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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Congelamento de óvulos cresce 66% nos últimos 5 anos no Brasil¹, acompanhando a tendência de postergação da maternidade

Especialista alerta para os limites do relógio biológico e destaca como tratamentos como a FIV apoiam o planejamento reprodutivo seguro

 

No Brasil, assim como em grande parte do mundo, a taxa de natalidade tem caído e já se encontra abaixo do nível de reposição populacional2, refletindo a decisão cada vez mais comum de postergar a maternidade. Diante dessa realidade, o planejamento reprodutivo ganhou força inédita: segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio/Anvisa), o congelamento de embriões no país cresceu 66% entre 2020 e 2025, passando de 86.833 para 144.548 embriões congelados1. 

O adiamento da gravidez, no entanto, esbarra em uma fronteira biológica. A partir dos 35 anos, grande parte das mulheres passam por uma redução natural e progressiva da reserva ovariana, o que afeta não apenas a quantidade, mas principalmente a qualidade dos óvulos.³ “Esse declínio pode dificultar a concepção espontânea e aumentar os riscos associados à gestação”, alerta Grazielle Arronqui, gerente médica em Medicina Reprodutiva da Ferring Brasil. 

Para apoiar o desejo da maternidade diante desse cenário, a medicina reprodutiva tem avançado significativamente. "Quando falamos de maternidade tardia, o fator tempo é o nosso principal marcador. Por isso, conhecer a própria fertilidade de forma preventiva é fundamental para que essa paciente tenha poder de escolha no futuro. A ciência atua exatamente como uma ponte entre o desejo de ser mãe e o momento em que a mulher se sente verdadeiramente pronta para isso", explica Grazielle.
 

Congelamento de óvulos

Para as mulheres que desejam ter filhos, mas reconhecem que o momento ideal será mais à frente, a criopreservação (congelamento de óvulos) é um caminho, o que explica a alta procura registrada pela Anvisa nos últimos anos. O procedimento permite captar e armazenar os óvulos com a qualidade celular correspondente à idade em que foram congelados. “Assim, uma mulher que congela seus óvulos aos 32 anos e decide engravidar aos 40 utilizará gametas com o potencial reprodutivo de uma paciente de 32 anos”, pontua Grazielle.
 

Fertilização in vitro (FIV) e os tratamentos personalizados

Quando a maternidade tardia já é o momento presente e há dificuldades para engravidar (ou quando os óvulos previamente congelados serão utilizados), a fertilização in vitro (FIV) surge como uma opção mais segura. Na FIV, a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório, e o embrião formado é posteriormente transferido para o útero. 

"Hoje, os tratamentos de fertilidade são altamente individualizados. Na FIV para gestações mais tardias, os protocolos de estimulação ovariana são desenhados sob medida para o perfil biológico de cada paciente, buscando a melhor resposta do corpo", detalha. "A medicina reprodutiva moderna consegue avaliar o embrião antes da transferência, o que pode aumentar as taxas de sucesso e diminuir as chances de abortamento, trazendo muito mais segurança para uma gestação em idades mais avançadas", complementa. 

Dessa forma, a principal recomendação médica para quem nutre o sonho da maternidade é a conscientização precoce. Realizar exames de rotina que avaliem a reserva ovariana e conversar abertamente com um ginecologista ou especialista em reprodução humana permite que a jornada da fertilidade seja vivida com menos ansiedade e mais respaldo científico.

 

Ferring
Link

 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS

  1. Site Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). Disponível em: Link. Acesso em: outubro, 2026.
  2. Site Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Projeções da População: Brasil e Unidades da Federação. Disponível em: Link. Acesso em: outubro, 2026.
  3. Diminuição da reserva ovariana. Por Robert W. Rebar, MD, Western Michigan University Homer Stryker M.D. School of Medicine. Revisão clínica por Oluwatosin Goje, MD, MSCR, Cleveland Clinic. Análise completa: fev. 2024.

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