Pesquisar no Blog

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Osteoporose: fraturas após pequenos traumas podem ser um sinal de fragilidade óssea da mulher


●    Especialista da FEBRASGO reforça a importância de investigar a causa da primeira fratura para evitar novas ocorrências

●    20 de outubro - Dia Mundial de Combate à Osteoporose 

 

Uma queda da própria altura, um pequeno impacto ou uma fratura que parece resultado de um acidente comum podem esconder um problema que vai além da lesão: a fragilidade óssea. A osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos e os torna mais frágeis, aumentando o risco de fraturas. A perda de massa óssea pode ocorrer durante anos sem provocar sintomas e, muitas vezes, a doença só é descoberta depois que um osso se quebra.

 

A menopausa precoce, o histórico familiar de fraturas, algumas doenças, o uso prolongado de determinados medicamentos, o baixo peso e certos hábitos de vida podem indicar a necessidade de uma avaliação. Dados indicam que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura por fragilidade ao longo da vida. Além disso, cerca de 80% das pessoas que têm uma fratura osteoporótica não são identificadas nem tratadas para a doença óssea que está por trás dela. Esses dados reforçam a importância de investigar a causa, além de tratar a lesão.

 

A Dra. Adriana Orcesi Pedro, ginecologista e vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, chama atenção para situações que merecem cuidado. A especialista explica em quais casos é importante investigar a saúde óssea da mulher, reconhecer os fatores de risco e buscar orientação médica para identificar a osteoporose e prevenir novas fraturas.

 

“Precisamos mudar a percepção de que a fratura termina quando o osso é tratado. Na realidade, muitas vezes ela é o primeiro sinal de uma doença que pode e deve ser investigada e tratada”, afirma a especialista.

 

A investigação pode incluir a análise do histórico clínico e familiar, dos medicamentos em uso, das doenças associadas, da alimentação e do risco de quedas. Quando indicada, a densitometria óssea ajuda a avaliar a densidade mineral dos ossos. A necessidade do exame, porém, deve ser definida com base em uma avaliação clínica individual, e não apenas pela chegada à menopausa.

 

Fraturas após quedas simples

As fraturas vertebrais merecem atenção especial porque muitas vezes passam despercebidas. Cerca de 70% delas são assintomáticas e podem se manifestar apenas por meio de dor nas costas, redução da estatura ou aumento da curvatura da coluna (cifose torácica). Fraturas de quadril, vértebras, punho e úmero também podem estar relacionadas à osteoporose.

 

“Uma fratura provocada por uma queda da própria altura ou por um pequeno impacto depois dos 50 anos deve ser entendida como uma oportunidade de investigar a saúde óssea e prevenir uma nova fratura”, alerta a Dra. Adriana. A médica explica que, quando um osso se quebra após um trauma que normalmente não causaria uma lesão desse tipo, é importante investigar se existe fragilidade óssea. Não basta olhar apenas para o osso que quebrou. É preciso perguntar: “por que ele quebrou com um trauma tão pequeno?”

 

A ginecologista ressalta que “a primeira fratura também pode indicar um risco maior de novas ocorrências, sobretudo nos primeiros um a dois anos. Por isso, o atendimento não deve terminar com o tratamento do osso quebrado”.

 

Menopausa precoce


A redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa também está associada à perda de massa óssea. A atenção deve ser ainda maior entre mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos, apresentam insuficiência ovariana, passam pela retirada dos ovários ou ficam longos períodos sem menstruar. Essas situações podem aumentar o tempo de exposição à deficiência de estrogênio e comprometer a saúde dos ossos.

 

Por isso, a avaliação dos fatores de risco deve fazer parte do acompanhamento ginecológico, especialmente quando há outros fatores associados. “Não devemos esperar a mulher envelhecer para começar a pensar na saúde óssea. A transição menopausal é uma oportunidade de identificar riscos e agir precocemente”, diz a médica. Identificar os fatores nessa fase pode ajudar a orientar medidas de prevenção antes que uma fratura aconteça.

 

Histórico familiar e fratura de quadril


Na avaliação do risco de osteoporose, o histórico familiar é um dos fatores relevantes que devem ser considerados pelo especialista durante a consulta. Ter pai ou mãe que tiveram  fratura de quadril, pode aumentar a atenção à saúde óssea. Esse histórico deve ser avaliado em conjunto com a idade, o peso, as condições clínicas, os medicamentos em uso e a existência de fraturas anteriores.

 

Com base nessas informações, o médico pode determinar se há necessidade de exames e acompanhamento específico. “A investigação é importante porque a ausência de sintomas não significa que os ossos estejam saudáveis. A osteoporose pode avançar sem sinais aparentes até que ocorra uma fratura”, alerta.

 

Doenças e medicamentos


O uso prolongado de determinados medicamentos pode contribuir para acelerar a perda de massa óssea. Entre os exemplos mais importantes estão os glicocorticoides, como a prednisona, alguns anticonvulsivantes, determinados antidepressivos, tiazolidinedionas utilizadas no tratamento do diabetes, os imunossupressores e os inibidores de bomba de próton. Algumas doenças, como artrite reumatoide, doença celíaca, alterações da tireoide e da paratireoide, doença renal crônica e diabetes, também podem aumentar o risco de fragilidade óssea.

 

Mulheres que tiveram ou estão em tratamento para câncer de mama devem ficar atentas ao uso de medicamentos que reduzem a ação do estrogênio, como os inibidores da aromatase. “Quando tratamos o câncer podemos também acelerar a perda óssea. Por isso precisamos proteger a mulher das consequências tardias do próprio tratamento, que aumentam o risco de fraturas”, ressalta. Nesses casos, a saúde dos ossos deve ser considerada no planejamento do acompanhamento médico. “A presença de um fator de risco não significa que o tratamento deva ser interrompido, mas indica a importância de avaliar a necessidade de prevenção e monitoramento”, complementa.

 

Perda importante de peso e hábitos de vida


Hábitos saudáveis, prática regular de atividade física e alimentação adequada são importantes para manter a saúde dos ossos ao longo da vida. Por outro lado, o baixo peso, a perda significativa de peso, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool podem aumentar o risco de osteoporose e fraturas. A ingestão insuficiente de cálcio e proteínas e a deficiência de vitamina D também merecem atenção, conforme a avaliação individual.

 

“Construir, proteger e fortalecer os ossos é uma estratégia de saúde e de preservação da independência e da autonomia da mulher”, enfatiza Dra. Adriana. Outro sinal que não deve ser ignorado é a perda de estatura. Uma redução superior a quatro centímetros pode indicar a possibilidade de fraturas vertebrais, que nem sempre são diagnosticadas quando ocorrem. “Conhecer os fatores de risco é uma etapa importante da prevenção. A avaliação médica permite identificar quais deles estão presentes e quais medidas podem ajudar a proteger os ossos”, explica.

 

A importância de investigar a primeira fratura


Quem sofre uma fratura por fragilidade tem um risco significativamente maior de sofrer outra. Esse risco é especialmente elevado nos dois primeiros anos após a primeira fratura. Por isso, a primeira fratura deve ser um alerta para investigar a saúde dos ossos e iniciar, quando indicado, medidas para prevenir novas fraturas.

“Se você teve uma primeira fratura e acredita que foi apenas um acidente, não ignore esse sinal. É fundamental agir antes que essa doença silenciosa produza consequências que poderiam ser evitadas”, conclui.

  

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados