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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Enem: saiba como se preparar para a prova de Matemática e suas Tecnologias

Educadores explicam a estrutura do exame, indicam os temas recorrentes e revelam estratégias para gabaritar o caderno de exatas


Única disciplina a ocupar um caderno inteiro com 45 questões no segundo domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a prova de Matemática e suas Tecnologias é uma das áreas que mais impactam a pontuação final dos candidatos. Longe de exigir apenas fórmulas decoradas ou álgebra abstrata, o exame avalia o raciocínio lógico, a capacidade de análise de dados e a aplicação de conceitos matemáticos para resolver problemas práticos do cotidiano.
 

Segundo Jeferson Felipin, professor de Matemática do colégio Progresso Bilíngue de Indaiatuba (SP), o grande desafio da prova está na interpretação. “A prova do Enem não busca aferir a matemática pura de sala de aula. O exame avalia competências essenciais do cidadão moderno, como a leitura crítica de gráficos, o planejamento financeiro, o cálculo de proporções e a tomada de decisões com base em dados quantitativos. O estudante que aprende a traduzir o problema em linguagem matemática sai na frente.” 

De acordo com Renato Shiotuqui, professor de matemática do Brazilian International School - BIS, de São Paulo (SP), a leitura e o entendimento do enunciado são etapas decisivas da resolução. “O Enem cobra muito mais que a habilidade de fazer contas. É essencial interpretar a situação, entender o problema real apresentado e só depois aplicar o conhecimento matemático. Muitas vezes, a dificuldade do candidato não está no cálculo em si, mas em saber por onde começar a resolver a questão.”
 

Conteúdos de matemática mais recorrentes no Enem 

Embora o exame varie suas abordagens a cada ano, determinados tópicos formam a espinha dorsal da prova e aparecem de forma frequente nas edições, como taxas de juros, consumo, escalas em mapas, probabilidade de eventos e medidas de espaço. 

Matheus Hisnauer, professor de matemática da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), identificar a relevância desses temas ajuda a organizar os estudos de forma estratégica. “A regra de três, por exemplo, é uma ferramenta coringa na prova. Muitas vezes o participante não se recorda da fórmula exata de um tópico, mas consegue encontrar a resposta correta aplicando a lógica da proporcionalidade”, aponta. 

O professor da EIA indica os conteúdos de matemática com maior histórico de incidência na prova:
 

Razão, Proporção e Regra de Três: fundamentais para resolver problemas de escala, porcentagem e grandezas direta ou inversamente proporcionais;
 

Porcentagem e Matemática Financeira: cálculos de descontos, aumentos sucessivos, margem de lucro e juros simples/compostos em situações comerciais;
 

Estatística Básica: leitura de tabelas e análise de gráficos, acompanhada do cálculo de média aritmética, mediana e moda;
 

Geometria Plana e Espacial: determinação de áreas, perímetros e volumes de sólidos, aplicados a plantas de imóveis, embalagens e reservatórios;
 

Funções de 1º e 2º Graus (Afim e Quadrática): interpretação de gráficos de crescimento, pontos de máximo/mínimo e variações ao longo do tempo;
 

Probabilidade e Análise Combinatória: análise de riscos, sorteios, possibilidades de agrupamentos e contagem.
 

Dicas práticas e estratégias de estudo
 

Para garantir um desempenho de alto nível, a combinação de uma rotina de estudos bem estruturada com o gerenciamento inteligente do tempo no dia do exame faz toda a diferença. Segundo Cristine Tolizano, professora da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), o segredo está em alinhar a preparação prévia com a execução tática da prova. 

