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domingo, 18 de outubro de 2026

Medo de falsificação faz consumidores evitarem compra de medicamentos para pets em marketplaces

 Pesquisa encomendada pelo Sindan indica que a falta de confiança na origem dos produtos é a principal barreira para compras online. Já nos pontos de venda físicos, o preço é o principal entrave


O comércio eletrônico ampliou a oferta de medicamentos veterinários, mas ainda não conquistou a confiança de quem cuida de cães e gatos. Entre os responsáveis por pets que evitam os marketplaces para essa compra, a dúvida sobre a origem do produto supera todos os outros motivos, à frente de preço, prazo de entrega e falta de promoções, segundo o Radar Pet, estudo da Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).
 

O levantamento, elaborado em parceria com o Instituto Qualibest entre os meses de junho e julho deste ano, ouviu 2.613 responsáveis de 20 a 65 anos, das classes A, B e C, de todas as regiões do país. Desse total, 1.902 pessoas afirmaram não comprar remédios para o pet em marketplaces, sites que reúnem vendedores e produtos de várias categorias, e foram questionadas sobre o motivo. 

Para 28,4% dos respondentes, a principal razão é a falta de confiança na origem do medicamento ou o receio de ele ser falsificado.


 

Recorrência

A compra desses produtos é frequente. Do total de entrevistados, 26% haviam feito a última aquisição nos sete dias anteriores à pesquisa, 17% nos 15 dias anteriores e 30% no último mês, o que soma 73% com compra recente. Outros 22% compraram nos últimos seis meses e 6% no último ano. A decisão é individual em 55% dos casos, sem consulta a outra pessoa da casa, e esse comportamento é mais comum entre as mulheres, com 59%, e entre quem cuida de cães e gatos ao mesmo tempo, com 65%. Os homens dividem mais a escolha ao decidir em conjunto.

 

Barreiras de consumo

O motivo para não comprar em um canal varia conforme o tipo de ponto de venda. No ambiente digital, o receio se concentra nos marketplaces, sites que reúnem vendedores e produtos de várias categorias. Ali, a dúvida sobre a autenticidade do medicamento pesa mais do que em qualquer outro canal pesquisado. A mesma preocupação aparece, com menos força, na compra por WhatsApp de pet shops de bairro. Já nos sites e aplicativos das redes de pet shop, a barreira é outra: o responsável sente falta de promoções e cupons. Os aplicativos de entrega reúnem as duas queixas, a de preço sem vantagem e a de dúvida sobre a origem do produto. 

No varejo físico, a origem do medicamento quase não é questionada e o obstáculo é o preço. É o que afasta o responsável dos pet shops de bairro, dos pet shops de rede e da compra direta com o médico-veterinário. Nas agropecuárias e aviários, o motivo é mais simples: a maioria dos responsáveis por cães e gatos não conhece esse canal como opção de compra. 

“O responsável está mais informado e quer participar das decisões sobre a saúde do animal. A pesquisa mostra que, no ambiente digital, a principal dúvida dele é a procedência do medicamento. Sem garantia de que o produto é original, a compra não acontece”, diz Gabriela.

 

Percepção de preço e Plano de Saúde

A etapa qualitativa da pesquisa, com quatro grupos de discussão, ajuda a explicar a percepção de preço. Os responsáveis relatam que falta parâmetro para avaliar o valor de um medicamento veterinário, diferentemente do que ocorre com o remédio humano, e identificam classes mais caras, como antibióticos e analgésicos. Medicamentos de uso recorrente exigem gastos constantes, e parte dos participantes admite espaçar a compra além do recomendado. É um comportamento que compromete o tratamento e abre espaço para a busca de ofertas mais baratas em canais sem procedência clara.

 


O Radar Pet também mediu a adesão a planos de saúde para animais. Apenas 18% dos responsáveis têm um plano, com presença maior entre os de 20 a 30 anos (28%), entre quem tem pet com problema crônico (33%) e entre moradores de capitais (23%). A cobertura para emergências, citada por 54%, é o principal motivo da contratação, seguida pela redução de gastos com cuidados veterinários (49%), pela garantia de consultas de rotina (48%) e pelo acesso a exames e procedimentos (46%). Entre quem considerou e não contratou, pesam o custo e a rede credenciada limitada, sobretudo fora das capitais.

 

Pirataria pode chegar a 15% do mercado

A percepção do consumidor encontra respaldo em outro levantamento da entidade. O Radar Vet, pesquisa do Sindan com médicos-veterinários, mostra que 64% dos profissionais consideram quase impossível distinguir um produto pirata do original. Não existem dados oficiais sobre pirataria de medicamentos veterinários no Brasil, mas estima-se que até 15% do mercado seja composto por produtos falsificados, contrabandeados ou sem registro. O setor de saúde animal faturou R$ 12,8 bilhões em 2025, alta de 7,9% sobre o ano anterior, segundo o Sindan. 

A internet é apontada pela entidade como o principal canal de distribuição de medicamentos veterinários piratas no país. O avanço dos marketplaces e do comércio eletrônico multiplicou os pontos de venda e dificultou a fiscalização, o que ampliou a exposição de responsáveis e produtores a ofertas sem procedência clara.

“Um medicamento irregular não passou pelas avaliações de qualidade, segurança e eficácia exigidas da indústria regulada. O risco recai sobre o animal, que pode receber uma dose errada ou um produto sem efeito, e sobre a família, que acredita estar tratando o pet”, afirma Gabriela. Produtos irregulares costumam ser fabricados com matérias-primas de baixa qualidade e sem estudos de bioequivalência. Casos recentes, como a Operação Vaca Brava, revelaram esquemas organizados de falsificação e distribuição ilegal de medicamentos veterinários no país.

 

Como comprar com segurança

Para orientar responsáveis, médicos-veterinários, produtores rurais e revendas, o Sindan mantém a campanha Olhos Abertos, em parceria com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

A recomendação, que também vale para o varejo físico, é comprar apenas em revendas autorizadas ou em seus canais digitais oficiais, conferir registro no MAPA, número de lote, validade e rótulo em português, e desconfiar de preços muito abaixo do mercado. Essas checagens reduzem o risco, mas não substituem a escolha de uma fonte com procedência clara. “O médico-veterinário segue como a principal referência para orientar essa compra. Informação de qualidade e um canal confiável fazem parte do tratamento tanto quanto o medicamento em si”, diz a diretora do Sindan.

Suspeitas de irregularidade podem ser registradas no canal Fala.br, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). As denúncias orientam as ações de fiscalização.

 

Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindan sobre a jornada de compra de medicamentos para cães e gatos no Brasil.

Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal - Sindan


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