de financiamento e conversas realizadas com a Mia entre outubro
de 2025 e setembro de 2026. Os recortes geracionais consideram apenas
consumidores que realizaram simulações, uma base concentrada no Minha Casa,
Minha Vida, e não representam necessariamente o mercado imobiliário como um
todo. Os indicadores refletem comportamento e intenção de compra, não vendas
concluídas.
O uso de inteligência artificial tem
ganhado espaço no mercado imobiliário por transformar milhões de conversas em
informações sobre o comportamento do comprador e oportunidades de negócio. É o
que faz a Morada.ai. Por meio da Mia, integrada ao WhatsApp, Instagram e canais
digitais das incorporadoras, a empresa ajuda o consumidor a encontrar imóveis compatíveis
com sua renda e suas preferências, tirar dúvidas sobre os empreendimentos,
simular financiamentos, entender as condições de pagamento e agendar visitas. A
tecnologia também coleta informações sobre o perfil e o interesse de compra de
cada cliente e encaminha os contatos qualificados aos corretores, com o
histórico da conversa. Somente em 2025, a Mia participou da comercialização de
15 mil imóveis.

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