● Especialista
da FEBRASGO reforça a importância de investigar a causa da primeira fratura
para evitar novas ocorrências
● 20 de outubro
- Dia Mundial de Combate à Osteoporose
Uma queda da própria altura, um pequeno impacto ou uma fratura que parece resultado de um acidente comum podem esconder um problema que vai além da lesão: a fragilidade óssea. A osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos e os torna mais frágeis, aumentando o risco de fraturas. A perda de massa óssea pode ocorrer durante anos sem provocar sintomas e, muitas vezes, a doença só é descoberta depois que um osso se quebra.
A menopausa
precoce, o histórico familiar de fraturas, algumas doenças, o uso prolongado de
determinados medicamentos, o baixo peso e certos hábitos de vida podem indicar
a necessidade de uma avaliação. Dados indicam que uma em cada três mulheres e
um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura por
fragilidade ao longo da vida. Além disso, cerca de 80% das pessoas que têm uma
fratura osteoporótica não são identificadas nem tratadas para a doença óssea
que está por trás dela. Esses dados reforçam a importância de investigar a
causa, além de tratar a lesão.
A Dra.
Adriana Orcesi Pedro, ginecologista e vice-presidente da Comissão Nacional
Especializada em Osteoporose da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, chama atenção para situações que merecem cuidado. A
especialista explica em quais casos é importante investigar a saúde óssea da
mulher, reconhecer os fatores de risco e buscar orientação médica para
identificar a osteoporose e prevenir novas fraturas.
“Precisamos mudar
a percepção de que a fratura termina quando o osso é tratado. Na realidade,
muitas vezes ela é o primeiro sinal de uma doença que pode e deve ser
investigada e tratada”, afirma a especialista.
A investigação
pode incluir a análise do histórico clínico e familiar, dos medicamentos em
uso, das doenças associadas, da alimentação e do risco de quedas. Quando
indicada, a densitometria óssea ajuda a avaliar a densidade mineral dos ossos.
A necessidade do exame, porém, deve ser definida com base em uma avaliação
clínica individual, e não apenas pela chegada à menopausa.
Fraturas após quedas
simples
As fraturas
vertebrais merecem atenção especial porque muitas vezes passam despercebidas.
Cerca de 70% delas são assintomáticas e podem se manifestar apenas por meio de
dor nas costas, redução da estatura ou aumento da curvatura da coluna (cifose
torácica). Fraturas de quadril, vértebras, punho e úmero também podem estar
relacionadas à osteoporose.
“Uma fratura
provocada por uma queda da própria altura ou por um pequeno impacto depois dos
50 anos deve ser entendida como uma oportunidade de investigar a saúde óssea e
prevenir uma nova fratura”, alerta a Dra. Adriana. A médica explica que, quando
um osso se quebra após um trauma que normalmente não causaria uma lesão desse
tipo, é importante investigar se existe fragilidade óssea. Não basta olhar
apenas para o osso que quebrou. É preciso perguntar: “por que ele quebrou com
um trauma tão pequeno?”
A ginecologista
ressalta que “a primeira fratura também pode indicar um risco maior de novas ocorrências,
sobretudo nos primeiros um a dois anos. Por isso, o atendimento não deve
terminar com o tratamento do osso quebrado”.
Menopausa precoce
A redução dos
níveis de estrogênio durante a menopausa também está associada à perda de massa
óssea. A atenção deve ser ainda maior entre mulheres que entram na menopausa
antes dos 45 anos, apresentam insuficiência ovariana, passam pela retirada dos
ovários ou ficam longos períodos sem menstruar. Essas situações podem aumentar
o tempo de exposição à deficiência de estrogênio e comprometer a saúde dos
ossos.
Por isso, a
avaliação dos fatores de risco deve fazer parte do acompanhamento ginecológico,
especialmente quando há outros fatores associados. “Não devemos esperar a
mulher envelhecer para começar a pensar na saúde óssea. A transição menopausal
é uma oportunidade de identificar riscos e agir precocemente”, diz a médica.
Identificar os fatores nessa fase pode ajudar a orientar medidas de prevenção
antes que uma fratura aconteça.
Histórico familiar e fratura de quadril
Na avaliação do
risco de osteoporose, o histórico familiar é um dos fatores relevantes que
devem ser considerados pelo especialista durante a consulta. Ter pai ou mãe que
tiveram fratura de quadril, pode aumentar a atenção à saúde óssea. Esse
histórico deve ser avaliado em conjunto com a idade, o peso, as condições
clínicas, os medicamentos em uso e a existência de fraturas anteriores.
Com base nessas
informações, o médico pode determinar se há necessidade de exames e
acompanhamento específico. “A investigação é importante porque a ausência de
sintomas não significa que os ossos estejam saudáveis. A osteoporose pode
avançar sem sinais aparentes até que ocorra uma fratura”, alerta.
Doenças e medicamentos
O uso prolongado
de determinados medicamentos pode contribuir para acelerar a perda de massa
óssea. Entre os exemplos mais importantes estão os glicocorticoides, como a
prednisona, alguns anticonvulsivantes, determinados antidepressivos,
tiazolidinedionas utilizadas no tratamento do diabetes, os imunossupressores e
os inibidores de bomba de próton. Algumas doenças, como artrite reumatoide,
doença celíaca, alterações da tireoide e da paratireoide, doença renal crônica
e diabetes, também podem aumentar o risco de fragilidade óssea.
Mulheres que
tiveram ou estão em tratamento para câncer de mama devem ficar atentas ao uso
de medicamentos que reduzem a ação do estrogênio, como os inibidores da
aromatase. “Quando tratamos o câncer podemos também acelerar a perda
óssea. Por isso precisamos proteger a mulher das consequências tardias do
próprio tratamento, que aumentam o risco de fraturas”, ressalta. Nesses casos,
a saúde dos ossos deve ser considerada no planejamento do acompanhamento
médico. “A presença de um fator de risco não significa que o tratamento deva
ser interrompido, mas indica a importância de avaliar a necessidade de
prevenção e monitoramento”, complementa.
Perda importante de peso e hábitos de vida
Hábitos saudáveis,
prática regular de atividade física e alimentação adequada são importantes para
manter a saúde dos ossos ao longo da vida. Por outro lado, o baixo peso, a
perda significativa de peso, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo
de álcool podem aumentar o risco de osteoporose e fraturas. A ingestão
insuficiente de cálcio e proteínas e a deficiência de vitamina D também merecem
atenção, conforme a avaliação individual.
“Construir,
proteger e fortalecer os ossos é uma estratégia de saúde e de preservação da
independência e da autonomia da mulher”, enfatiza Dra. Adriana. Outro sinal que
não deve ser ignorado é a perda de estatura. Uma redução superior a quatro
centímetros pode indicar a possibilidade de fraturas vertebrais, que nem sempre
são diagnosticadas quando ocorrem. “Conhecer os fatores de risco é uma etapa
importante da prevenção. A avaliação médica permite identificar quais deles
estão presentes e quais medidas podem ajudar a proteger os ossos”, explica.
A
importância de investigar a primeira fratura
Quem sofre uma
fratura por fragilidade tem um risco significativamente maior de sofrer outra.
Esse risco é especialmente elevado nos dois primeiros anos após a primeira
fratura. Por isso, a primeira fratura deve ser um alerta para investigar a
saúde dos ossos e iniciar, quando indicado, medidas para prevenir novas fraturas.
“Se você teve uma
primeira fratura e acredita que foi apenas um acidente, não ignore esse sinal.
É fundamental agir antes que essa doença silenciosa produza consequências que
poderiam ser evitadas”, conclui.
Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
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