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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Visão e liberdade após os 50 vão muito além de não usar óculos

Especialista em troca do cristalino e cirurgia de catarata explica como tecnologia, qualidade visual e planejamento personalizado podem ajudar a preservar a autonomia de pessoas com uma rotina ativa

 

Aos 50, 60 ou 70 anos, muitas pessoas continuam trabalhando, viajando, dirigindo e praticando esportes. Manter essa rotina exige mais do que conseguir ler letras durante uma consulta oftalmológica. Dificuldades para distinguir detalhes em ambientes pouco iluminados, acompanhar informações em telas ou realizar tarefas que exigem precisão podem comprometer atividades cotidianas, mesmo quando os exames indicam uma acuidade visual aparentemente satisfatória.

Segundo o Dr. Arthur van den Berg, médico oftalmologista, especialista em troca do cristalino e cirurgia de catarata, a avaliação precisa considerar como cada pessoa utiliza a visão. “Enxergar bem não significa apenas conseguir ler as letras de uma tabela. Precisamos entender como aquela pessoa enxerga nas situações reais da vida. Dirigir à noite, trabalhar no computador, praticar esportes e realizar atividades que exigem precisão visual são exemplos de necessidades que devem fazer parte da avaliação”, explica.


Qualidade visual é mais do que enxergar 100%

Na oftalmologia, a acuidade visual é um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a capacidade de enxergar detalhes. Entretanto, esse indicador não representa, isoladamente, toda a experiência do paciente. Sensibilidade ao contraste, percepção de objetos, desempenho em ambientes com pouca iluminação e presença de fenômenos luminosos também influenciam a qualidade da visão.

Esses aspectos ganham importância com o envelhecimento ocular, especialmente quando surgem alterações no cristalino, a lente natural do olho. Por isso, alguém pode conseguir ler letras pequenas durante um exame e, ainda assim, enfrentar dificuldades para dirigir à noite ou identificar objetos em determinadas condições de luz.

“A qualidade da visão é tão importante quanto a quantidade de visão. Não basta alcançar uma boa medida de acuidade visual se o paciente continua enfrentando dificuldades nas atividades que fazem parte da sua rotina”, destaca o especialista.


Estilo de vida influencia a escolha do tratamento

A evolução das tecnologias utilizadas na troca do cristalino e na cirurgia de catarata ampliou as possibilidades de personalização. Atualmente, o planejamento pode considerar, além das características anatômicas dos olhos, a profissão, os hábitos e as prioridades de cada pessoa.

Quem passa várias horas diante do computador pode ter necessidades diferentes de alguém que pratica ciclismo, corrida ou tênis. Da mesma forma, motoristas frequentes no período noturno podem valorizar aspectos distintos daqueles que realizam atividades detalhadas de perto.

Entre as opções disponíveis estão as lentes intraoculares trifocais, capazes de proporcionar independência dos óculos para longe, intermediário e perto em pacientes selecionados. Existem ainda modelos de profundidade de foco estendida, que ampliam a faixa de visão nítida, além de outras tecnologias com características ópticas específicas.

“Não existe uma tecnologia ideal para todas as pessoas. O planejamento deve considerar como o paciente utiliza a visão e quais são suas prioridades. Nosso objetivo é encontrar a melhor combinação entre independência dos óculos, qualidade visual e segurança”, explica Dr. Arthur.


O resultado começa antes da cirurgia

Os avanços nos procedimentos do cristalino não se limitam às lentes artificiais. Equipamentos modernos permitem analisar com precisão as características da córnea, as dimensões do olho, o astigmatismo e outras estruturas que influenciam os resultados.

Exames como tomografia da córnea, biometria óptica, aberrometria e avaliação detalhada da retina ajudam a identificar alterações e definir quais tecnologias são mais adequadas para cada caso. Essas informações orientam a estratégia cirúrgica e permitem reconhecer situações em que determinadas opções podem não ser recomendadas.

Com mais de 20 mil cirurgias realizadas, Dr. Arthur van den Berg desenvolveu o PROTOCOLO VDB®, um modelo de planejamento personalizado que integra exames de alta precisão, análise da saúde ocular e necessidades visuais do paciente.

“O resultado cirúrgico começa muito antes de entrar no centro cirúrgico. Cada detalhe do planejamento importa, desde a análise da córnea até a escolha da lente intraocular. Quanto mais conhecemos as características daquele olho e as expectativas do paciente, melhores são as condições para definir a estratégia mais adequada”, afirma.


Independência dos óculos também significa praticidade

Para quem mantém uma vida ativa após os 50 anos, a necessidade constante de correção visual pode representar um incômodo. Durante a prática esportiva, por exemplo, alternar o foco entre diferentes distâncias pode dificultar a leitura de um relógio ou de um computador de bicicleta.

No trabalho, a alternância entre documentos, telas e conversas presenciais também pode exigir o uso frequente dos óculos, especialmente quando há dificuldades para enxergar de perto.

As lentes intraoculares modernas permitem, em pacientes adequadamente selecionados, buscar maior independência em todas as distâncias. Essa possibilidade, entretanto, não significa que a mesma solução seja indicada para todos. A escolha deve respeitar as condições de cada olho, as limitações das tecnologias e a relação entre benefícios e riscos.


O futuro da cirurgia está na personalização

A cirurgia do cristalino evoluiu de um procedimento voltado principalmente à recuperação da transparência visual para uma abordagem que também permite planejar diferentes objetivos refrativos, relacionados à correção do grau e à redução da dependência dos óculos.

Novas tecnologias, métodos de cálculo e equipamentos de diagnóstico contribuíram para tornar essa escolha mais individualizada. Para van den Berg, a principal mudança está em considerar não apenas a condição ocular, mas também o resultado que faz sentido para a vida do paciente.

“Não tratamos apenas um grau ou uma catarata. Tratamos pessoas que têm hábitos, profissões e expectativas diferentes. O planejamento precisa acompanhar essas diferenças. Nosso objetivo é proporcionar máxima liberdade visual, preservando a qualidade da visão e respeitando as particularidades de cada paciente”, conclui.

 

Dr. Arthur van den Berg - CRM-PR 31365 | RQE 19497 - médico oftalmologista, especialista em cirurgia de catarata e troca do cristalino, com mais de 20 mil cirurgias realizadas. Possui formação pela Santa Casa de São Paulo, atuação acadêmica na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), aperfeiçoamento em segmento anterior no Storm Eye Institute, da Medical University of South Carolina (MUSC), nos Estados Unidos, e pós-graduação em Surgical Leadership pela Harvard Medical School. É criador do PROTOCOLO VDB®, voltado ao planejamento personalizado para independência dos óculos.


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