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terça-feira, 20 de outubro de 2026

AVC hemorrágico tem mortalidade hospitalar quase três vezes maior que o isquêmico

Levantamento da Plataforma DRG Brasil reúne 157,7 mil internações estimou custo hospitalar de R$ 3,82 bilhões para os casos analisados


157,7 mil

internações por AVC

16,1%

mortalidade hospitalar global

67,6%

dos AVCs hemorrágicos com CTI

R$ 3,82 bi

custo previsto total estimado

 

No contexto da Campanha Nacional de Combate ao AVC, promovida pela Rede Brasil AVC neste mês e com reforço na data de 29 de outubro (Dia Mundial do Combate ao AVC), um levantamento da Plataforma DRG Brasil, conduzido pelo Grupo IAG Saúde, apresenta a dimensão da demanda hospitalar relacionada à doença. 

O AVC constitui um importante problema de saúde pública, devido à sua elevada contribuição para a mortalidade, incapacidade e utilização de recursos assistenciais. Entre janeiro de 2020 e junho de 2026, foram identificadas 157.685 internações de pacientes com 14 anos ou mais, em razão do problema. 

Do total, 71.834 internações (45,6%) foram classificadas como AVC isquêmico, 29.286 (18,6%) como hemorrágico e 56.565 (35,9%) como AVC não especificado. No período, o AVC respondeu por 1,5% das internações hospitalares da população analisada. 

A condição envolve internações prolongadas, necessidade de cuidados intensivos, suporte ventilatório e custos elevados. Essas repercussões podem variar conforme o tipo de AVC, a gravidade do quadro clínico e as características dos pacientes, tornando relevante a avaliação comparativa das apresentações isquêmica e hemorrágica. 

O número absoluto de internações não deve ser interpretado como tendência de incidência. “A cobertura da Plataforma DRG Brasil cresceu ao longo dos anos. A participação proporcional do AVC nas internações variou de 1,3% a 1,7%”, ressalta o levantamento.

 

AVC hemorrágico exige mais recursos e apresenta maior mortalidade 

O AVC pode acontecer de duas maneiras. Uma delas é o tipo hemorrágico, quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia, que pode ocorrer dentro do tecido cerebral ou na superfície do cérebro. É responsável por cerca de 15% dos casos de AVC, mas apresenta maior risco de morte. 

Já o AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de sangue e oxigênio para as células cerebrais. Essa obstrução pode ocorrer devido a uma placa de gordura ou a um coágulo proveniente do coração. O AVC isquêmico é o mais comum e representa cerca de 85% dos casos. 

O levantamento do Grupo IAG Saúde aponta que a mortalidade hospitalar chegou a 30,8% nas internações por AVC hemorrágico, contra 11,8% no isquêmico. A permanência média foi de 13,2 dias no grupo hemorrágico e de 9,0 dias no isquêmico. 

A necessidade de cuidados intensivos ocorreu em 67,6% das internações por AVC hemorrágico, frente a 36,5% no isquêmico. A utilização de ventilação mecânica foi de 39,1% e 12,3%, respectivamente. Condições adquiridas graves foram registradas em 15,5% e 8,3% das internações. 

“As diferenças persistem nas duas faixas etárias estudadas e mostram maior demanda assistencial nas internações por AVC hemorrágico. Os indicadores descrevem as internações registradas, sem estabelecer relações causais”, diz o levantamento.

 

Pacientes mais jovens têm participação maior no AVC hemorrágico 

No conjunto das internações por AVC, 85,4% ocorreram em pessoas acima de 50 anos. Entretanto, pacientes de 14 a 50 anos representaram 24,2% das internações por AVC hemorrágico, proporção aproximadamente duas vezes maior que a observada no AVC isquêmico (12,3%). 

No AVC hemorrágico, o Casemix — indicador de complexidade assistencial — foi de 3,1489 entre os pacientes de 14 a 50 anos e de 2,7578 naqueles acima de 50 anos. No AVC isquêmico, os valores foram semelhantes entre as faixas etárias (1,7102 e 1,7087).

 

Custo médio previsto do AVC hemorrágico é quase o dobro 

O custo médio previsto por internação foi de R$ 43.959,29 no AVC hemorrágico e R$ 22.117,79 no isquêmico. Apesar de apresentar menos internações, o AVC hemorrágico reuniu custo total previsto estimado de R$ 1,29 bilhão, comparado a R$ 1,59 bilhão no isquêmico. 

Considerando os três grupos de AVC, o custo total previsto foi estimado em R$ 3,82 bilhões, com custo médio de R$ 24.232,98 por internação. Os valores são estimativas padronizadas e não representam despesas hospitalares efetivamente realizadas. 

“O contraste entre volume de internações e custo médio destaca o peso assistencial do AVC hemorrágico. Os custos foram estimados a partir das internações com valores disponíveis, usando referências do ano fiscal de 2026”, pontua a análise.

 

Sinais de alerta e prevenção 

Em um episódio de AVC, cada minuto conta, como enfatiza a campanha mundial deste ano. Por isso, é fundamental saber identificar os sintomas. “A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, a pessoa perde 1,9 milhão de neurônios. Sinais como fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão, alteração da fala ou compreensão; alteração na visão (em um ou ambos os olhos); alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar; e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente, são alertas”, explica a neurologista Dra. Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC.  

A especialista destaca que uma sigla fácil de lembrar, VÁ De SAMU, pode auxiliar na identificação do AVC.  

“O ‘VA’ de Visão Alterada’, o ‘De’ de ‘Desequilíbrio’, o ‘S’ é de ‘sorria’: peça à pessoa para sorrir e observe se a boca fica torta. O ‘A’ é de ‘abrace’: peça para levantar os dois braços e veja se um deles está fraco. O ‘M’ é de ‘mensagem’ ou ‘música’: peça para a pessoa falar alguma coisa e observe se a fala está alterada. E o ‘U’ é de ‘urgente’: diante de qualquer um desses sinais, é preciso ligar imediatamente para o SAMU, pelo 192.” 

Entre 80 e 90% dos AVCs estão associados a fatores de risco potencialmente modificáveis, e grande parte pode ser prevenida com hábitos saudáveis e controle adequado dos fatores de risco. “É fundamental conhecer e controlar a pressão arterial, diabetes e colesterol, identificar e tratar arritmias cardíacas (fibrilação atrial), não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação saudável, evitar obesidade e realizar acompanhamento médico adequado. Prevenção e reconhecimento rápido dos sintomas podem salvar vidas e evitar incapacidade”, enfatiza a médica.

 

Sobre o levantamento 

Estudo observacional, retrospectivo e descritivo com internações registradas na Plataforma DRG Brasil, com alta entre janeiro de 2020 e junho de 2026, de pacientes com 14 anos ou mais. Foram incluídos diagnósticos principais CID-10 I60 e I61 (AVC hemorrágico), I63 (isquêmico) e I64 (não especificado). Registros de compartilhamento foram excluídos para evitar duplicidade. 

Os indicadores foram analisados por tipo de AVC e faixa etária. A estimativa de custo utilizou o percentil 50 hospitalar dos DRGs refinados, ano fiscal de 2026; o custo total foi extrapolado com base no custo médio das internações com informação disponível. A expansão da base e a proporção de AVC não especificado limitam interpretações epidemiológicas e comparações entre tipos.



Grupo IAG Saúde.

Rede Brasil AVC
www.redebrasilavc.org.br


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