Especialista em troca do cristalino e cirurgia de catarata explica como tecnologia, qualidade visual e planejamento personalizado podem ajudar a preservar a autonomia de pessoas com uma rotina ativa
Aos 50, 60 ou 70 anos, muitas pessoas continuam
trabalhando, viajando, dirigindo e praticando esportes. Manter essa rotina
exige mais do que conseguir ler letras durante uma consulta oftalmológica.
Dificuldades para distinguir detalhes em ambientes pouco iluminados, acompanhar
informações em telas ou realizar tarefas que exigem precisão podem comprometer
atividades cotidianas, mesmo quando os exames indicam uma acuidade visual
aparentemente satisfatória.
Segundo o Dr. Arthur van den Berg, médico
oftalmologista, especialista em troca do cristalino e cirurgia de catarata, a
avaliação precisa considerar como cada pessoa utiliza a visão. “Enxergar bem
não significa apenas conseguir ler as letras de uma tabela. Precisamos entender
como aquela pessoa enxerga nas situações reais da vida. Dirigir à noite,
trabalhar no computador, praticar esportes e realizar atividades que exigem
precisão visual são exemplos de necessidades que devem fazer parte da
avaliação”, explica.
Qualidade visual é mais do que
enxergar 100%
Na oftalmologia, a acuidade visual é um dos
principais parâmetros utilizados para avaliar a capacidade de enxergar
detalhes. Entretanto, esse indicador não representa, isoladamente, toda a
experiência do paciente. Sensibilidade ao contraste, percepção de objetos,
desempenho em ambientes com pouca iluminação e presença de fenômenos luminosos
também influenciam a qualidade da visão.
Esses aspectos ganham importância com o
envelhecimento ocular, especialmente quando surgem alterações no cristalino, a
lente natural do olho. Por isso, alguém pode conseguir ler letras pequenas
durante um exame e, ainda assim, enfrentar dificuldades para dirigir à noite ou
identificar objetos em determinadas condições de luz.
“A qualidade da visão é tão importante quanto a
quantidade de visão. Não basta alcançar uma boa medida de acuidade visual se o
paciente continua enfrentando dificuldades nas atividades que fazem parte da
sua rotina”, destaca o especialista.
Estilo de vida influencia a
escolha do tratamento
A evolução das tecnologias utilizadas na troca do
cristalino e na cirurgia de catarata ampliou as possibilidades de
personalização. Atualmente, o planejamento pode considerar, além das
características anatômicas dos olhos, a profissão, os hábitos e as prioridades
de cada pessoa.
Quem passa várias horas diante do computador pode
ter necessidades diferentes de alguém que pratica ciclismo, corrida ou tênis.
Da mesma forma, motoristas frequentes no período noturno podem valorizar
aspectos distintos daqueles que realizam atividades detalhadas de perto.
Entre as opções disponíveis estão as lentes
intraoculares trifocais, capazes de proporcionar independência dos óculos para
longe, intermediário e perto em pacientes selecionados. Existem ainda modelos
de profundidade de foco estendida, que ampliam a faixa de visão nítida, além de
outras tecnologias com características ópticas específicas.
“Não existe uma tecnologia ideal para todas as
pessoas. O planejamento deve considerar como o paciente utiliza a visão e quais
são suas prioridades. Nosso objetivo é encontrar a melhor combinação entre
independência dos óculos, qualidade visual e segurança”, explica Dr. Arthur.
O resultado começa antes da
cirurgia
Os avanços nos procedimentos do cristalino não se
limitam às lentes artificiais. Equipamentos modernos permitem analisar com
precisão as características da córnea, as dimensões do olho, o astigmatismo e
outras estruturas que influenciam os resultados.
Exames como tomografia da córnea, biometria óptica,
aberrometria e avaliação detalhada da retina ajudam a identificar alterações e
definir quais tecnologias são mais adequadas para cada caso. Essas informações
orientam a estratégia cirúrgica e permitem reconhecer situações em que
determinadas opções podem não ser recomendadas.
Com mais de 20 mil cirurgias realizadas, Dr. Arthur
van den Berg desenvolveu o PROTOCOLO VDB®, um modelo de planejamento
personalizado que integra exames de alta precisão, análise da saúde ocular e
necessidades visuais do paciente.
“O resultado cirúrgico começa muito antes de entrar
no centro cirúrgico. Cada detalhe do planejamento importa, desde a análise da
córnea até a escolha da lente intraocular. Quanto mais conhecemos as
características daquele olho e as expectativas do paciente, melhores são as
condições para definir a estratégia mais adequada”, afirma.
Independência dos óculos
também significa praticidade
Para quem mantém uma vida ativa após os 50 anos, a
necessidade constante de correção visual pode representar um incômodo. Durante
a prática esportiva, por exemplo, alternar o foco entre diferentes distâncias
pode dificultar a leitura de um relógio ou de um computador de bicicleta.
No trabalho, a alternância entre documentos, telas
e conversas presenciais também pode exigir o uso frequente dos óculos,
especialmente quando há dificuldades para enxergar de perto.
As lentes intraoculares modernas permitem, em
pacientes adequadamente selecionados, buscar maior independência em todas as
distâncias. Essa possibilidade, entretanto, não significa que a mesma solução
seja indicada para todos. A escolha deve respeitar as condições de cada olho,
as limitações das tecnologias e a relação entre benefícios e riscos.
O futuro da cirurgia está na
personalização
A cirurgia do cristalino evoluiu de um procedimento
voltado principalmente à recuperação da transparência visual para uma abordagem
que também permite planejar diferentes objetivos refrativos, relacionados à
correção do grau e à redução da dependência dos óculos.
Novas tecnologias, métodos de cálculo e
equipamentos de diagnóstico contribuíram para tornar essa escolha mais
individualizada. Para van den Berg, a principal mudança está em considerar não
apenas a condição ocular, mas também o resultado que faz sentido para a vida do
paciente.
“Não tratamos apenas um grau ou uma catarata.
Tratamos pessoas que têm hábitos, profissões e expectativas diferentes. O
planejamento precisa acompanhar essas diferenças. Nosso objetivo é proporcionar
máxima liberdade visual, preservando a qualidade da visão e respeitando as
particularidades de cada paciente”, conclui.
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