Não é só o volume: tempo de exposição também aumenta risco de perda auditiva entre jovens
Otorrino do Hospital Paulista explica como o uso
frequente de fones, shows, festas e outros ambientes com som elevado podem afetar
a audição
Fones de ouvido fazem parte da rotina de muitos jovens, seja para ouvir música,
acompanhar vídeos, jogar ou estudar. O problema não está necessariamente no uso
do acessório, mas na combinação entre intensidade do som e tempo de exposição.
Quanto mais alto o volume, menor deve ser o período de contato com o ruído.
A exposição repetida a sons em intensidade elevada pode provocar a chamada perda
auditiva induzida por ruído (PAIR), que ocorre principalmente por danos às
células sensoriais da cóclea, estruturas delicadas do ouvido interno que não se
regeneram.
“Os danos ocorrem
principalmente nas células sensoriais da cóclea, que são estruturas muito
delicadas e que praticamente não se regeneram. Com exposições repetidas e
intensas, esse dano pode se tornar permanente e progressivo”, explica a
otorrinolaringologista Dra. Bruna Assis, do Hospital Paulista, referência
nacional em ouvido, nariz e garganta.
Segundo a
especialista, alguns sinais podem aparecer antes mesmo de uma perda auditiva mais
evidente, como zumbido após ouvir música, sensação de ouvido tampado ou
abafado, dificuldade para entender a fala em ambientes ruidosos e dificuldade
para perceber sons mais agudos. O zumbido também pode persistir mesmo depois
que a exposição ao som termina.
Quanto mais
alto, menor deve ser o tempo de exposição
Volume e duração
da exposição estão diretamente relacionados. Como referência, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) estima que uma exposição média a 80 decibéis (dB)
corresponda a aproximadamente 40 horas por semana. A 90 dB, esse período cai
para cerca de quatro horas semanais.
Na prática, isso
significa que não existe apenas um “volume perigoso”: é preciso considerar por
quanto tempo a pessoa permanece exposta ao som. “É a combinação dos dois.
Quanto maior o volume, menor deve ser o tempo de exposição. E quanto mais tempo
a pessoa permanece exposta, menor deveria ser a intensidade”, orienta a médica.
Por isso, a
recomendação é manter o volume em níveis moderados, abaixo de aproximadamente
60% da capacidade do aparelho, e fazer pausas durante o uso. Ainda assim, não
existe um limite absolutamente seguro que possa ser aplicado da mesma forma a
todas as pessoas.
Fone
intra-auricular não é necessariamente mais prejudicial à audição
Apesar da
percepção comum de que os modelos intra-auriculares seriam necessariamente mais
nocivos, o tipo de fone não é o principal fator relacionado à perda auditiva
por ruído. Nesse caso, o que mais importa é a intensidade do som e o tempo de
exposição.
Os modelos que
ficam dentro do ouvido, porém, podem estar associados a outros problemas.
Segundo a Dra. Bruna, o uso de fones intra-auriculares pode aumentar o risco de
infecções da orelha externa, impactação de cerume e eczemas, especialmente em
pessoas que já apresentam predisposição a essas condições.
“Pacientes com
maior predisposição a essas patologias podem dar preferência ao uso de fones do
tipo concha para evitar esses tipos de complicações”, explica.
O risco não está apenas nos fones
Mesmo quem controla
o volume dos fones pode estar submetido a níveis elevados de ruído em outras
situações do cotidiano. Shows, festas, baladas, festivais, academias, eventos
esportivos e outros ambientes com música ou som amplificado também podem
representar uma exposição excessiva.
A proximidade das
caixas de som e o tempo de permanência nesses locais aumentam ainda mais a
exposição. Por isso, os cuidados com a audição precisam considerar o conjunto
de hábitos e ambientes frequentados ao longo da semana.
Em locais com som
elevado, uma das medidas de proteção é utilizar protetores auriculares
adequados, especialmente quando não é possível reduzir a intensidade do ruído
ou se afastar da fonte sonora. O uso do protetor, no entanto, não elimina a
necessidade de limitar o tempo de exposição. Sempre que possível, também é
recomendável fazer pausas e permanecer em áreas mais afastadas das caixas de
som.
Nível de ruído x tempo de exposição
Como referência, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona a intensidade do som ao tempo
recomendado de exposição. Alguns exemplos são:
• 80 dB: até 40 horas por semana
• 85 dB: até 12 horas e 30 minutos por semana
• 90 dB: até 4 horas por semana
• 95 dB: até 1 hora e 15 minutos por semana
• 100 dB: até 20 minutos por semana
• 105 dB: até 8 minutos por semana
• 110 dB: até 2 minutos e 30 segundos por semana
Quanto maior a intensidade do som, portanto, menor deve ser o tempo de exposição.
Esses valores são referências e não representam um limite de segurança
absoluto, já que o risco pode variar conforme as características individuais e
a frequência das exposições.
Para a
especialista, atenção aos primeiros sinais é importante para evitar que uma
exposição repetida e intensa resulte em danos permanentes. Zumbido recorrente
após exposição sonora, sensação de ouvido abafado ou dificuldade para
compreender conversas em ambientes barulhentos são motivos para buscar
avaliação profissional.
Hospital Paulista
de Otorrinolaringologia

Nenhum comentário:
Postar um comentário