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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Na era da inteligência artificial, atendimento humano pode definir quem conquista e perde clientes


O consumidor que desiste de comprar porque não consegue falar com uma pessoa, um turista que abandona um restaurante por causa do atendimento ou cliente que não volta depois de uma experiência ruim. São situações muito comuns, mas que geram prejuízos enormes para os negócios, principalmente ligados ao turismo. Esse impacto financeiro é corroborado por dados do mercado global e nacional que mostram que 60% dos consumidores abandonam definitivamente uma marca ou estabelecimento após enfrentarem apenas uma ou duas experiências de atendimento negativas.

Essa premissa ganha contornos ainda mais decisivos em setores dependentes da hospitalidade e do acolhimento, como o turismo, o comércio e os serviços locais. Especialista no tema com mais de duas décadas de trajetória, mestre em Comunicação e palestrante com passagem por instituições internacionais como Georgia Tech e Emory University, Arthur Simoneto argumenta que o turista contemporâneo mudou sua forma de consumo.

Para ele, o visitante não compra mais simplesmente o destino ou o município, mas sim a experiência completa, construindo seu roteiro a partir dos sentimentos e impressões vivenciados em cada ponto de contato. Nesse contexto, segundo ele, o fator humano desponta não como uma alternativa obsoleta, mas como o ativo mais estratégico e valioso para a sustentabilidade dos negócios.

“O cliente moderno não busca apenas ser atendido mecanicamente por um robô ou sistema automático, mas quer ser compreendido em suas necessidades individuais. Quando uma jornada falha, a percepção de amadorismo contamina toda a cadeia econômica regional”, destaca.

Trata-se, segundo Simoneto, do risco invisível de perder clientes sem perceber, já que apenas 1 em cada 26 clientes insatisfeitos manifesta uma reclamação formal, enquanto os demais 25 simplesmente deixam de consumir e migram para a concorrência em silêncio.

Além disso, diz o especialista, dados da consultoria Deloitte revelam que marcas que priorizam e cuidam ativamente da experiência do cliente tornam-se 60% mais rentáveis do que aquelas focadas estritamente na venda do produto.

Na avaliação de Simoneto, a automação e as ferramentas tecnológicas cumprem o papel fundamental de conferir agilidade, facilitar reservas e organizar dados. No entanto, a tecnologia não substitui a empatia, a escuta ativa e a disposição genuína de servir.

O caminho para reter e fidelizar clientes, explica, passa pelo que o palestrante define como o "triângulo da experiência", composto por previsibilidade, capricho e surpresa positiva. A previsibilidade gera a confiança necessária de que o serviço será bom novamente; o capricho nos detalhes cria lembranças duradouras; e a surpresa positiva motiva o cliente a recomendar espontaneamente o estabelecimento a amigos e familiares.

Em um momento de transformações estruturais na economia, como as adequações decorrentes da reforma tributária sobre o consumo, a qualificação do atendimento presencial surge como um vetor acessível de competitividade, capaz de transformar pequenas melhorias no acolhimento em rentabilidade direta, fidelidade de público e fortalecimento da marca.

Por outro lado, o investimento no encantamento e na redução do esforço do cliente geram retornos multiplicadores expressivos para toda a cadeia, principalmente nos negócios ligados ao turismo. Consumidores que vivenciam uma jornada positiva e acolhedora chegam a gastar até 140% a mais do que aqueles que passam por experiências neutras ou negativas.

O especialista aponta ainda que reter e vender para um cliente que já conhece e confia no estabelecimento custa até 25 vezes menos do que investir em campanhas para atrair um novo visitante, reforçando que a verdadeira margem de lucro reside no retorno e na recomendação espontânea.

A chave para o sucesso no cenário atual não está no combate à tecnologia, mas na busca pela convergência inteligente entre ferramentas digitais e calor humano.

“Ao transformar equipes de linha de frente em embaixadores da hospitalidade e usar a tecnologia apenas como suporte de bastidor, os destinos turísticos e negócios locais consolidam um diferencial competitivo sustentável e imune às oscilações do mercado”, conclui Simoneto. 


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