No Outubro Rosa Pet, médico veterinário chama atenção para a agressividade da doença em felinos e orienta tutores sobre sinais que exigem investigação
Um pequeno nódulo percebido durante um
carinho na barriga do pet pode ser o primeiro sinal de um problema que exige
investigação. Entre as gatas, de 80% a 90% dos tumores mamários são malignos,
segundo o Merck Veterinary Manual. Nas cadelas, aproximadamente metade dos
tumores mamários apresenta malignidade. Os números reforçam o alerta do Outubro
Rosa Pet para a prevenção e, principalmente, para a identificação precoce da
doença.
O câncer de mama está entre as neoplasias mais relevantes na
medicina veterinária. Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do
Estado de São Paulo, os tumores mamários são os mais comuns em cadelas e ocupam
a terceira posição entre os cânceres mais frequentes em gatas. O órgão também
alerta que o Brasil ainda não possui um registro nacional de casos da doença em
animais, o que impede estimar com precisão sua incidência no país.
Para Gustavo Jorge Gonçalves, médico veterinário na WeVets, maior
grupo de saúde veterinária do Brasil, o comportamento da doença nos felinos exige
atenção especial. “Nas gatas, existe uma probabilidade elevada de o tumor
mamário ser maligno. Por isso, qualquer nódulo ou alteração percebida pelo
tutor precisa ser avaliada pelo médico-veterinário. Esperar que ele cresça para
procurar atendimento pode comprometer as possibilidades de tratamento”,
explica.
O
carinho também pode ajudar a perceber alterações
Os tumores mamários podem começar como pequenos nódulos e passar
despercebidos, especialmente em animais com pelos longos. Durante os momentos de
carinho, o tutor pode observar a região abdominal e as cadeias mamárias e ficar
atento ao surgimento de caroços, inchaço, assimetria, secreções, feridas ou
mudanças na aparência da pele.
A observação em casa, porém, não substitui o exame veterinário. Nem
todo nódulo é câncer e não é possível determinar apenas pelo toque se uma
alteração é benigna ou maligna.
“Às vezes, o tutor encontra uma estrutura muito pequena e imagina
que pode esperar. O problema é que o tamanho não permite definir a natureza daquele
nódulo. A orientação é investigar qualquer alteração suspeita, mesmo quando o
pet aparentemente está bem”, afirma.
Nas gatas, a preocupação é ainda maior porque esses tumores
apresentam comportamento biológico mais agressivo. O Merck Veterinary Manual
aponta que eles têm propensão à metástase para outros locais do organismo, como
pulmões e linfonodos.
Idade,
hormônios e histórico reprodutivo entram na avaliação
O risco não é igual para todos os animais. Idade, predisposição
genética, exposição hormonal e histórico reprodutivo estão entre os fatores
considerados pelo médico-veterinário.
O CRMV-SP aponta o uso de anticoncepcionais hormonais entre os
fatores associados ao desenvolvimento de tumores mamários e recomenda que esses
medicamentos não sejam administrados aos pets sem orientação veterinária.
A castração realizada em idade adequada também pode exercer papel
protetor, especialmente quando feita precocemente. A decisão sobre o momento do
procedimento deve ser individualizada e discutida com o médico-veterinário,
levando em consideração espécie, raça, idade, condição clínica e outros fatores
do animal.
Gatas
merecem atenção especial
Dados da Cornell University reforçam a agressividade da doença nos
felinos. A instituição aponta que os tumores mamários são o terceiro tipo de
câncer mais comum em gatos e que mais de 95% dos casos ocorrem em fêmeas. A
doença é diagnosticada com maior frequência em animais mais velhos.
Quando existe suspeita, a investigação pode envolver exame
clínico, exames de imagem e análise do tecido para determinar o tipo de tumor.
Também pode ser necessário avaliar se a doença atingiu linfonodos, pulmões ou
outros órgãos.
O tratamento é definido de acordo com características como
tamanho, localização, tipo do tumor e estágio da doença. A cirurgia tem papel
central em muitos casos e, dependendo do diagnóstico, outros tratamentos
oncológicos podem ser associados.
Sinais
que merecem investigação veterinária
A WeVets orienta os tutores a procurarem avaliação ao perceberem
nódulos ou caroços próximos às mamas, aumento ou assimetria mamária, vermelhidão,
inchaço, dor, secreção, sangramento ou feridas que não cicatrizam na região.
Alterações gerais, como perda de peso, redução do apetite e mudanças de
comportamento, também devem ser relatadas durante a consulta.
“O principal recado do Outubro Rosa Pet não deve ficar restrito ao
mês de outubro. Conhecer o corpo do animal, perceber mudanças e manter o
acompanhamento veterinário permite investigar alterações quando elas ainda
estão no início. Em oncologia, o momento em que a doença é identificada pode
fazer diferença na condução do caso”, conclui.

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