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Especialista do HUSE-Unirio recomenda rastreamento precoce e abordagem multidisciplinar para a obesidade infantil
Brasil tem cerca
de sete milhões de crianças com obesidade e ocupa a sexta posição mundial em
crianças com excesso de peso
O Brasil ocupa a sexta
posição no ranking mundial de obesidade infantil. O país tem cerca de 7 milhões
de crianças com obesidade, entre um universo estimado de 17 milhões com
sobrepeso ou obesidade, em 2025. Os dados são destacados pela endocrinologista
pediátrica Renata Szundy, do Hospital Universitário dos Servidores do Estado,
da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (HUSE-Unirio).
“Mundialmente o número de crianças com sobrepeso e obesidade superou o de
crianças desnutridas. No Brasil, essa transição nutricional aconteceu de forma
ainda mais acentuada”, alerta ela.
A obesidade é uma doença
crônica multifatorial e o seu desenvolvimento resulta da combinação de fatores
genéticos, biológicos, comportamentais, familiares e ambientais, explica a especialista.
Entre os principais fatores
associados ao aumento do risco estão o histórico familiar de sobrepeso ou
obesidade, a maior disponibilidade e o consumo de alimentos ultraprocessados e
bebidas açucaradas, refeições frequentes fora de casa ou em estabelecimentos de
fast food, baixa atividade física e maior comportamento sedentário,
especialmente relacionado ao tempo excessivo de tela e ao sono insuficiente.
A médica reforça a
importância da identificação precoce e de uma abordagem multidisciplinar da
doença. “Segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO),
o rastreamento do excesso de peso deve ser realizado em todas as consultas
pediátricas de rotina, com mensuração de peso, estatura e cálculo do índice de
massa corporal (IMC) anualmente, a partir dos 2 anos de idade”, adverte.
Cuidado começa
na família
A orientação é que os pais
acompanhem a trajetória de crescimento da criança e procurem atendimento diante
de mudanças rápidas no peso ou no IMC. Pois a avaliação regular permite
identificar alterações precocemente, antes da instalação ou agravamento da
obesidade. “O papel da família consiste em buscar atendimento pediátrico de
rotina e observar mudanças rápidas na trajetória de peso e índice de massa
corporal, antes do desenvolvimento da obesidade”, orienta a médica.
O envolvimento de toda a
família também é importante para a adoção de hábitos mais saudáveis. Entre as
recomendações estão priorizar o consumo de alimentos in natura ou
minimamente processados, evitar alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas
e estimular o consumo de água como principal bebida. A médica também reforça a
importância de manter horários e períodos adequados de sono.
“Sempre que
possível, o ideal é fazer refeições em família, dando exemplo de hábitos
saudáveis, promovendo um ambiente harmonioso, sem julgamentos ou comentários
depreciativos”, aconselha Renata.
Abordagem ampla
A endocrinologista
pediátrica destaca que o tratamento da obesidade deve ir além dos aspectos
metabólicos e considerar também as condições sociais e psicológicas da criança
e de sua família.
“A obesidade é entendida
atualmente como uma doença crônica, multifatorial, recorrente. O acompanhamento,
idealmente, deve ser multidisciplinar, acolhedor, focado na pessoa, entendendo
os aspectos sociais e psicológicos, além dos metabólicos, nessa abordagem da
família”, afirma.
Por isso, a abordagem deve
incluir a adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e
sem dietas excessivamente restritivas, associada ao estímulo à atividade
física, à redução do tempo de tela e à manutenção de um período adequado de
sono.
Parcimônia com
remédios
Para a endocrinopediatra, o
uso de medicamentos é uma ferramenta importante e muito eficaz, que pode ser
considerado como complemento às mudanças de estilo de vida: “O tratamento
medicamentoso deve ser inserido em um programa estruturado e utilizado como
complemento às medidas de mudança de estilo de vida para crianças com obesidade
persistente”, avalia.
HU
Brasil

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