Pesquisa concluiu que a análise genética preventiva não trouxe benefícios significativos nas taxas de gestação e de bebês nascidos para mulheres de até 37 anos
Um estudo clínico conduzido por pesquisadores da Disciplina de Ginecologia da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que a
realização do teste genético pré-implantacional (conhecido como PGT-A ou NGS)
em embriões não aumenta as chances de gravidez nem a taxa de nascidos vivos em
casais com bom prognóstico que passam por fertilização in vitro (FIV).
O
teste PGT-A analisa o código genético do embrião antes de sua transferência
para o útero para verificar se ele possui o número correto de cromossomos. Nos
últimos anos, a técnica tem sido amplamente utilizada na medicina reprodutiva.
No entanto, seu custo elevado e a falta de evidências científicas sólidas sobre
sua real necessidade em casos de menor complexidade motivaram os pesquisadores
da FMUSP a investigar sua eficácia.
O estudo e os resultados
Publicada na revista científica Clinics, a pesquisa acompanhou 206 mulheres entre 18 e 37 anos atendidas no Centro de Reprodução Humana "Governador Mário Covas" do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Todas as participantes tinham bom prognóstico de fertilidade, estavam em seu primeiro tratamento de fertilização e produziram ao menos dois embriões de boa qualidade.
As
pacientes foram divididas aleatoriamente em dois grupos de 103 pessoas:
- Grupo com teste genético (NGS + SET) –
Os embriões passaram por biópsia e análise genética, sendo transferido
apenas um embrião comprovadamente sem alterações cromossômicas.
- Grupo convencional (SET) – A
seleção do embrião foi feita com base nos critérios tradicionais de
desenvolvimento e aparência (morfologia), sem a realização de testes
genéticos.
Após
a primeira transferência de um único embrião, os resultados mostraram
equivalência entre os dois grupos:
- Taxa de gravidez clínica –
79,6% no grupo com teste genético contra 76,7% no grupo convencional (sem
diferença estatística).
- Taxa de nascidos vivos –
64,1% no grupo com teste genético e 59,2% no grupo convencional.
- Taxa de abortamento –
Também não houve diferença significativa entre os dois procedimentos.
Impacto no acesso e na saúde pública
De acordo com o Prof. Dr. José Maria Soares Júnior, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP, os achados reforçam que a indicação do teste genético não deve ser feita de forma universal ou indiscriminada. Além de ser um procedimento invasivo para o embrião, a análise por sequenciamento genético encarece consideravelmente o tratamento de fertilização.
"Em um cenário de saúde pública e até no setor privado, é fundamental avaliar a relação de custo-benefício das tecnologias reprodutivas. Para pacientes jovens e com boa reserva ovariana, a seleção visual e morfológica do embrião feita por embriologistas experientes se mostra tão eficaz quanto o exame genético", destaca o professor.
O
artigo completo está disponível na revista
científica Clinics (DOI: 10.1016/j.clinsp.2026.100870)*.
Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo - FMUSP
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