Irregularidade dos ciclos pode fazer parte da transição para a menopausa, mas sangramentos intensos, prolongados ou fora do período esperado precisam ser investigados
Depois dos 40
anos, o ciclo menstrual pode começar a mudar. A menstruação pode ficar mais
irregular, acontecer em intervalos diferentes ou apresentar alterações no
fluxo. Embora essas mudanças possam fazer parte da chamada transição
menopáusica, elas não devem ser automaticamente atribuídas à idade ou aos
hormônios.
Segundo a
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO),
muitas mulheres começam a apresentar alterações nos ciclos a partir dos 40
anos, período em que ocorrem oscilações na função ovariana e nos hormônios que
regulam a menstruação. Ao mesmo tempo, alterações menstruais também podem estar
relacionadas a condições como miomas, pólipos e outras doenças ginecológicas.
“A transição para
a menopausa é um processo gradual e pode modificar o padrão menstrual. Porém,
uma mudança no ciclo não deve ser automaticamente considerada normal apenas
porque a mulher passou dos 40 anos. É importante observar a intensidade, a
duração e a frequência dos sangramentos e conversar com o ginecologista quando
houver uma alteração persistente ou significativa”, explica Dr. Carlos Alberto
Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios.
O que pode mudar no ciclo?
Durante a
transição menopáusica, as oscilações hormonais podem alterar o padrão das
menstruações. De acordo com o National Institute on Aging (NIA), os ciclos podem
ficar mais curtos ou mais longos, e o sangramento pode aumentar ou diminuir. A
instituição destaca que essas mudanças podem ocorrer durante a transição para a
menopausa, mas alguns padrões devem ser avaliados por um profissional.
Entre as mudanças
que merecem atenção estão menstruações muito próximas umas das outras,
sangramento intenso, períodos que duram mais de uma semana, sangramento entre
as menstruações ou após relações sexuais. O NIA também orienta procurar
avaliação caso ocorra sangramento novamente depois de 12 meses sem menstruar,
período que caracteriza a menopausa.
A FEBRASGO também
destaca que o sangramento uterino anormal é uma queixa frequente durante a
perimenopausa. Em material específico sobre o tema, a entidade aponta que o
sangramento anormal representa cerca de 70% das queixas ginecológicas nesse
período, reforçando a importância de investigar sua causa.
Fluxo intenso também pode
afetar os níveis de ferro
Uma consequência
que merece atenção é a perda de ferro associada a sangramentos menstruais
intensos e recorrentes. Quando a perda supera a capacidade de reposição do
organismo, pode ocorrer deficiência de ferro e, posteriormente, anemia.
Por isso, sintomas
como cansaço persistente, fraqueza, tontura, palidez ou redução da capacidade
para realizar atividades não devem ser automaticamente atribuídos à própria
transição hormonal. Dependendo da história clínica, o médico pode avaliar a
necessidade de investigar anemia e os estoques de ferro.
“Quando uma mulher
apresenta sangramentos mais intensos ou prolongados de forma recorrente, é
importante considerar também o impacto dessas perdas sobre o organismo. A
investigação pode ajudar a identificar tanto a causa do sangramento quanto
possíveis consequências, como a deficiência de ferro”, afirma Dr. Carlos.
Nem toda alteração significa
que a menopausa está chegando
Outro ponto
importante é entender a diferença entre perimenopausa e menopausa. A transição
menopáusica pode começar anos antes da última menstruação e é marcada
justamente por alterações progressivas no padrão dos ciclos. Já a menopausa é
definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar.
Assim, ter um
ciclo irregular aos 40 ou 45 anos não significa necessariamente que a mulher já
esteja na menopausa. Da mesma forma, alterações importantes no padrão menstrual
não devem ser utilizadas para fazer um autodiagnóstico.
A própria FEBRASGO
ressalta que, em mulheres com menos de 45 anos que apresentam sangramento
uterino anormal, especialmente quando há ciclos irregulares e pouco frequentes,
pode ser necessária uma investigação adicional para excluir outras causas, como
alterações da tireoide e hiperprolactinemia.
“Cada mulher passa
por essa fase de uma maneira diferente. O mais importante é reconhecer o
próprio padrão menstrual e procurar avaliação quando houver uma mudança
relevante. Dessa forma, é possível diferenciar as alterações esperadas da
transição menopáusica de situações que precisam de investigação e tratamento”,
orienta o médico.
A partir dos 40
anos, portanto, acompanhar o ciclo menstrual continua sendo uma forma
importante de cuidar da saúde. Mudanças podem fazer parte de uma nova fase da
vida, mas sangramentos intensos, prolongados, frequentes ou fora do período
esperado não devem ser normalizados sem avaliação.
Carnot® Laboratórios

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