“A matemática do Enem exige constante treino de aplicação prática. Na reta final, o estudante deve focar na revisão ativa de conceitos fundamentais e, durante a prova, atuar com frieza técnica para não perder pontos em conteúdos que domina por conta do cansaço ou da gestão inadequada do tempo”. A docente elenca um passo a passo com recomendações que vão da fase de preparação até o momento da prova:
 

Crie mapas mentais de conceitos e fórmulas básicas: durante a rotina de estudos antes da prova, organize esquemas visuais com as fórmulas mais cobradas (como áreas, volumes, probabilidade, juros e equações) para facilitar a memorização e a consulta rápida nas revisões;
 

Simule o tempo e as condições reais de prova: resolva exames de edições anteriores cronometrando o tempo e sem o uso de calculadora, exercitando a agilidade nos cálculos manuais e reduzindo a ansiedade para o dia do teste;
 

Grife dados e comandos centrais durante a leitura: ao encarar a questão na prova, sublinhe os valores numéricos, as unidades de medida e, principalmente, a pergunta final do enunciado, evitando erros por falta de atenção às pegadinhas ou conversões;
 

Priorize as questões fáceis e médias no momento da execução: o Enem usa o modelo estatístico Teoria de Resposta ao Item (TRI) para calcular a nota, avaliando o desempenho do aluno com base no nível de dificuldade de cada questão e na coerência das suas respostas. Desta forma, é penalizada a incoerência pedagógica: garanta primeiro o acerto dos itens mais simples e intermediários para consolidar uma nota alta antes de gastar tempo excessivo com as questões complexas.
 


O ENEM

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi instituído em 1998 e tornou-se a principal porta de entrada para a universidade no Brasil. A prova permite o acesso a programas públicos educacionais como o Prouni (Programa Universidade para Todos), Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil); além de muitas universidades privadas, inclusive no exterior, usarem os resultados do exame em substituição aos vestibulares tradicionais. 

O Enem é aplicado em dois domingos seguidos em locais de aplicação por todos as regiões do território nacional. Em 2026, as provas acontecem em 8 e 15 de novembro. Foram registrados para esta edição 5.055.818 de inscritos, alta de 5,08% em relação a 2025, e maior número de participantes confirmados desde 2020. 

No primeiro dia, os candidatos farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (45 questões de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou Espanhol, Artes e Educação Física), Ciências Humanas e suas Tecnologias (45 questões de História, Geografia, Filosofia e Sociologia) e a Redação. No segundo dia, é a vez das provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (45 questões de Biologia, Química e Física) e Matemática e suas Tecnologias (45 questões de Matemática). 

Podem participar do Enem pessoas que estejam cursando (como “treineiros”), que já concluíram, ou que estejam concluindo o Ensino Médio. É possível ainda usar o resultado do Enem para obter o certificado de conclusão dos estudos, contanto que o participante tenha 18 anos completos na data da primeira prova, e alcançar ao menos 450 pontos em cada área do conhecimento e 500 pontos na redação.
 

 


Cristine Tolizano - iniciou sua carreira docente há 21 anos e atua até hoje nos cursinhos preparatórios para os principais vestibulares do país, alicerce de sua trajetória como professora de Matemática, Estatística e Letramento Financeiro. Leciona também no Ensino Fundamental II, no Ensino Médio e no treinamento de alunos para olimpíadas de conhecimento. É graduada em Matemática Aplicada, Estatística e Física (IME-USP e UNIMES), atuou como colaboradora em projetos de pesquisa na FE-USP (Etnomatemática) e no IPEN-USP (Estatística e Consultoria Ambiental).

Jeferson Gamaliel Felipin - graduado em Matemática na USP, com pós-graduação pela Unicamp. Atualmente, é mestrando em Educação Matemática pela Unesp. Professor de Matemática do Progresso Bilíngue Indaiatuba, do Ensino Médio brasileiro e currículo IB.

Matheus Hisnauer - licenciado em Matemática pela Universidade de São Paulo (USP) e atua como professor de Matemática e Convivência Ética. É também o líder do Núcleo de Estudos Olímpicos da Escola Internacional de Alphaville, setor responsável pela preparação e participação dos alunos em olimpíadas científicas. Ao longo de sua trajetória, liderou conquistas que somam mais de 1.100 medalhas em 95 competições, engajando estudantes desde o 3º ano do Ensino Fundamental I até a 3ª série do Ensino Médio.

Renato Shiotuqui - licenciado em matemática pela Faculdade de Guarulhos. Atua como professor de física e matemática, acumulando mais de 29 anos de experiência lecionando em escolas da rede privada e cursos pré-vestibulares.



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