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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Política também pode virar risco psicossocial, psiquiatra alerta

 Discussões entre colegas no ambiente de trabalho, pressão de lideranças, mensagens em grupos corporativos e medo de se posicionar podem transformar divergências políticas em fonte de estresse, alerta psiquiatra

 

A eleição não acontece apenas nas urnas. Conforme a disputa eleitoral ganha espaço nas conversas, ela também chega aos corredores das empresas, grupos de WhatsApp, reuniões, almoços entre colegas e até à relação entre chefes e funcionários. O problema começa quando uma divergência política deixa de ser apenas uma diferença de opinião e passa a produzir constrangimento, medo, hostilidade ou sensação de ameaça dentro do ambiente profissional. 

Segundo o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, especialista em saúde mental relacionada ao trabalho, empresas precisam estar atentas à maneira como o período eleitoral interfere nas relações profissionais.

“Divergência faz parte de uma sociedade democrática. O que não pode ser normalizado é um ambiente em que o trabalhador começa a sentir que precisa esconder o que pensa, concordar com o chefe ou evitar determinados colegas para se proteger profissionalmente”, explica.

 

Política também pode virar risco psicossocial

Em períodos de polarização, as discussões podem ultrapassar o campo das ideias e afetar diretamente a convivência profissional.

Ironias, provocações, apelidos, exclusão de grupos, exposição pública da preferência política de colegas e conflitos repetitivos podem criar um ambiente de insegurança psicológica.

E o trabalhador nem sempre reage discutindo.

Alguns passam a falar menos, evitam determinados ambientes, deixam de participar de conversas, ficam hipervigilantes diante dos colegas ou simplesmente tentam “não chamar atenção”.

“Nem sempre o sofrimento aparece como um conflito aberto. Muitas vezes, ele aparece como silêncio. A pessoa começa a medir cada palavra porque não sabe como uma opinião será interpretada ou se poderá ter alguma consequência profissional”, explica o psiquiatra.

 

A empresa precisa estabelecer limites

Para Daniel Sócrates, lideranças e áreas de gestão de pessoas precisam perceber que cuidar da saúde mental no período eleitoral não significa determinar sobre o que os funcionários podem pensar.

Significa proteger o ambiente profissional de situações de intimidação.

Algumas medidas ajudam: reforçar políticas de respeito e convivência, evitar propaganda político-partidária em canais corporativos, orientar lideranças sobre a assimetria de poder existente na relação com subordinados e criar canais seguros para que trabalhadores possam relatar situações de constrangimento.

“O papel da empresa não é escolher uma posição política para o funcionário. É garantir que ele possa exercer sua cidadania sem medo de consequências profissionais”, finaliza.

 


Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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